Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Brasil: Emprego industrial cresce

Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário

Em abril, emprego Industrial cresce 0,5% em relação a março.

Em abril, o emprego industrial voltou a crescer (0,5%) em relação ao mês imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais, após queda de 0,3% entre fevereiro e março. Em relação a abril de 2005, houve recuo de 0,8%, oitavo resultado negativo consecutivo nesta comparação. No indicador acumulado no ano, a redução também foi de 0,8% e o acumulado nos últimos doze meses manteve trajetória de queda e registrou a primeira taxa negativa (-0,1%) desde julho de 2004.

Com o aumento de 0,5% na passagem de março para abril, a tendência apontada pelo indicador de média móvel trimestral mostrou variação positiva (0,2%) entre os trimestres encerrados em abril e março.

Emprego industrial cai em oito das 14 áreas pesquisadas, em relação a abril de 2005

No confronto mensal (-0,8%), oito das 14 áreas e 10 dos 18 segmentos apresentaram taxas negativas. Rio Grande do Sul (-9,3%) e região Nordeste (-3,1%) contribuíram com as pressões mais relevantes no resultado geral. O primeiro impactado por decréscimos observados em 13 setores, sobretudo em calçados e artigos de couro (-18,4%); enquanto na indústria nordestina, alimentos e bebidas (-5,4%) figurou como a principal pressão negativa, entre os 12 ramos em queda. Por outro lado, as principais influências positivas vieram da região Norte e Centro-Oeste (9,1%) e Minas Gerais (3,0%), com destaque, nos dois locais, para o segmento de alimentos e bebidas (23,6% e 18,8%, respectivamente). Em nível nacional, os ramos que participaram com os maiores impactos negativos foram calçados e artigos de couro (-12,4%) e máquinas e equipamentos (-8,7%). Em sentido contrário, destacaram-se as influências positivas das contratações efetuadas em alimentos e bebidas (7,7%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (5,9%).

No indicador acumulado para os quatro primeiros meses do ano (-0,8%), nove áreas mostraram redução no emprego industrial. Os resultados do Rio Grande do Sul (-9,5%) e região Nordeste (-3,2%) foram os de maior impacto negativo, entre os locais. Para o total do país, na análise por ramos industriais, variações negativas foram observadas em 11 segmentos, entre os quais permaneceu o destaque em calçados e artigos de couro (-13,6%) e máquinas e equipamentos (-8,6%). Por outro lado, alimentos e bebidas (8,0%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e equipamentos de comunicações (5,3%) exerceram as principais influências positivas no resultado geral. No corte regional, região Norte e Centro-Oeste (8,4%) e Minas Gerais (2,5%) sobressaíram como os principais destaques positivos.

No indicador acumulado nos últimos doze meses (-0,1%), o emprego industrial permaneceu em trajetória decrescente e apresentou o primeiro resultado negativo desde julho de 2004 (-0,3%).

Número de horas pagas cresce 0,5% em relação a março

O número de horas pagas aos trabalhadores da indústria, em abril, registrou aumento de 0,5% em relação a março, na série livre dos efeitos sazonais, após recuo de 1,7%. Na comparação com igual mês do ano anterior, o número de horas pagas assinalou recuo de 0,4%. Os indicadores para períodos mais abrangentes apresentaram resultados diferentes: queda no acumulado no ano (-0,3%) e variação positiva no acumulado nos últimos doze meses (0,1%).

Acompanhando o movimento sinalizado pelo emprego, o indicador de média móvel trimestral apresentou variação positiva de 0,2%, nos trimestres encerrados entre abril e março.

O recuo de 0,4% no indicador mensal, foi decorrência dos resultados negativos de nove dos 14 locais e 10 dos 18 ramos pesquisados. Os segmentos responsáveis pelas principais quedas no cômputo geral foram madeira (-13,6%), vestuário (-6,2%), máquinas e equipamentos (-5,5%) e calçados e artigos de couro (-6,5%). Por outro lado, as maiores contribuições positivas vieram das atividades de alimentos e bebidas (4,9%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (8,2%).

Ainda na comparação abril 06/ abril 05, os locais com os maiores impactos negativos foram Rio Grande do Sul (-6,6%), Paraná (-4,9%) e região Nordeste (-3,2%). Na indústria gaúcha, 12 dos 18 ramos reduziram o número de horas pagas, entre os quais sobressaíram calçados e artigos de couro (-8,4%), outros produtos da indústria da transformação (-14,9%) e máquinas e equipamentos (-8,9%). Na indústria paranaense, as atividades de madeira (-24,2%) e vestuário (-11,0%) foram as principais pressões negativas; e na região Nordeste, o recuo de maior relevância foi observado na indústria de alimentos e bebidas (-5,3%). As principais influências positivas vieram da região Norte e Centro-Oeste (9,0%) e São Paulo (1,1%), onde sobressaiu o avanço do segmento de alimentos e bebidas nesses dois locais, com taxas de 19,5% e 5,2%, respectivamente.

O acumulado no período janeiro-abril assinalou queda de 0,3%, apresentando taxas negativas em nove das 14 áreas e 11 dos 18 ramos industriais. Os locais que registraram os maiores impactos negativos foram Rio Grande do Sul (-8,2%), Paraná (-5,5%) e região Nordeste (-3,5%). Em sentido contrário, as duas maiores pressões positivas vieram da região Norte e Centro-Oeste (9,4%) e de São Paulo (2,1%). No que tange aos setores, as contribuições negativasmais relevantes vieram de madeira (-15,7%) e máquinas e equipamentos (-7,5%). Já as indústrias de alimentos e bebidas (5,8%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (9,6%) exerceram as principais pressões positivas.

Em síntese, o indicador de média móvel trimestral apontou trajetória positiva em abril, tanto no emprego quanto no número de horas pagas. Em relação a 2005, o quadro foi de manutenção de resultados negativos, embora tenha sido observada, na comparação quadrimestral, uma redução do ritmo de queda do número de horas pagas, acompanhando a aceleração observada na atividade industrial, entre o último quadrimestre de 2005 e o primeiro de 2006.

Folha de pagamento apresenta segundo resultado negativo consecutivo (-0,7%)

Em abril de 2006, o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria, na série livre de influências sazonais, apresentou queda de 0,7% em relação ao mês anterior. Com este resultado, segundo negativo consecutivo, este indicador acumulou retração de 2,7% entre abril e fevereiro. O indicador de média móvel trimestral manteve estabilidade (-0,1%), em um patamar elevado, entre os trimestres encerrados em abril e março.

Nos demais indicadores, os resultados foram positivos: 0,3% no indicador mensal, 0,4% no acumulado no ano e 2,2% no acumulado nos últimos doze meses.

No confronto abril 06/ abril 05, a folha de pagamento real assinalou aumento de 0,3%, com taxas positivas em 10 dos 14 locais pesquisados. A principal contribuição positiva veio da região Norte e Centro-Oeste (12,1%), influenciada por alimentos e bebidas (13,3%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (33,3%) e meios de transporte (36,8%). Vale destacar também Minas Gerais (6,3%), onde sobressaíram meios de transporte (24,2%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (30,8%) e máquinas e equipamentos (16,8%); e Rio de Janeiro (5,5%), em virtude de papel e gráfica (28,6%), alimentos e bebidas (13,7%) e meios de transporte (16,4%). Em sentido oposto, os impactos negativos mais relevantes, entre os locais, foram São Paulo (-2,1%), com destaque para os setores de máquinas e equipamentos (-16,8%) e meios de transporte (-8,2%); e Rio Grande do Sul (-6,6%), principalmente devido aos resultados de calçados e artigos de couro (-21,4%) e outros produtos da indústria de transformação (-19,7%).

Ainda na comparação mensal, em nível nacional, a folha de pagamento real expandiu-se em 10 dos 18 setores industriais investigados. As principais contribuições positivas vieram de produtos químicos (11,3%), máquinas, aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (12,2%) e alimentos e bebidas (5,0%). Por outro lado, as maiores pressões negativas foram verificadas em máquinas e equipamentos (-9,6%), metalurgia básica (-11,3%) e calçados e artigos de couro (-11,6%).

O valor real da folha de pagamentos acumulado entre janeiro e abril, ao avançar 0,4%, mostrou um menor ritmo de crescimento em relação ao último quadrimestre de 2005, quando registrou crescimento de 2,0%. Entre os nove locais que apresentaram aumento, os principais impactos positivos foram de Minas Gerais (6,2%), região Norte e Centro-Oeste (8,1%) e Rio de Janeiro (4,9%), que apresentaram, respectivamente, incremento em meios de transporte (15,5%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (25,2%); alimentos e bebidas (9,8%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (25,0%); e indústria extrativa (16,8%) e máquinas e equipamentos (16,8%). Do lado negativo, Rio Grande do Sul (-8,8%) e Paraná (-6,1%) apareceram como os principais impactos negativos, por conta, principalmente, de calçados e artigos de couro (-25,1%) no primeiro e madeira (-20,6%), no segundo local.

Setorialmente, houve ampliação na folha de pagamentos de nove dos 18 segmentos. As contribuições positivas mais relevantes vieram de produtos químicos (11,5%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (11,6%) e meios de transporte (4,3%), enquanto máquinas e equipamentos (-11,6%), calçados e artigos de couro (-14,8%) e madeira (-14,2%) foram os principais destaques negativos.

Base: Abril de 2006

Fonte IBGE

Ricardo Bergamini
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