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Ciência

Doenças respiratórias: Avanço para desportistas

10.05.2011
 

Investigadores da Universidade de Coimbra ajudam atletas de grande esforço a evitar as doenças respiratórias

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra (FCDEFUC) tem vindo a trabalhar com atletas de alta competição de modalidades de grande exigência física, no sentido de confirmar cientificamente a maior propensão destes desportistas para contrair certas doenças respiratórias e desenvolver estratégias e métodos de treino que minimizem essa predisposição.

«Estas modalidades obrigam os seus praticantes a ir aos limites da resistência humana, sendo caracterizadas por um treino muito intenso e muito prolongado. Nós conseguimos demonstrar que estes factores fragilizam os atletas e contribuem para uma maior prevalência de sintomas do trato respiratório superior, como sejam tosse, corrimento nasal ou dor de garganta, denunciadores de processos infecciosos e/ou inflamatórios», refere o investigador Luis Rama, explicando ainda que o aparecimento destas doenças é particularmente prejudicial no contexto da alta competição, «porque pode colocar em causa todo um programa de treinos que tenha sido desenhado para permitir a obtenção dos melhores resultados desportivos».

Acompanhando grupos de nadadores, canoístas e remadores, os investigadores estudaram marcadores não-invasivos (IgA salivar) e invasivos (dos quais se destacam as células dendríticas e as células natural killers), confirmando que o treino pode provocar alterações que traduzem uma redução na capacidade imunitária dos atletas. No caso das células dendríticas, tratou-se mesmo do primeiro artigo mundial a constatar essa tendência.

Paralelamente à recolha e análise de dados biológicos, a equipa da FCDEFUC tem também prestado aconselhamento na abordagem ao treino aos atletas envolvidos e, no caso do remo e da canoagem, às próprias federações nacionais. «Existem comportamentos que podem ser adoptados que reduzirão a propensão para estas infecções. Alguns radicam no estilo de vida, evitando situações de exposição, como ir ao cinema, logo após uma sessão de treino. Outros, relacionam-se com a gestão de momentos de recuperação incluídos no planeamento», afirma Luis Rama.

O objectivo dos investigadores é agora recolher mais dados sobre este tipo de intervenção no treino, direccionando e aperfeiçoando esta abordagem. Até ao momento, foram já recolhidos dados junto de um pequeno grupo de triatletas, perspectivando-se a realização de um estudo mais alargado, em que serão simuladas situações de competição.

Além da intervenção em grupos especiais, como são os atletas de modalidades de longa duração, os estudos levados a cabo pela FCDEF - e que, além de Luis Rama e Ana Maria Teixeira, envolvem igualmente outros investigadores e têm contado com a colaboração do Centro de Histocompatibilidade do Centro - poderão ser também um ponto de partida para a aplicação na população em geral.

Coimbra, 10 de Maio de 11

Cristina Pinto

Universidade de Coimbra

 


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