Estados Unidos se preparam para intervir na Venezuela

Estados Unidos se preparam para intervir na Venezuela
TONY LÓPEZ R. (*) 

18 JANEIRO 2019 
Os peripatéticos aristotélicos diziam que em política não se pode ser ingênuo, nem subestimar ao inimigo.

A "intervenção humanitária ou de paz" está em marcha e tomando força externa, não duvido da grande potência revolucionária que há no povo bolivariano, da liderança de Nicolás Maduro, da unidade e fortaleza do poder revolucionário cívico-militar, tampouco tenho dúvida de que toda esta farsa será desmascarada e oxalá que não se atrevam a intervir militarmente porque a resposta do povo venezuelano será contundente e vitoriosa, enquanto o custo político e militar para os Estados Unidos e os países que o acompanhem nesta aventura terão graves consequências políticas e militares ao interior de seus países. Mister Trump: Remember Girón.


O Plano desestabilizador, as manipulações e as campanhas midiáticas dirigidas pelo Cartel mafioso dos meios de comunicação trabalham sobre o pensamento e a ideia de que o governo de Nicolás Maduro é ilegítimo e produto de uma fraude e essa matriz de opinião, nos agrade ou não, vem se semeando no pensamento da opinião pública de nossa região e não tem sido de hoje, não, desde há muito tempo e coordenadamente entre os meios de comunicação da região se vem construindo a ideia da fraude, elaborada e executada pelo chamado Plano Mestre, do Comando Sul.


Pouco ou nada se explicava pelo chavismo sobre a legitimidade do evento eleitoral e pouca desmentida a suja campanha, nem os amigos e aliados da Revolução Bolivariana no exterior jogaram esse papel, também muito prudentes desde o interior da Venezuela, tudo não podia recair nas denúncias do presidente, o movimento social e político bolivariano e aliado deveria ser mais agressivo contra as ações desestabilizadoras e terroristas da oposição agrupada na MUD com o fim de criar descontentamento que era o objetivo do Plano Mestre e que dava pé ao que agora se está montando contra a legitimidade do Presidente e seu Governo.


O desacato e a violação da constituição constituíam delitos dos dirigentes da Assembleia Nacional e não se atuava com firmeza contra eles, nem se dissolvia esse parlamento comprometido com as orientações que recebia da embaixada estadunidense, se atuou com muito mais tolerância, talvez com o sadio critério de dar mais importância à reconciliação e à paz, porém sem levar em conta que ao inimigo de classe não se lhe pode fazer concessões de princípios.


Com uma Assembleia Nacional Constituinte, instituição suprema do Estado de Direito e legitimada com uma votação de mais de 9 milhões de votos, há suficiente legalidade democrática para propor dissolver a Assembleia Nacional e atuar contra os dirigentes da referida instituição que operavam fora e contra a Constituição, ao se colocarem a serviço de uma potência estrangeira, pelo que poderiam ser acusados de traição à Pátria.


A conduta traidora do deputado Julio Borge na República Dominicana é uma demonstração cabal de como atua esse inimigo de classe, quando hipocritamente estava à frente da delegação da MUD nos diálogos com delegados do governo venezuelano na República Dominicana, para alcançar a conciliação e a paz e se havia chegado a consenso e só se preparavam a firmar o documento, Borjes recebeu a chamada do embaixador dos Estados Unidos em Bogotá e abandonou Santo Domingo, deixando perplexos a todos os participantes, incluindo o chanceler Dominicano e a seu Presidente.


Era óbvio, os Estados Unidos tinham decidido intervir na Venezuela e consideravam que a firma de um documento de entendimento e reconciliação entre oposição e governo chavista obstaculizava o Plano que eles vinham pondo em prática para derrocar ao governo venezuelano; é por isso que encarregam ao embaixador gringo em Colômbia para que peça a Borges que abandone as conversações e a firma. A Assembleia Nacional tinha que se manter em desacato e sem reconhecer ao governo de Maduro, Borges obedeceu a ordem de seus patrões gringos.


E é exatamente o que estão fazendo, desconhecer ao governo chavista, porque forma parte do Plano intervencionista que hoje os Estados Unidos estão desenvolvendo contra a democracia em Venezuela e essa campanha de que Nicolás Maduro não é o presidente legítimo por ser fraudulento e que o presidente legítimo da Venezuela é Juan Guaidó, ideia que estão semeando na opinião pública, para buscar respaldo popular a esta horrorosa e perigosa operação política-militar que pode levar a uma guerra civil de consequências imprevisíveis para nosso continente.


Esse papel desinformativo é o que a Wikipédia está realizando, afirmando que Guaidó é o presidente legítimo da Venezuela, e repetido em todos os meios radiofônicos, televisivos e escritos em mãos da direita e das redes sociais, em sua grande maioria cai nos braços da mentira e já o acunha como um fato a nível mundial. O método nazifascista goebelliano de que repetir as mentiras se convertem em verdades é real e há que levá-lo em conta. Não esquecer que Wikipédia não responde a um esquema de informação imparcial e livre senão que aos interesses políticos do sistema e especialmente aos Estados Unidos.


Enquanto isso os países do Grupo de Lima, pelo menos 11 dos 14 membros, reconhecem ao presidente da Assembleia Nacional Juan Guaidó como presidente da Venezuela, assim acaba de afirmar publicamente hoje 16 de janeiro o presidente argentino Mauricio Macri, em Brasília, na reunião bilateral que realizou com o capitão presidente Jair Bolsonaro. Enquanto o Paraguai rompe relações diplomáticas e claramente se estes 11 países latino-americanos e os Estados Unidos reconhecem a Guaidó como Presidente, de fato representa na prática uma ruptura de relações, o governo do presidente Maduro pode expulsar da Venezuela a todos esses embaixadores e retirar seus diplomatas credenciados nos ditos países.


A escalada e dar reconhecimento diplomático ao deputado Guaidó, cuja investidura legislativa está questionada por formar parte de uma Assembleia Nacional declarada pelo Tribunal Supremo de Justiça [TSJ] em desacato e portanto violar a Constituição e em seu caso se prestar e se pôr a serviço de uma potência estrangeira, para derrocar ao Governo legitimamente constituído, após ganhar as eleições de 20 de maio de 2018, portanto, pode ser acusado de traidor da pátria.


A contrarrevolução venezuelana anunciou que tudo se decidirá no próximo 23 de janeiro, data emblemática e histórica para o povo venezuelano, pois nesse dia se produziu a derrocada da ditadura do general Marcos Pérez Jiménez, haverá que ver que reação terá o povo venezuelano e o aguerrido e famoso bairro 23 de Janeiro, o mesmo que tomou Caracas e fez com que regressassem Hugo Chávez à presidência, quando alguns dos que hoje formam parte desse complô atual haviam sequestrado ao presidente Hugo Chávez.
Esses membros da Assembleia Nacional hoje declarados em desacato são os culpados pelas grandes penúrias, misérias, abandono de seu povo e que formaram parte dos governos corruptos daquela IV República.

(*) Jornalista, politicólogo e analista internacional.
La Habana, 16 de janeiro de 2019.
Tradução > Joaquim Lisboa Neto

 

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Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey