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Hoje, o que é bom para a China, é bom para o Brasil?

25.01.2013
 
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No presente artigo proponho-me analisar os principais indicadores da China, a partir de outubro de 1949 até os dias atuais, como também, estudar as relações exteriores entre a República Federativa do Brasil e a República Popular da China, desde agosto de 1961 até os dias de hoje.

Paulo Galvão Júnior*

  1. Considerações Iniciais

No presente artigo proponho-me analisar os principais indicadores da China, a partir de outubro de 1949 até os dias atuais, como também, estudar as relações exteriores entre a República Federativa do Brasil e a República Popular da China, desde agosto de 1961 até os dias de hoje.

Este artigo de Economia Internacional tem como finalidade: traçar um breve panorama referente à Revolução Chinesa até a Revolução Cultural, abordar o crescimento econômico chinês a partir de Deng Xiaoping, tratar da importância da China para o Brasil, discorrer sobre as relações comerciais sino-brasileiras, destacar o socialismo de mercado na China, além de apresentar o atual e futuro cenário econômico da China.

  1. Da Revolução Chinesa até a Revolução Cultural

A Revolução Chinesa abriu caminho triunfal para os comunistas, liderados por Mao Tsé-tung. Mao proclamou a República Popular da China em 1º de Outubro de 1949, em Beijing. Na época, a China era um dos países mais pobres do mundo. 63 anos depois, a China é a segunda economia do mundo.

Mao Tsé-tung governou a China por 27 anos e implantou a Reforma Agrária e a coletivização das terras. Atualmente, a distribuição da força de trabalho nos setores da economia chinesa é a seguinte: 70,9% no setor primário; 15,8% no setor secundário; e 13,3% no setor terciário.

Em 1950, a China invadiu o Tibete para libertar o país vizinho do imperialismo inglês. Nove anos depois, o seu líder político e espiritual Dalai Lama foi obrigado a exilar para o país vizinho, a Índia. Desde 1959 até os dias atuais, o Prêmio Nobel da Paz de 1989 mora na terra de Mahatma Gandhi.

Em 1953, a China adotou o princípio de planejamento econômico centralizado. No âmbito do Primeiro Plano Quinquenal (1953-1957), o governo concentrou seus esforços no rápido avanço da indústria pesada e todas as indústrias do país tornaram-se estatais.

A agricultura também sofreu grandes mudanças. O governo encorajou os agricultores a se organizar em grandes unidades coletivas para melhorar as suas condições de vida. A esperança de vida ao nascer dos chineses é de 73,0 anos. Atualmente, a composição etária da população chinesa é a seguinte: 25,8% de pessoas de 0 a 14 anos; 67,6% de 15 a 64 anos; e 6,6% com 65 anos ou mais de idade.

A indústria cresceu durante o Primeiro Plano Quinquenal, mas a agricultura decresceu. Mao foi persuadido a acabar com o Plano Quinquenal e pediu esforços heróicos para alcançar um "grande salto" na produção agrícola e industrial. Este "Grande Salto para Frente" durou de 1958 a 1961. Os chineses chegaram a sonhar em se tornar um país desenvolvido no prazo de apenas 10 anos, com uma forte industrialização. Porém, o sonho chinês mostrou-se incompatível com a dura realidade. O principal resultado foi uma terrível epidemia de fome que matou aproximadamente 45 milhões de pessoas entre 1958 a 1961.

O projeto comunista de transformar a China em uma nação desenvolvida e igualitária não obteve sucesso, consequentemente, gerou a total desorganização econômica, o afastamento de Mao do poder geral, e a suspensão da ajuda financeira da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) para a China em 1960. A ex-URSS, atual Rússia, é um dos países que mais produz petróleo e gás natural a nível mundial e a China é um dos seus principais consumidores.

Mao Tsé-tung, então, iniciou um movimento de retomada do poder geral do Partido Comunista Chinês (PCCh) e da China. Em 1966, ocorreu a Revolução Cultural, um movimento de massas na República Popular da China, por parte de estudantes e trabalhadores, contra a burocracia que tomava conta do PCCh e ao estilo soviético.

Para Mao Tsé-tung: "A política é uma guerra sem derramamento de sangue, e a guerra uma política com derramamento de sangue". A criação de grupos armados de estudantes e trabalhadores, que perseguiam intelectuais, professores, poetas e antigos membros do PCCh, acabou resultando no grande massacre de inocentes e de queima de livros. A Revolução Cultural com o seu "Livro Vermelho" foi um grande fracasso social e econômico entre 1966 e 1976. As universidades chinesas ficaram fechadas de 1966 até 1972.

  1. O Crescimento Econômico da China a partir de Deng Xiaoping

Em 1976, na época, com 800 milhões de habitantes, Deng Xiaoping assume o poder do PCCh e da China, com a morte de Mao. Entre 1949 e 1978, o PIB chinês cresceu a uma taxa média de 5,9% ao ano, devido ao isolamento da China ao mundo ocidental. A China fez muitos acordos comerciais com a URSS, Cuba e países comunistas do Leste Europeu. Com a economia fechada, a China não teve como se beneficiar de importantes atividades econômicas como o comércio exterior e o turismo.

Em 1978, Deng Xiaoping iniciou as "Quatro Modernizações": Indústria, Agricultura, Ciência e Tecnologia e Defesa Nacional. Em 1980, Xiaoping cria as Zonas Econômicas Especiais (ZEE), áreas livres para investimentos estrangeiros na China, na qual as empresas exportariam produtos para Europa e Estados Unidos da América (EUA). Deng Xiaoping ressaltou o novo pensamento da China: "Não importa se um gato é preto ou branco, contanto que ele cace os ratos", ou seja, não importa ser comunista ou capitalista, mas gerar riquezas.

O principal resultado é a alta taxa de crescimento do PIB a partir de 1978 até os dias atuais. A taxa de crescimento do PIB chinês foi de 10% ao ano no período de 1978 a 2010. Atualmente, a distribuição do PIB pelos setores da economia chinesa é a seguinte: 49% do setor secundário; 32% do setor terciário; e 19% do setor primário. O setor industrial é predominante na economia chinesa, porque a China tem uma economia aberta e com relações comerciais com países dos cinco continentes.

Deng Xiaoping iniciou também uma política externa de reaproximação com o Japão e os EUA. A primeira empresa estrangeira a operar na China comunista foi a Coca-Cola, atraída pela baixa carga tributária chinesa e pelos baixos salários da abundante e desqualificada mão de obra. Dados recentes da UNESCO apontam que os chineses com mais de 15 anos de idade passam, em média, 6,4 anos na escola.

Em junho de 1989, Xiaoping mandou reprimir com muita violência as manifestações pró-democracia na Praça da Paz Celestial, em Beijing; onde um único estudante impede o caminho de uma fileira de tanques de guerra.

Em 1997, após a morte do grande líder Deng Xiaoping, assumiu Jiang Zemin, ano em que se rompe com a ideia socialista de propriedade estatal exclusiva dos meios de produção na China. No ano de 1997, Hong Kong foi devolvida à China. Dois anos depois, em 1999, Macau foi incorporada à China.

Em 2001, a China ingressou na Organização Mundial do Comércio (OMC). Com a moeda desvalorizada, o Yuan, a China exporta os seus produtos de baixo valor para os portos e aeroportos da Terra. Zemin deixou o cargo de secretário-geral em março de 2003, e assumiu o comunista Hu Jintao, responsável pela implantação da maior hidrelétrica do mundo, a Usina de Três Gargantas.

Hu Jintao é o atual presidente da República Popular da China, que ao lado dos Chefes de Estado do Brasil e da Rússia e do Chefe de Governo da Índia, iniciou as duas primeiras reuniões do BRIC (acrônimo em inglês de Brazil, Russia, India and China), e posteriormente, as outras duas cúpulas dos BRICS (acrônimo em inglês de Brazil, Russia, India, China and South Africa), após o convite da nação africana mais rica, a África do Sul, pela China em 2011, para fazer parte do grupo dos principais países emergentes. A V Cúpula dos BRICS será em 2013 na África do Sul. China e Brasil são os mais ricos dos BRICS. A China e o Brasil fazem parte do grupo dos 19 países mais ricos do mundo mais a União Europeia, o famoso G-20. A Rússia presidirá e organizará a Cúpula do G-20 em São Petersburgo entre 5 e 6 de setembro de 2013.

Em 2004, ocorreu a primeira corrida de Fórmula 1 na China, o Grande Prêmio de Shangai, vencido pelo piloto brasileiro Rubens Barrichello da Ferrari. A construção do autódromo custou cerca de 240 milhões de dólares americanos.

Em 2005, a China tornou-se o terceiro país no mundo a mandar um astronauta em missão no espaço, primeiro foram os cosmonautas soviéticos e depois os astronautas americanos. Ressalto que quando o Sputnik soviético começou a girar em volta da Terra, a 4 de outubro de 1957, o povo chinês ainda não tinha despertado o interesse de transformar a China comunista, um país rural e subdesenvolvido, na potência econômica que é atualmente. Mas, em 1976, quando Deng Xiaoping chegou ao poder, mudou o rumo da nação.

Desde 2006, a China tornou-se o maior emissor mundial de gases de efeito estufa (GEE), sobretudo por causa do uso do carvão mineral em suas diversas termelétricas. O Brasil é o quarto maior emissor global de GEE.

Em 2008, aconteceu os Jogos Olímpicos de Beijing, um grande sucesso de público, cerca de 3 bilhões de pessoas acompanharam a linda cerimônia de abertura em 08 de agosto pela TV. O turismo chinês foi o grande campeão. De acordo com os dados de 2009 da World Travel & Tourism Council (WTTC), a China faturou US$ 449 bilhões com o turismo. Isto representou quase 10% do PIB chinês. São quase 61 milhões de trabalhadores no turismo. O principal atrativo turístico é a Grande Muralha da China, uma das sete maravilhas do mundo moderno, com mais de 21 km de extensão.

Sob os fortes holofotes dos megaeventos esportivos do planeta, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, o Brasil, atualmente, a sexta maior economia do mundo, espera melhorar significativamente sua posição no ranking do turismo internacional nos próximos quatro anos. Segundo dados de 2011 da Organização Mundial do Turismo (OMT), o Brasil atraiu 5,4 milhões de turistas estrangeiros e encontra-se no 41º lugar entre os TOP 50 dos principais destinos de turismo internacional. Com certeza temos muito que trabalhar para avançar no ranking da OMT; iniciando o trabalho duro em prol do sucesso nos 16 jogos da Copa das Confederações 2013. A China já figura entre os três principais destinos do turismo mundial. A China estar em terceiro lugar, com 58 milhões de turistas internacionais, atrás apenas da França (80 milhões de turistas) e dos EUA (62 milhões), segundo dados de 2011 da OMT.

Na I Cúpula do BRIC em 2009, em Ecaterimburgo, na Rússia, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos principais líderes mundiais no combate à pobreza global. Em 2011, a China tinha 128 milhões de habitantes na pobreza extrema.

Em 2010, a China chegou ao segundo lugar entre as três maiores economias do planeta, à frente do Japão, e atrás, apenas, dos EUA. Mas, o seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,687, de acordo com os dados de 2011 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Todavia, a China foi o país cujo IDH mais cresceu desde 1980. Em 2012, surge o novo líder do PCCh, Xi Jinping, que substituirá Hu Jintao em março de 2013.

  1. A importância da China para o Brasil

A China aumentará as relações comerciais com o Brasil, um país sul-americano que responde por 3,5% do PIB mundial e por apenas 1,4% do comércio internacional. A distante China é o maior parceiro comercial do Brasil. Para Beijing, capital da China, Dilma Rousseff fez a sua quarta viagem internacional, no objetivo de fortalecer laços comerciais e inaugurar uma nova etapa nas relações sino-brasileiras. Dilma Rousseff assinou 20 acordos de cooperação com a República Popular da China e depois participou da III Cúpula dos BRICS em Sanya, na ilha de Hainan.

Em 2011, juntos, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul representaram 30% do território mundial e 43% da população do planeta. O Produto Interno Bruto (PIB) dos cinco países emergentes foi de US$ 13,6 trilhões, ou seja, 25% do PIB mundial. Juntos, os BRICS têm US$ 4,5 trilhões em reservas internacionais. No ano de 2011, o comércio internacional entre os países dos BRICS movimentou US$ 250 bilhões.

A República Popular da China tem 1,338 bilhão de habitantes, atualmente, é o país mais populoso do mundo. A China é um país com enorme contingente populacional, 68% de seus habitantes vivem em zonas rurais e 32% vivem em zonas urbanas.

As cidades mais populosas da China são Shangai, Beijing e Tianjin. A taxa de crescimento populacional vem decaindo, devido à política que estabelece o limite de um filho por casal desde 1979. A taxa de crescimento populacional atual é de 0,9% ao ano. A China comunista tem leis rígidas de controle de natalidade. Se o casal chinês mora em zonas urbanas só pode ter um filho. Mas, se mora em zonas rurais pode ter até dois filhos, se o primogênito for menina. Caso o casal chinês não disponha de recursos financeiros para pagar a taxa da segunda filha, o aborto forçado é praticado pelas autoridades chinesas.

A China é o terceiro mais extenso país do mundo, com 9,6 milhões de km2, atrás da Rússia e do Canadá. A China faz fronteira com 14 países. Entre 1981 e 2002, 270 milhões de chineses deixaram a pobreza absoluta. A China, no leste da Ásia, tem um enorme abismo entre ricos e pobres. Hoje, surgem os novos ricos nas cidades e os pobres idosos nas aldeias rurais. Nas 22 províncias chinesas, a renda média dos 10% mais ricos é 12 vezes maior do que a dos 10% mais pobres.

Segundo o Banco Mundial, a renda per capita da China é de US$ 5.450. A China gasta 13% do PIB em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). A China é o país que mais envia jovens para universidades nos EUA e na Europa. Atualmente, cerca de 1,3 milhão de jovens estão estudando no exterior. A China necessita inserir 24 milhões de pessoas por ano no mercado de trabalho.

A China investe em educação de qualidade para ingressar no seleto grupo dos países desenvolvidos como Japão, Austrália, Canadá e Noruega. Shangai ficou em primeiro lugar no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). A taxa de alfabetização de adultos é de 93,3% na China.

A China é um dos cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), ao lado dos EUA, da Rússia, do Reino Unido e da França.

  1. As Relações Comerciais Sino-Brasileiras

Com a competição internacional no comércio de bens e serviços de consumo, o Brasil compete com a China em vários mercados do mundo. As exportações brasileiras para China totalizaram US$ 44,3 bilhões em 2011. Já as importações chinesas para o Brasil somaram US$ 32,8 bilhões no mesmo ano, ocorrendo um superávit comercial brasileiro de US$ 11,5 bilhões, de acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O comércio sino-brasileiro movimentou um total de US$ 77,1 bilhões em 2011.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Os produtos brasileiros mais comprados pelos chineses são minério de ferro e soja em grão, mas vendemos também petróleo e derivados, papel, açúcar e algodão. Por outro lado, o Brasil importa produtos chineses, principalmente máquinas e aparelhos elétricos, além de lâmpadas, aparelhos de som, eletrodomésticos, têxteis, automóveis, brinquedos e calçados. Olhe ao seu redor e observará muitos produtos Made in China.

Em 2000, os EUA e a China encontravam-se em 1º lugar e 12º lugar, respectivamente, no ranking dos principais parceiros comerciais do Brasil. Em 2001, a China subiu para a sexta posição. A partir de 2005, a China consolidou-se na terceira colocação. É preciso destacar que em 2009, a China superou os EUA tornando-se o principal parceiro comercial do Brasil.

Cito a frase de Juracy Magalhães, o então embaixador designado do Brasil em Washington durante o governo do Marechal Castello Branco, em junho de 1964: "O que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil". A aproximação cada vez maior com os EUA nos 21 anos de chumbo provocou o arrocho salarial e, sobretudo, a elevada dívida externa no Brasil. Em 1964 a dívida externa bruta que era de US$ 3,1 bilhões aumentou para US$ 91,0 bilhões em 1984.

Um fato muito positivo para o Brasil é a diminuição efetiva da influência política e, sobretudo econômica, dos EUA desde setembro de 2001. Enfatizo a entrevista na VEJA do economista americano e Prêmio Nobel de Economia de 1992, Gary Becker, "Não significa, porém, que os Estados Unidos perderão seu status de superpotência para China, Índia ou Brasil. São nações que ainda estão muito atrás dos líderes mundiais em indicadores essenciais, como renda per capita, saúde e educação". Entretanto, a influência cultural norte-americana é muito alta no Brasil, sobretudo entre os adolescentes e jovens.

  1. O Socialismo de Mercado na China

A China não é mais um país de economia planificada. A China também não é ainda um país de economia de mercado. A China defende atualmente o socialismo de mercado, no qual é utilizado como conceito para definir o seu sistema econômico em processo de transição de uma economia planificada para uma economia de mercado.

Uma prova do socialismo de mercado é a existência da Bolsa de Valores na China. A Bolsa de Valores de Shangai, ou Shanghai Stock Exchange (SSE) foi fundada em 26 de novembro de 1990. São 22 anos de compra e venda de ações ordinárias e preferenciais de empresas na Bolsa de Shangai. Atualmente, a Bolsa de Shangai é a quinta maior bolsa de valores por capitalização de mercado do mundo.

A China, no início da fase de transição de uma economia fechada para uma economia aberta utilizou uma política de baixos salários e produtos que não primavam por princípios de qualidade total. No início do século XXI verificou-se uma mudança radical nestes procedimentos; os salários estão sendo elevados e utilizar-se tecnologia de ponta dentro e fora da fábrica. O capital humano é fortemente constituído de trabalhadores qualificados, técnicos e administradores eficientes, grupos que estão formando uma classe média com padrões de consumo semelhantes aos dos países desenvolvidos, residindo em cidades modernas que vão se tornando cada vez mais populosas, a exemplo de Shangai, Beijing e outras. Intensificam-se incentivos ao empreendedorismo de micro e pequenos negócios e a formação de parcerias e alianças estratégicas entre empresas estrangeiras de diversos setores produtivos.

Outra prova do Socialismo de Mercado é a própria China, sendo um dos cinco países que defendem o socialismo inspirado na teoria marxista-leninista e com um único partido político, além de Cuba, Coreia do Norte, Vietnã e Laos. O regime comunista controla a internet, mesmo assim a empresa chinesa Tencent tem 700 milhões de usuários com acesso à internet. Recentemente, jornalistas chineses entraram em greve contra a censura do regime comunista.

O PCCh caracteriza a economia do seu país como Socialismo de Mercado. No 15º Congresso do PCCh, no final de 1997, o então secretário-geral Jiang Zemin, disse: "uma economia socialista de mercado está em construção". Hoje, a China tem 562 mil milionários e 251 bilionários. E a taxa de fecundidade total é de 1,7 filho por mulher.

O comunismo é um sistema econômico, bem como uma doutrina política e social, cujo objetivo é a criação de uma sociedade sem classes, baseada na propriedade comum dos meios de produção, com a consequente abolição da propriedade privada. Logo, o tal comunismo chinês estar muito longe deste ideal. O que existe é o Socialismo de Mercado. Divergindo do pensamento de Karl Marx no século XIX, no qual o socialismo é a transição do capitalismo para o comunismo. Para Marx o capitalismo produz miséria e deve ser substituído por um sistema no qual todos dividiriam a propriedade e a riqueza. E a sociedade sem classes emergirá com o fim do capitalismo.

Os arranha-céus e as Ferraris em Shangai são bons exemplos do tal capitalismo chinês. Em 2011, as vendas de Ferrari aumentaram em 62% na China. A economia chinesa será a "locomotiva" da economia mundial. Recentemente, a China inaugurou a linha de trem-bala mais longa do mundo, com trecho de 2.298 km, percorridos em 8 horas numa velocidade média de 300 km por hora.

  1. China, presente e futuro

Como disse o investidor George Soros, "A China comandará a Nova Ordem Mundial". Portanto, é muito importante numa economia globalizada ter conhecimentos sobre a atual segunda maior economia do mundo. Para o economista inglês Jim O'Neill do banco de investimentos Goldman Sachs, "A China será a maior economia do mundo em 2027". Segundo dados de 2011, o PIB dos EUA foi de US$ 15,0 trilhões, enquanto o PIB da China foi de US$ 7,3 trilhões. A revista inglesa The Economist prevê que a China se tornará a maior economia do planeta em 2019.

Para o Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC), Charles Tang, em entrevista na revista EXAME, "Nos últimos 30 anos, o partido tirou o país da miséria e o elevou à condição de segunda economia do mundo. Garanto que o povo chinês nunca viveu tão bem". Há mais de 200 anos o general francês Napoleão Bonaparte fez uma profecia, ao dizer: "Deixem a China dormir, porque quando ela acordar, o mundo vai estremecer". A China já acordou e os impactos econômicos são fortes na União Europeia, nos EUA e nos países emergentes como Rússia, Brasil, Índia e África do Sul. O mandarim já é ensinado em muitos países, sendo um passo a frente no competitivo e globalizado mercado de trabalho.

As duas nações mais populosas do mundo, China e Índia, abriram o seu gigante mercado para investimentos de multinacionais, tornando-se ambas em nações com forte influência internacional. Os dois países asiáticos conseguiram diminuir a pobreza, sobretudo a China, por ter sido primeira no processo de abertura da economia.

Desde o início da abertura da economia chinesa, há 34 anos, o PIB vem aumentando consideravelmente a cada ano. Hoje, a China é o maior exportador mundial de produtos. O maior produtor de papel do planeta. O maior fabricante de artigos esportivos do mundo. O maior investidor global em energias renováveis. O maior fabricante mundial de carros. O maior produtor de arroz e de milho do planeta. O maior produtor mundial de fios e tecidos de algodão. O maior produtor mundial de carvão mineral. O maior produtor de alumínio, chumbo e zinco da Terra. O maior número de telefones fixos e celulares do globo. O maior sistema ferroviário de alta velocidade do mundo. O maior financiador global de investimentos nos países emergentes. É o país que mais recebe investimentos diretos estrangeiros no mundo. E é a nação com mais reservas internacionais do planeta.

  1. Considerações Finais

Mas como manter uma economia tão competitiva, fortemente controlada pelo Estado, e ao mesmo tempo, um regime fechado politicamente e controlado pelo PCCh? A China tem o maior exército do mundo e cerca de 240 ogivas atômicas. A China é líder mundial na aplicação de penas de morte. O novo líder chinês Xi Jinping prometeu fazer uma série de reformas. Jinping no Palácio do Povo disse: "Tal como a China precisa conhecer melhor o mundo, também o mundo precisa conhecer melhor a China". Jinping já avisou que o combate à corrupção será uma prioridade da China.

Como economista especialista em RBCAI (acrônimo em português de Rússia, Brasil, China, África do Sul e Índia), os brasileiros necessitam de muitas reformas para melhorar significativamente o IDH (0,718 em 2011). São muito bem-vindas a Reforma Agrária, a Reforma Tributária, a Reforma Educacional, a Reforma Política, a Reforma Trabalhista e a Reforma Urbana.

Em agosto de 1961, o então vice-presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, João Goulart, visitou a República Popular da China, tendo encontros históricos com o líder chinês, Mao Tsé-tung, por duas vezes. Em sete de setembro de 1961, João Goulart assume a presidência no regime parlamentarista, após a renúncia do presidente Jânio Quadros, enquanto o próprio Jango iniciava as primeiras relações bilaterais com o dragão vermelho. As principais ações de Jango foram o Plano Trienal (elaborado pelo economista paraibano Celso Furtado) e a iniciativa das Reformas de Base. Mas João Goulart perdeu a presidência do Brasil com o Golpe Militar de 31 de março de 1964. Em 1967, o nome do país fora modificado para República Federativa do Brasil. Parafraseando João Goulart em seu histórico discurso na China em 1961: "Viva a amizade cada vez mais estreita entre a República Popular da China e a República Federativa do Brasil". Por dias melhores, perspectivas mais amplas, vamos acelerar a parceria estratégica e comercial entre os dois gigantes, da Ásia e da América do Sul.

Em 1974, o Brasil e a China iniciaram as primeiras relações comerciais. Naquela época, o presidente do Brasil era o general Ernesto Geisel (responsável pelo início de uma abertura política no país), o PIB brasileiro era de US$ 334 bilhões e o PIB chinês era de US$ 160 bilhões. Graças à forte exportação brasileira para a China, o Brasil conseguiu sucessivos superávits comerciais, tão necessários para pagar a dívida externa e obter reservas estrangeiras (nos atuais R$ 378,7 bilhões). Apesar dos superávits comerciais, o secular Brasil exporta basicamente commodities agrícolas e minerais para a milenar China. Enfim, precisamos aumentar as nossas exportações de produtos industrializados, a preços competitivos, para o gigantesco mercado chinês.

 

*Economista, Professor de Economia da LUMEN/UNISABER FACULDADE e autor de 100 artigos de Economia e de quatro livros digitais de Economia: i) RBCAI; ii) Reflexões Socioeconômicas; iii) Novas Reflexões Socioeconômicas; e iv) Vamos fazer juntos a Economia Verde?.

 


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