Brasil acusa Conselho de Segurança da ONU de “mandar” no mundo

BRASÍLIA, BRASIL - Ao rebater críticas ao Brasil e à Turquia pelo acordo nuclear com o Irã, e pedir que as potências emergentes sejam ouvidas nas questões internacionais, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, acusou diretamente os Estados Unidos, China, França, Reino Unido e Rússia de mandarem no mundo.

Por ANTONIO CARLOS LACERDA

Correspondente no Brasil

Em uma referência direta a esses aos cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, o chanceler brasileiro disse que "continua a ser prerrogativa de um pequeno número de países as decisões do mundo”.

"As decisões globais foram feitas por um punhado de potências tradicionais. Os membros permanentes do Conselho de Segurança tinham (e ainda têm) o privilégio de dar as cartas sobre questões de paz e segurança internacional", disse Celso Amorim.

"É hora de escutar os países emergentes, Turquia e Brasil, mas também outros como a África do Sul, o Egito e a Indonésia, nas sérias questões de paz e guerra", enfatizou o ministro das Relações Exteriores do Brasil.

Segundo Celso Amorim, incluir Brasil, Turquia, África do Sul, Egito e Indonésia nos grandes debates mundiais "abrirá as portas a um mundo melhor". O ministro brasileiro disse ainda que "as decisões mundiais não podem continuar sendo adotadas sem ouvir mais vozes".

Segundo Celso Amorim, "a insistência para adotar sanções contra o Irã confirma a percepção de analistas que denunciam que os centros tradicionais de poder não compartilharão o status privilegiado".

A situação contrasta com as mudanças ocorridas nos últimos anos no cenário internacional, como as comerciais e de mudança climática, que se abriram aos grandes países em desenvolvimento.

"A crise financeira acentuou a aparição de novos atores, substituiu o Grupo dos Oito (G8) como primeiro fórum de debates e de tomada de decisões sobre a economia mundial", esclareceu Celso Amorim.

"As discussões sobre comércio, finanças, mudança climática e inclusive a governança mundial começaram a ser abertas aos países em desenvolvimento", disse o ministro das Relações Exteriores do Brasil ao arrematar que "sem a presença de países como China, Índia, Brasil, África do Sul e México não se alcançaria nenhum resultado tangível".

Até o fechamento desta reportagem pelo Correspondente do PRAVDA no Brasil, nenhum dos países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU havia se manifestado, mesmo que através de comunicados oficiais de suas embaixadas na ONU ou de seus governos em Washington, Pequim, Paris, Londres e Moscou.

ANTONIO CARLOS LACERDA

PRAVDA Ru BRASIL

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Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey