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Sócrates pouco filosófico

26.09.2004 | Fonte de informações:

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José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa é o novo líder do Partido Socialista em Portugal, tendo ganho a eleição na primeira volta de forma claríssima contra João Soares (Deputado e ex-Presidente da Câmara de Lisboa) e Manuel Alegre (Deputado e poeta).

Num processo eleitoral um pouco estranho (durou dois dias e a medida que os resultados se tornaram conhecidos eram revelados, o que podia condicionar a direcção de voto ao longo do segundo dia), o Partido Socialista deu a conhecer a sua vontade, elegendo José Sócrates com 78,6% do voto, contra 16,6% de Manuel Alegre e 3,9% para João Soares.

Assim o Partido Socialista escolha o campeão da ala direita do partido, filho duma família abastada que já esteve presente nas listas do JSD (Jovens Sociais Democratas). Cedo percebeu, porém, que não se sentia bem dentro deste partido e se juntou ao PS em 1981, com 24 anos de idade.

Nasceu em Vilar de Maçada, Trás-os-Montes no nordeste de Portugal em 6 de Setembro de 1957 mas passou a infância em Covilhã, no centro, onde entrou no PS nas listas da Federação Distrital de Castelo Branco em 1983 e quatro nãos mais tarde, entrou na Assembleia da República (o Parlamento), fazendo parte da oposição ao então Primeiro- ministro, Aníbal Cavaco Silva.

Com o regresso do PS ao poder em 1995, sob a liderança de António Guterres, Sócrates começou a sua ascensão no partido e na política, primeiro como Secretário de Estado do Ambiente, subindo para Ministro-adjunto do Primeiro-ministro e finalmente, Ministro do Ambiente.

Foi neste lugar que José Sócrates deu provas claras que é um homem de acção e que deixa trabalho feito. Lançou-se na difícil tarefa de implementar uma rede de aterros sanitários em Portugal, tendo completado o projecto dentro do prazo, mesmo que este foi limitado com a demissão de Guterres em 2002. Outros sucessos foram o lançamento do programa POLIS e seu envolvimento na organização do EURO 2004.

Com a escolha de Sócrates, o PS abre mais uma vez as portas ao Guterrismo, deixando em aberto a hipótese duma dupla António Guterres ou António Vitorino (Presidente) e Sócrates (Primeiro-ministro) no PS ou então Cavaco Silva (Presidente) e Santana Lopes (Primeiro-ministro) no PSD.

Mais uma vez, o Partido Socialista fez um exame a si próprio, demonstrando que tem grande profundidade política em material humano e a capacidade para debates internos que chegam aos alicerces do partido. Manuel Alegre e João Soares proporcionaram ao partido um exaustivo exame interno, que ofereceu alternativas desde a direita à esquerda do PS.

De filósofo, Sócrates não tem nada. Como Engenheiro Civil, é um homem prático e as suas primeiras palavras depois de conhecer o sabor da vitória falaram da importância de “fazer do PS um partido para substituir o actual Governo”.

Para isso, Sócrates tem como melhor aliado o governo do PSD/PP, que demonstra uma incompetência governativa jamais vista em Portugal ou em qualquer outro país do dito “mundo desenvolvido” (o legado de José Barroso, discutivelmente o pior Primeiro-ministro na história de Portugal). Um exemplo clássico é a incapacidade de colocar 50.000 professores no início do ano lectivo em Setembro de 2004 e a culpabilização pelo sucedido do sistema informático (que foi entregue em Dezembro de 2003).

Com os candidatos derrotados a cerrar fileiras atrás de Sócrates, o PS tem a tarefa relativamente simples pela frente de explorar os enormes buracos criados pela incompetência do PSD/PP na sua tarefa governativa.

No entanto, daqui a dois anos, o que contará no processo de eleger o Primeiro-ministro de Portugal (lembrando que Santana Lopes foi aprovado pelo Presidente mas não eleito por sufrágio universal) será qual destes dois grandes comunicadores (Santana ou Sócrates) saberá passar a sua mensagem ao povo português.

Hoje, as sondagens dão uma clara vantagem ao PS com uma intenção de voto de 46,4% contra 34,5% para o PSD. Amanhã, ou seja nos próximos dois anos, Santana Lopes terá tido o tempo suficiente para as suas qualidades deixarem ou não a sua marca na política nacional, sendo beneficiado ou não pela conjuntura económica internacional.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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