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África aproveita oportunidade contra polio

26.10.2010 | Fonte de informações:

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Dakar / Brazzaville, 26 de Outubro 2010 ---

Esta semana, África aproveita uma oportunidade sem precedentes para expulsar a poliomielite do continente pois 15 países lançam uma campanha de vacinação sincronizada em massa visando alcançar 72 milhões de crianças, aproveitando os ganhos obtidos este ano. Um total de quase 290 mil vacinadores foram mobilizados, no conjunto desses países, para ir de porta em porta distribuir duas gotas da vacina oral contra a poliomielite (OPV) a todas as crianças menores de cinco anos em áreas consideradas de "alto risco" de transmissão do vírus.


Os líderes africanos demonstraram uma cooperação sem precedentes e o compromisso de realizarem uma série de actividades de vacinação sincronizada em 2009 e em Março e Abril de 2010, na sequência da propagação da doença da Nigéria, que chegou a infectar 24 países em toda a África Ocidental e Central e no Corno de África. Como resultado directo dessas campanhas de vacinação, os surtos de pólio diminuíram bastante. Em t oda a África Ocidental, apenas a Libéria e o Mali registaram casos nos últimos cinco meses, enquanto que a Nigéria - o único país em África onde a transmissão da poliomielite nunca parou - diminui os casos da poliomielite até 98% , no ano passado.


No entanto, nas últimas semanas têm demonstrado os riscos reais de não concluir a erradicação, com um caso de transmissão residual confirmado na Libéria em Setembro, uma nova importação do tipo 3 do poliovírus selvagem no Mali (o primeiro desde 2001), e um caso no Uganda, país que tinha sido declarado livre da pólio há mais de um ano. Em todos os países, avaliações rápidas estão sendo conduzidas para formular um plano de resposta de emergência em que mais duas rondas de repescagem serão realizadas. Todos os países da sub-região da África Ocidental voltarão a realizar duas campanhas completas em Fevereiro e Março de 2011, mas as campanhas de imunização de alta qualidade devem ser complementadas pela vacinação de rotina e uma vigilância epidemiológica forte.

Com o surto de poliomielite em Angola (25 casos confirmados em 2010 ), que se propagou para além das fronteiras com províncias vizinhas da República Democrática do Congo (28 casos) , estes dois países representam hoje a maior ameaça para a poliomielite em África, tendo registado 48 dos 58 casos de África nos últimos seis meses. O vírus na RD Congo continua a ser geograficamente restrito; e em Angola, os passos dados pelo Governo para colmatar as lacunas de cobertura da vacinação na campanha mais recente - que começou dia 1 de Outubro - viu a percentagem de crianças não vacinadas em Luanda, o reservatório principal, diminuir de quase 30% para 13%, enquanto que a nível nacional a percentagem de crianças não vacinadas decresceu de 15% para 8%.


O Director Regional para África da Organização Mundial da Saúde, Dr. Luis G. Sambo, reconheceu as recentes medidas tomadas por Angola e a República Democrática do Congo para colmatar lacunas de cobertura de vacinação quando, acompanhado pelo Ministro Angolano de Saúde, participou pessoalmente na vacinação de crianças nas ruas de Luanda durante a campanha do inicio de Outubro.

"Em África," disse o Dr. Sambo, "verificamos que um apoio de fundo por parte dos governos pode realmente fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso. Mas ainda há muito a fazer para preencher as lacunas, se queremos proteger os impressionantes sucessos obtidos este ano. "


"Estamos diante de uma possibilidade impressionante aqui", disse Gianfranco Rotigliano, Director Regional do UNICEF para a África Ocidental e Central. "Os líderes políticos de toda a África respondem ao desafio colocado por esta terrível doença e os resultados estão à nossa frente. Isto demonstra o que pode ser feito quando há liderança e parceria dinâmica com o apoio de doadores, em torno de uma questão de saúde importante. Precisamos de continuar a envidar esforços para vacinar e colocar as necessidades das crianças em África em primeiro lugar. “

Muitos dos v acinadores voluntários nestas campanhas de vacinação através do continente serão os membros de Rotary, que têm apoiado com quase um bilhão de dólares norte-americanos para o programa de erradicação da poliomielite desde 1985. O Sr. Ambroise Tshimbalanga Kasongo, Presidente do Comité Africano PolioMais da Rotary, apelou aos doadores internacionais para manterem o apoio para terminar o trabalho, preenchendo a lacuna de financiamento de 810 milhões de dólares norte-americanos do Plano Estratégico da Iniciativa Global de Erradicação da Pólio que visa erradicar a poliomielite globalmente até 2013.

"O lema central da Rotary é" Termine com a Polio Agora ", disse ele. “Em África, o fim da poliomielite está à vista, mas ainda não chegámos lá. Pensar que talvez não se possa alcançar a meta por falta de recursos financeiros é inaceitável."


As actividades sincronizadas dos 15 países irão custar perto de 42,6 milhões de dólares norte-americanos, e são financiadas pela Fundação Bill & Melinda Gates, pelo Centro dos EUA para Controlo de Doenças (CDC), pela USAID, pelo Rotary International, pelo UNICEF e pelos Governos do Japão e Alemanha.


RD Congo e Angola vão lançar as actividades de imunização de 28 a 29 de Outubro, respectivamente, enquanto que em 10 países estão sendo lançadas campanhas sincronizadas a partir de hoje (26 de Outubro) na Côte d'Ivoire, e a partir de 28 de Outubro no Benin, Burkina Faso, Gâmbia, Guiné, Mali, Mauritânia, Senegal e Serra Leoa, e a partir de 29 de Outubro na LibériaO Chade e o Sudão vão lançar as actividades de imunização a partir d1 de Novembro, enquanto que na semana passada ( 23 de Outubro), foram vacinadas mais de 29 milhões de crianças na Nigéria, em 20 estados de alto risco no norte do país.


A Iniciative Global para Erradicação da Pólio (GPEI) é encabeçada por governos nacionais, a Organização Mundial de Saúde, a Rotary International, o Centro dos EUA para Controlo de Doenças (CDC) e o UNICEF.


Desde o lançamento do GPEI em 1988, a incidência de pólio foi reduzida em mais de 99%. Em 1988, mais de 350.000 crianças ficaram paralisadas em mais de 125 países endémicos. Apenas quatro países permanecem endémicos: Nigéria, Índia, Paquistão e Afeganistão.

UNICEF Angola

 
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