Chile: Memórias de infância do período da Ditadura

Rodrigo Heredia nasceu em 1978 e conta que viveu a ditadura de Pinochet por 11 anos, mas que era apenas uma criança. Perguntado sobre as memórias deste período, ele disse que ao mundo se dá uma visão turva da realidade dizendo que o único caráter do ex-ditador chileno era de assassino e que todos os seus atos foram terríveis. Ele acredita que as informações passadas sofrem a influência de exilados políticos opositores ao regime.

Segundo o estudante de direito, durante o período de 1970 a 1973 quando assumiu o governo comunista de Salvador Allende havia muita fome, pobreza e uma inflação altíssima. O caos estava instalado em todo o país com muita violência nas ruas, pois os grupos de esquerda andavam armados financiados por Cuba e pela União Soviética. O estudante que vem de uma família rica, disse que seus parentes tinham dificuldade de comprar produtos e alimentos nos supermercados por causa das grandes filas. Ele acredita que a violência era decorrente de uma falta de ordem institucional e de uma política que não funcionava.

“O pronunciamento militar e o golpe de estado foi um pedido de muitas pessoas, principalmente dos políticos da época, encabeçados por Patrício Aylwin que foi o presidente após o fim da ditadura de Pinochet”, afirma. “Quando foi realizado o golpe de estado, os revolucionários não aceitaram o toque de recolher nas ruas e continuaram lutando. Somam-se 3000 mortos e desaparecidos no período da ditadura”, diz Rodrigo Heredia, que fala das injustiças e atrocidades do período por parte do governo militar, mas aponta que havia violência também por parte da oposição a Pinochet.

Rodrigo diz que nem ele nem sua família não são simpatizantes de Pinochet, nem da oposição e por isso não sofreram com a ditadura como aqueles que perderam familiares. Ele conta que tem um amigo que perdeu parentes neste período porque eles faziam parte de um grupo marxista e os militantes de tendência socialista eram perseguidos.

Pinochet morreu sem ter sido recebido a sentença da justiça pelos crimes de que foi acusado. O estudante de direito ressalta que houve muitos ganhos econômicos com o governo militar. “Foram adotadas inclusive medidas sociais como a construção de casas populares que foram doadas aos pobres, mas para aqueles que perderam suas famílias na ditadura, a lógica é bem diferente”, conclui Rodrigo.

O Chile Fascista

Mais de 60.000 pessoas foram ao velório do ex-general Pinochet


Por Javier Pardo Mella

Na ultima quarta-feira, 13 de dezembro de 2006 ocorreram os funerais do ex-ditador Augusto Pinochet Ugarte. Em seguida o seu corpo foi levado a um cemitério em Viña del Mar.

Diante de todas as tradicionais honrarias militares, a família de Pinochet recebeu a bandeira e a espada dada aos generais do exército chileno, mas não foi homenageado pelo Estado. A população que assistiu ao velório do ex-ditador chileno foi de aproximadamente 60 mil. Para eles este momento foi tristeza, pois eles se despediram do seu antigo líder.


Com a presença dos partidos políticos de direita representados o velório foi realizado com muita polêmica. Durante a cerimônia militar, o neto do geral e atual capitão do exército chileno, Augusto Cristián Pinochet Molina declarou “Ele foi um homem que derrotou plena guerra fria o modelo marxista que pretendia impor um governo totalitário com o voto popular, mas também diretamente por um levante armado”

Em um ambiente de dor para cerca de 40% da população, o Cardeal Francisco Javier Errázuriz rezou pela alma e pelo eterno descanso do seu ex-presidente. Enquanto, por outro lado, os opositores ao regime do ditador celebraram nesse mesmo dia no memorial do ex-presidente Salvador Allende, exaltando a figura do presidente derrotado pela ditadura. O clima de festa terminou em confusão, quando alguns civis foram atacados por soldados chilenos que estavam obedecendo ao pedido do governo de manutenção da “ordem”.

As manifestações dos opositores ao regime reuniram cerca de 5000 pessoas na tarde de quarta-feira.

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Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey