Author`s name Edu Montesanti

A Guerra do Iêmen e a Regra de Impunidade

Biden prometeu interromper vendas de armas dos EUA à Arábia Saudita; particularmente sobre o Iêmen, afirmou que acabaria com todo o apoio americano para às operações ofensivas no devastado país do Oriente Médio

Enquanto o presidente americano contradiz suas promessas, a catástrofe humanitária no Iêmen é hoje muito pior que com Trump no poder

Chomsky, em entrevista exclusiva a Edu Montesanti, questiona fortemente o comércio de “armas defensivas” de Biden aos sauditas enquanto, mais que nunca, o Iêmen é palco de uma guerra por procuração saudita-americana contra o Irã às custas de dezenas de milhões de civis inocentes iemenitas

Enquanto a atenção mundial está voltada principalmente à Rússia e Ucrânia e o Relógio do Juízo Final encontra-se em 100 segundos para a meia-noite agora, nível mais alto já registrado desde 1947, o Iêmen passa fome e arde cada vez mais.


Apenas alguns poucos lamentam o pior desastre humanitário do mundo, que ocorre no país mais pobre do Oriente Médio.

Ocupando o 115º lugar dos 116 países no Índice Global da Fome de 2021, o Iêmen tem um nível de fome alarmante e sem precedentes. Resultado direto da “intervenção humanitária” saudita, desde o início, em março de 2015, apoiada pelos EUA.

A catástrofe iemenita, rotulada por muitos especialistas em todo o mundo de "genocídio", foi observada em 2020 pelo então candidato presidencial dos EUA, Joe Biden: prometeu "acabar com o apoio dos EUA à guerra da Arábia Saudita no Iêmen, e garantir que os EUA não retrocedam em seus valores, vendendo armas ou comprando petróleo da Arábia Saudita".


E acrescentou que, uma vez eleito presidente, “o compromisso dos EUA com os valores democráticos e os direitos humanos, será prioridade”.

Logo após assumir o poder, o presidente Biden declarou em fevereiro de 2021 que encerraria todo o apoio dos EUA a “operações ofensivas” no devastado país do Oriente Médio.


Haja visto que o mundo testemunha, historicamente, que sempre que o regime de Washington anuncia direitos humanos para "amigos", tempos terríveis logo chegam, não demorou para o novo presidente americano contradizer totalmente as promessas em relação ao Iêmen, nação vítima do pior violador dos direitos humanos do mundo junto com os sionistas de Israel: exatamente os sauditas. Ambos, antigos aliados dos Estados Unidos da América.


A desculpa agora é que a Casa Branca vende os poderosos mísseis ar-ar e lançadores aos sauditas, consideradas “armas defensivas” pelo novo ocupante da Casa Branca.

De acordo com um porta-voz do Departamento de Estado, o governo Biden agora está "mantendo o compromisso do presidente em apoiar a defesa territorial da Arábia Saudita".

Hoje, um ano e cinco meses depois que o presidente Biden assumiu o poder, a catástrofe humanitária no Iêmen é muito pior se comparada aos anos de Donald Trump como presidente, em todos os aspectos.

E a perspectiva não é nada animadora, apesar da trégua acordada em 2 de abril por ambas as partes em conflito - o governo iemenita, e os rebeldes houthis do país.


Em entrevista exclusiva a este jornalista, Noam Chomsky aponta a narrativa hipócrita da Casa Branca agora, apoiando Riyad para fins "defensivos". O lendário linguista e analista político americano observa o sutil engodo neste caso.

"A linha entre armas ofensivas e defensivas é muito tênue", diz Chomksy.

Guerra por Procuração

A lei dos EUA proíbe venda de armas a governos abusivos, enquanto a "a América exportadora de democracia e direitos humanos ao mundo" recusa-se a interromper a cumplicidade nos crimes de guerra da Arábia Saudita no Iêmen. Como em todas as partes, sempre que os sauditas envolvem-se por mais comprovadamente graves que sejam seus crimes.

Números de tragédia

No caso iemenita, os “números” da tragédia são assustadores – não mais do que “números” para as potências ocidentais e a grande mídia. Enquanto o compromisso primero americano, como era de se esperar e sempre foi assim, volta-se à segurança do Reino Saudita - do poder saudita vale ressaltar, o que é ainda mais criminoso.

Quanto ao comércio de armas americanas aos sauditas, Chomsky lembra que, embora "os sistemas de mísseis antibalísticos sejam anunciados como armas defensivas, analistas estratégicos de todos os lugares os consideram armas de primeiro ataque".

"Se eles funcionassem, o que é improvável, poderiam impedir um ataque de retaliação frágil, aumentando assim a tentação de um primeiro ataque", diz o professor laureado da Universidade do Arizona.

"O mesmo ocorre com os mísseis Iron Dome fornecidos a Israel, que facilitam os ataques assassinos israelenses contra Gaza, fornecendo defesa contra o dissuasor muito fraco", acrescenta o analista americano, para concluir que "armas 'defensivas' ao Reino Saudita estão sujeitas à mesmo lógica".

Quando se trata de violações do direito internacional, nada novo quando Washington e Riyad estão envolvidos, tanto quanto a impunidade para ambos. Um ensurdecedor silêncio conivente da propalada "comunidade internacionlal", crescente e absurdamente escarnecida, com toda a razão, entre povos vítimas ao redor do mundo.

O dramático agravamento do cenário iemenita, em seu contexto considerando o clima de violência e intimidação criado pela Arábia Saudita, é clarividente evidência, por si só, de que o país é palco de uma extensão da aliança saudita-americana na guerra por procuração contra o Irã, tendo os sionistas e seu terror contra os palestinos, nos bastidores.

O caos é o Reino dos Ladrões.

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