Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Vaza-Jato e o Raso Debate

Vaza-Jato e o Raso Debate

 

Edu Montesanti

 

Opinião: Transparência radical e aprofundamento da pobre democracia brasileira, uma democracia participativa no lugar desta falida "democracia representativa" deveriam estar no centro do debate nacional, enquanto a Vaza-Jato está a todo vapor no Brasil. 

 

Mas estes fundamentais pontos, para que o País saia de uma vez da estagnação endêmica que apenas favorece o um por cento no topo do poder, estão bem distantes da discussão.

 

Sérgio Moro, ex-super-heroi mais patético das mentalidades elitistas do Brasil, iniciou a Operação Lava-Jato ja em suspeição, para dizer o mínimo devido às maracutaias jurídicas no julgamento do caso Banestado do estado do Paraná.


Em agosto do ano passado, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) anulou uma sentença proferida pelo ex-juíz no caso, alegando que houve quebra de imparcialidade na sentença visto que Moro, em 2003, atuou na produção de provas.


Bem antes de tal anulação, antes até do início da Lava-Jato era do mais amplo conhecimento no País o papel canalha desempenhado por Moro, no julgamento do Banestado.

 

Este fato já seria suficiente para uma discussão bem mais ampla sobre o próprio sistema tupiniquim, que vá muito além da real guerra jurídica contra a esquerda brasileira, especialmente contra o Lula, e das eleições de 2022. 

 

Mais ainda, somado a outros pontos expostos anteriormente em Pravda Brasil sobre tudo o que envolve a Vaza-Jato, e os podres poderes no Brasil.

 

Mas por que a discussão não toca fundo no sistema brasileiro que permitiu Moro estuprar, tranquilamente, a ordem jurídica (que nunca existiu no Brasil) acompanhado de uma enorme lista de procurdores o que, aliás, sempre ocorreu e todo mundo sabe disso?

 

Alguns poucos membros do Partido dos Trabalhadores têm dito que o povo deve pressionar; José Dirceu disse, recentemente em entrevista, que apenas uma revolução social pode salvar o Brasil - de Bolsonaro. 

 

A mídia auto-proclamada alternativa, outra face de uma mesma moeda midiática que na realidade apenas pratica, em geral, o anti-jornalismo em favor de partido político diferente em relação à grande mídia , hoje aplaude alegremente juristas que, em um passado não muito distante, ela mesma (acertadamente) denunciava com bastante frequência. Gilmar Mendes é um exemplo disso. 

 

Hoje, esses mesmos personagens são tratados como uma espécie de sacrossantos juristas ao condenar Moro e a Lava-Jato, como se nada nunca tivesse acontecido.

 

O motivo pelo qual não se ousa questionar a "democracia representativa" que possa dar lugar à  participativa, acompanhada de ampla reforma judiciária, política, midiática, é o mesmo que torna absolutamente efêmero o (hipócrita) clamor por ativismo popular de alguns líderes petistas.

 

Ao PT não interessa abordar temas tão sensíveis, com vistas às eleições de 2022. Ao tocar em certos segmentos sociais através de mais ampla discussão sobre o atual sistema brasileiro, certamente o partido, com Lula ou Haddad, perderia muitos votos, então. Velho filme, envolvendo tal partido.

 

Esta obsessão eleitoreira de sempre, o poder pelo poder, vitória eleitoral como principal projeto partidário e de país, é exatamente o que leva líderes petistas, agora e uma vez mais, ao diálogo esquizofrenico, a falar consigo mesmo e com as pardes, e mais ninguém.

 

A cidadania é algo que, com atitudes, constroi-se diariamente o que o PT, nos momentos cruciais do Brasil enquanto esteve no poder, sempre castrou pensando naquele poder que detinha. 

 

Basta lembrar, como ícone do predominante caráter reacionário petista, a Lei Antiterrorismo da então presidente Dilma Rousseff, que abria possibilidades de se criminalizar manifestações populares, e os próprios movimentos sociais. Pode-se dizer que o governo Dilma deu importante contribuição à ascensao de Jair Bolsonaro.

 

Além da própria patrulha petista a críticas construtivas em seus anos no poder. A ausência da urgente auto-crítica petista hoje, pensando nos votos de 2022, igualmente explica a inexistência total de debate sério no Brasil, que toque em seus reais problemas.

 

Agora, o PT precisa desesperadamente do ativismo social, das ruas que ele mesmo abafou. Precisou em 2016, quando derrubaram covardemente Roussseff da Presidência: não teve. Precisou nestes anos todos por Lula contra Moro, contra o crescimento do fascimo no Brasil personalizado em Bolsonaro: tampouco teve.

 

Esta, uma vez mais, sendo adiado o debate sobre reformas básicas, urgentes a fim de se modificar este sistema excludente por natureza, perverso que permite a existência de donos, usurpadores do poder como Moro e tantos outros que empesteiam e sempre contaminaram o Brasil. Nehuma novidade, que nao se findará ainda que seja sentenciada a suspeição de Sérgio Moro, e que Lula tenha os direitos políticos readquiridos.

 

 

 

cplp