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A imprensa em Portugal está bem

05.03.2007
 
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A imprensa em Portugal está bem

Monografia do estudante de jornalismo Helton Novais, que foca na imprensa em Portugal. PRAVDA.Ru tem o prazer de colaborar com estudantes de jornalismo, oferecendo a oportunidade de fazer aquele primeiro registo de trabalho publicado.

Helton Novais (HN): Muito obrigado por esta hipótese de publicar a minha monografia. Neste caso vai ser acerca da PRAVDA.Ru mas também acerca da imprensa em Portugal.

Timothy Bancroft-Hinchey (PRAVDA.Ru): Para nós é sempre um prazer colaborar com alguém que se lança no mundo do jornalismo. Vocês são o futuro, como refere nosso Presidente, Vadim Gorshenin.

HN: A imprensa em Portugal, de acordo com muitos, está num estado péssimo, com fracas taxas de leitura e publicações de péssima qualidade. Concorda com esta análise?

PRAVDA.Ru: Não, de facto discordo completamente. Diria mesmo que a imprensa em Portugal está bem. Está em estado quinético, está num processo de evolução constante e serve os leitores, na minha opinião, muito bem. Tem um grande espectro de publicações, oferecendo uma escolha entre jornais para todos os gostos, desde opções na imprensa de referência, com material para leitores mais eruditos, uma oferta média e outras opções para aqueles que preferem uma leitura menos profunda mas que entretém mais.

Os jornais gratúitos são fenómeno para ficar e em Lisboa são dois, mais um desportivo, Jornal dos Desportos, todos de alta qualidade. Além disso há três diários desportivos, há opções semanais e várias revistas, três de notícias generalistas e muitas de nichos.

HN: Mas em termos de qualidade, dizem que há revistas sensacionalistas que substituem os jornais...

PRAVDA.Ru: Bem, quando saio de casa para comprar um peixe espada, posso optar por uma garopa mas nunca para um hamburguer com pickles e ketchup. Por isso não concordo que o mercado das revistas mais populares venha tirar leitores dos jornais de referência porque quem compra uma revista destas não o faz por querer saber como correu a visita de Mahmoud Ahmadinejad à Arábia Saudita.

Diria mesmo que tais publicações mais “populares” criam hábitos de leitura em pessoas que de outra forma não teriam essa possibilidade, não por culpa própria, por isso quem somos nós a julgarmos o que as pessoas escolham? Quem tem o hábito de ler uma revista em casa pelo menos passa a mensagem aos filhos que sentar-se e ler é uma opção válida e quem sabe, o filho ou a filha podem escolher outro tipo de publicação, até de referência.

Por isso só posso concluir que a imprensa em Portugal está em estado maduro e tem uma grande gama de oferta em todos os sectores, mais até que em muitos outros países.

HN: E o Timothy tem experiência em todos esses sectores?

PRAVDA.Ru: Francamente, sim. Não foi por acaso que a PRAVDA.Ru me escolheu para esse lugar há sete anos. Os primeiros dois foram passados em criar contactos, para lançarmos essa versão online em português e no dia 14 de Setembro de 2002, ficamos online. Começamos com uns 13 leitores, agora picámos em 700.000 visitas únicas. Trabalho nisso desde os 16, portanto há 33 anos. Já trabalhei por jornais de referência, como staff e como freelancer, já trabalhei em semanários, em diários impressos, e em diários online.

HN: 700.000 em menos que 5 anos? Isso é um recorde mundial!!

PRAVDA.Ru: Não sei se é recorde mas eu só fico satisfeito quando tivermos na versão portuguesa um milhão de leitores por dia. Por isso recordes nem me interessem muito.

HN: E globalmente quantos leitores tem a PRAVDA nas suas quatro versões?

PRAVDA.Ru: Entre a versão russa, inglesa, portuguesa e italiana, temos agora uns 6,5 milhões, mas a cifra aumenta vertiginosamente e por isso mesmo sentimos mais responsabilidade.

HN: Acha que o jornal de Internet vai substituir o jornal de papel?

PRAVDA.Ru: Como o vídeo matou a estrela da rádio na canção dos Queen? Não. Primeiro não vamos dizer que todos os cidadãos do mundo têm acesso a um jornal online, pois muitos daqueles que hipotéticamente são utentes da Internet têm a Internet em casa mas nem sequer sabem ligar o aparelho nem entendem nada sobre o jornalismo da Internet, não sabem nada sobre segurança e por aí fora.

As pessoas que pegam num jornal em papel sabem o que querem. Querem saber como anda a sua equipa de futebol, querem ver umas fotografias e títulos grandes, querem saber se há escândalos com políticos e prostitutas, ou querem saber como anda o DAX, como vai sua cidade, a vida política na Albânia, as relações internacionais. Cada um escolha e em Portugal hoje se providencia essa oferta. Parabéns a Portugal porque há 30 anos atrás não havia satisfação para a procura.

O leitor online é tão variado como é numeroso. Pode querer apenas ver a Liga Inglesa, os resultados do Spartak Moskva, se Fortaleza finalmente vai cingir no Brasileirão, fazer pesquisa sobre os Talebã, ou confrontar El Mundo com El País. Visto que ninguém vai comprar 70 jornais todos os dias, a Internet é uma belíssima maneira de satisfazer os que querem sair um pouco do prato nacional.

HN: E como descreveria PRAVDA.Ru em português?

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