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Carta aberta de Timothy Bancroft-Hinchey à sua Excelência, Presidente George W. Bush

13.03.2003 | Fonte de informações:

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Senhor Presidente, Acho que concordará que a paz e a compreensão são valores fundamentais sobre os quais uma Humanidade civilizada se baseia e que são constantes em todas as religiões do mundo.

Senhor Presidente, Sei que os seus valores cristãos são importantes para si e que tenta, como referiu já muitas vezes, respeitar estes valores no exercício dos seus deveres públicos.

Pergunto-lhe, Senhor Presidente, se concorda com a noção de que um mundo baseado numa abordagem multi-lateral da gestão de crise, na diplomacia que respeita os princípios de igualdade e liberdade de decisão, é melhor do que um mundo dominado por um tirano que usa ameaças de força e chantagem em vez de diálogo e discussão na sua diplomacia.

Peço-lhe, Senhor Presidente, que considere, como Presidente Honorário do programa People to People International, ler o papel timbrado deste programa, onde poderá ver as palavras “Paz através da Compreensão”, no canto superior direito, à direita mesmo do seu nome e sugiro, Senhor Presidente, que pense muito cuidadosamente na lema do programa ao que preside.

Paz através da Compreensão envolve um processo de debate de princípios, de ideias acerca daquilo que está certo ou errado, de discussão e inter-câmbio de conceitos, num espírito de amizade, concorda o Senhor Presidente?

Devo referir, Senhor Presidente, que a sua administração não segue estes princípios na prática. Acha que está certo, Senhor Presidente, que as decisões tomadas no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (CSONU) deveriam basear-se no medo depois de insinuações por Washington que os programas de apoio irão terminar se o país em questão não seguir o caminho dos EUA?

Senhor Presidente, acha que é ético ameaçar países que votam contra a sua política com uma revisão do seu estado de elegibilidade para programas de apoio?

Senhor Presidente, é precisamente isso que está a passar no CSONU. Mais parece demagogia do que diplomacia, parece mais ameaças e chantagem do que debate e diálogo.

Senhor Presidente, O facto que o mundo reclama a paz enquanto a sua administração prossegue o caminho da guerra, não unilateralmente mas concorda, Senhor Presidente, que tem um muito reduzido número de países ao seu lado (e quantos destes estariam lá se as suas decisões não fossem tomadas tomando em conta preocupações e pressões não-diplomáticas?), quer dizer que a política da sua administração contraria a opinião pública mundial.

Senhor Presidente, Se escolher não utilizar o CSONU somente porque tem medo que uma resolução que permite o uso de violência não passará, e depois proceder a uma campanha militar contra o Iraque fora da autoridade da ONU, terá de responder no Tribunal Criminal Internacional na Haia pelos seus crimes de guerra.

Senhor Presidente, O facto que os EUA ainda não ratificaram o acordo para reconhecer a autoridade deste Tribunal, implicaria que o Senhor Presidente concorda que a presença do Sr. Slobodan Milosevic na Haia deve-se a um processo de rapto ilegal mas não lhe liberta, Senhor Presidente, ou qualquer membro da sua administração, nem qualquer membro de qualquer governo que decide fazer parte dum acto de guerra ilegal, de serem indiciados por crimes de guerra. O princípio básico de igualdade em direitos humanos tem de ser seguido em todos os foros da lei.

Senhor Presidente, Se os Estados Unidos da América são incapazes de gerir os procedimentos na Sede da ONU em Nova Iorque, respeitando as devidas regras de diplomacia internacional, então sugeriria muito respeitosamente que o seu país não merece ter esta organização no seu território.

Agradecendo-lhe a sua atenção, Com os meus cumprimentos,

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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