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Entrevista ao Diretor do Filme 'A Menina Índigo'

04.09.2017
 
Entrevista ao Diretor do Filme 'A Menina Índigo'. 27247.jpeg

Parabéns Wagner de Assis pela iniciativa da realização do filme A Menina Índigo, temática verdadeiramente empolgante, sempre atual e muito apropriada nos tempos em que vivemos. Como lhe surgiu esta ideia?

Wagner de Assis: Obrigado ! O tema índigo começou a atravessar minha vida de diversas maneiras diferentes ao mesmo tempo. Foi a palestra que o Divaldo Pereira Franco deu a respeito dessas novas gerações, foi um dos primeiros livros editados sobre o assunto intitulado Crianças Indigo, do Lee Caroll e da Jan Tobler, foi a amiga e autora Elizabeth Jhin que me perguntou informalmente sobre um personagem que estava desenvolvendo para uma de suas novelas que deveria ser um índigo. Daí eu parei e pensei: nossa, estamos diante de uma nova geração que deixa a todos sem saber muito bem como lidar com ela; uma geração diferente das anteriores em relação às suas características. Uma geração que tem sofrido muito também por essa falta de informação a seu respeito - e todas os problemas decorrentes disso. Ou seja, o tema ficou pulando à frente... há histórias que ficam pedindo para serem contadas. Cinco anos depois, aí está a menina índigo no cinema.

O primeiro filme Índigo de Stephen Simon, James Twyman e Neale Donald Walsch, foi exibido em 2005, não só em várias cidades dos EUA e Canadá, como também em cerca de 200 salas na Austrália, Ásia e Europa. incluindo Portugal. Quais as suas espectativas para o filme A Menina Índigo?

Acho que um filme busca seu espaço aos poucos, "conversando" com o público desde quando começa a ser informado que existe, passando pelo trailer e, claro, quando chega às telas. Se essa menina índigo viajar e atravessar as fronteiras do país, será um mérito muito bonito dela. Nosso projeto começa com a estréia nos cinemas brasileiros no dia 12 de outubro.

O projeto do filme A Menina Índigo é inspirado nesse primeiro filme Índigo ou do contacto quotidiano com as crianças de hoje?

A história é original e não tem inspiração em nada que não seja uma percepção de diversas realidades que nos cercam. Confesso que escrever uma história original tem dificuldades muito diferentes das que acontecem quando vamos adaptar um livro ou algum material previamente conhecido.

Esta nova geração de crianças apresenta capacidades questionadoras e transformadoras ao mesmo tempo, considera isso fruto da evolução da humanidade?

Há correntes que dizem que essas crianças só são assim porque é a sociedade que evoluiu e permite que sejam assim. Mas eu tendo a discordar - acho que estamos em evolução permanente e não há como negar que nossa espécie também evolua. Claro que todo processo de transformação é doloroso e envolve muito esforço. Mas sou otimista e acredito num mundo melhor sim. Há que lembrar também que só conseguimos entender com clareza os benefícios ou não de determinadas gerações olhando do futuro para o que aconteceu. Então, daqui a 40 anos veremos como esse tempo foi fundamental com a chegada desses novos seres ao Planeta.

Ao que parece a história do filme é envolvente e muito emocionante. O que lhe parece ser verdadeiramente inédito e especial neste filme para poder cativar o público?

O tema, acima de tudo, tem um pouco de ineditismo no cinema, apesar de outros filmes e livros já terem abordado as características dessa nova geração chamada de índigo. Mas, acima de tudo, a gente aposta numa boa história na tela - é por isso que as pessoas vão ao cinema e é por isso que fazemos cinema. Histórias são poderosas - nos representam, nos identificam. Essa tem o universo poético e mágico de uma menina que é uma legítima representante dessa nova geração.

 

O que se pode esperar desta nova geração de crianças índigos? Que verdadeiramente consiga mudar o mundo?

Antes que mudem o mundo, que elas sejam bem criadas, educadas e respeitadas em suas diferenças em relação às gerações anteriores. Esse é um dos perigos - a tendência a mitificar, endeusar essas crianças. E isso certamente estraga todo o projeto. Precisamos repensar as formas e modelos e entendimento sobre educação - e assim colocar em prática com elas. Depois, elas vão "dar o recado" plenamente. Mas, para isso, precisam atravessar anos duros convivendo com uma sociedade ainda muito retrógrada e atrasada.

 

Ao realizar este filme teve a intenção tão somente de realçar os dons destas crianças ou também de alertar para os malefícios que os medicamentos psicotrópicos (para certas supostas doenças DDA e Hiperatividade) podem ter no desenvolvimento cerebral de crianças em fase de crescimento?

O filme aborda sim o uso indiscriminado de medicamentos para crianças. Quando o pai fica perdido e não sabe como lidar com sua filha, leva-a aos médicos e daí todo um questionamento que é presente na vida real aparece no filme também. O fato de que remédios calmantes para crianças teve um aumento em suas vendas exponencial nos últimos anos é alarmante e precisa ser falado.

  

O filme dará enfoque a toda a temática índigo (humanistas, conceptuais, tecnológicos, artistas, interdimensionais, etc...) ou apenas salientará alguns aspetos relevantes, que estas crianças podem apresentar, através da personagem Sofia?

Não dá pra falar sobre tudo, infelizmente. O filme conta a história de uma menina que gosta de "curar" as pessoas bem a seu jeito; e também quer "colorir" o mundo, também a seu jeito. Nossa história é sobre a família, sobre as gerações tão diferentes que sentam-se atualmente ao redor de uma mesa. Daí o entendimento de todos os tipos de índigos, o público pode buscar mais informações nos lugares devidos. O cinema ilumina, entretém e faz pensar. O resto é com o público.

  

Questões como identificar talentos e necessidades das crianças de hoje, o papel da escola, como educar corretamente, serão apenas pontos de reflexão para pais e educadores, ou existe mesmo intenção de abalar com as velhas estruturas dos sistemas caducos da nossa sociedade?

Toda a intenção de dizer "chega" a esses modelos educacionais ! Toda intenção de dizer "quem educa são os pais" também! Toda a intenção de dizer qual o papel da escola. Toda intenção de dizer: o que significa educar? Toda a intenção de dizer: educar não é terceirizar. Enfim, intenções são muitas. Espero que o filme possa tocar nesses pontos com poesia e dramaturgia.

  

A espiritualidade de Sofia e capacidade de cura é espontânea e fruto da sua vivencia pelo coração, ou serão os seus pais a quererem mostrar que é diferente, especial, divinizando-a?

Esse é um dos pontos importantes da discussão do filme - e que também mostra um reflexo da sociedade.  Para o pai dela, o jornalista Ricardo, personagem do Murilo Rosa, "remédios curam as doenças".  E, para a mãe, uma empresária bem sucedida, papel de Fernanda Machado, "o que acontece com as pessoas depois que a filha brinca de curá-las não faz o menor sentido".  Se a menina tem esse dom ou não, importa pouco. O importante é como as pessoas lidam com essas possibilidades.

  

Gostaria de ter uma filha índigo? Saberia lidar com isso de forma natural e especial ao mesmo tempo, protegendo a criança a ajudando-a a crescer com harmonia e normalidade?

Boa pergunta, difícil resposta. Tenho dois filhos. Educar é das coisas mais difíceis do mundo. Uma arte e uma capacidade exigentes. Mas é assim que o mundo há de mudar. E me esforço todos os dias para ser o melhor que eu posso na educação dos meus filhos junto com a minha mulher.

 

Pensa fazer outros filmes que abordem esta temática Índigo, tão importante nos tempos que correm para despertar consciências?

Quem sabe? Se o filme for bem, a gente pode contar a história de Menina Cristal...

 

O filme A Menina Índigo será divulgado e distribuído internacionalmente ou apenas no Brasil? E em Portugal?

Por enquanto no Brasil. Mas como Nosso Lar, pode-se ir para Portugal e outros países da Europa sim. Hoje, as fronteiras estão bem diminuídas.

 

Há intenção de publicar algum livro sobre a história do filme A Menina Índigo? Teremos hipótese de o divulgar e fazer chegar ao público através da Casa Índigo?

Sim! Há um livro que escrevi sobre os bastidores, sobre todos os aprendizados e reflexões que tivemos durante o processo de realização deste projeto. Ele vai ser lançado no dia 25 de setembro em SP e no dia 28 no RJ. Vai ser publicado pela Editora Petit.

  

Gratidão Infinita Wagner de Assis pela oportunidade de aprofundarmos mais uma vez a tão querida e apaixonante temática das Crianças Índigo.

Toda minha! Parabéns pelo site/página. Adorei ver como vocês abordam o assunto...

 

Tereza Guerra

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