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Amazônia: Desmatamento ilegal cresce

19.11.2007
 
Amazônia: Desmatamento ilegal cresce

A Amazônia estende-se por cerca de 7,8 milhões km2 em 9 países (Brasil, Bolívia, Colômbia., Equador, Guiana, Peru, Suriname, Guiana Francesa e Venezuela), cobrindo 5% da superfície terrestre. Do total, mais de cinco milhões de km2 concentram-se no Brasil.

A Bacia Amazônica possui 25 mil km de rios navegáveis e contém cerca de 20% da água doce do planeta. Suas florestas são um dos mais importantes ecossistemas da Terra, abrigando 33% das florestas tropicais do planeta e cerca de 30% das espécies conhecidas de flora e fauna.

O desmatamento da floresta vem aumentando de forma expressiva, a um ritmo de 20 hectares por minuto, 30 mil por dia e 8 milhões por ano. Com esse processo, diversas espécies, muitas delas nem sequer identificadas pelo homem, já desapareceram da Amazônia.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão responsável pela medição do desmatamento, 16,6% deste território já teria sido destruído. Para reverter e conter essa situação, o Governo Federal está colocando em prática, desde o ano passado, uma série de medidas que levam a uma maior valorização da floresta, priorizando o uso de áreas desmatadas, ordenamento fundiário e territorial, planejamento estratégico de infra-estrutura e monitoramento e controle ambiental.

"As principais causas do desmatamento na Amazônia são o avanço da pecuária e da soja mecanizada, a criação de assentamentos em áreas inadequadas, a atuação ilegal de madeireiros e a construção de estradas sem autorização.", afirmou o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente ( MMA), João Paulo Capobianco.

Entre 60% e 80% da produção de madeira da região amazônica ocorre de forma ilegal. A produção ilegal de madeira é considerada uma das principais causas do desmatamento na Amazônia.

A indústria de madeira ilegal está ligada à invasão de terras públicas e áreas protegidas e à abertura de estradas que facilitam o desmatamento e as queimadas para a produção de grãos e gado.

A expansão de lavouras de soja representa uma nova preocupação. Impulsionadas pelas exportações, a soja vem se tornando uma grave ameaça à floresta. A cultura mecanizada da soja exige extensas áreas planas contínuas para plantios, que são obtidas através do desmatamento.

Mais além, os pacotes tecnológicos associados ao cultivo da soja incluem o uso intensivo de fertilizantes químicos, agrotóxicos e sementes transgênicas. O uso desses componentes acarreta efeitos desastrosos sobre os complexos e delicados ecossistemas amazônicos.

Para o Greenpeace, o desmatamento na região é um desafio que precisa ser enfrentado como prioridade máxima sob o risco de se perder, ano a ano, a maior floresta tropical do planeta e toda a biodiversidade que ela contém. Segundo a organização, o desenvolvimento econômico da região amazônica deve ser baseado no uso responsável dos recursos florestais.

Pela primeira vez, a questão do desmatamento na Amazônia é uma questão de todo o governo. Foi instituído um Grupo Permanente Interministerial, com 14 ministérios, para criar medidas de combate e controle ao desmatamento da região. Ibama, Exército, Polícia Federal, Polícia Federal Rodoviária e outras instituições trabalham juntas nesse controle.

Para auxiliar no trabalho, o Governo instituiu um sistema de monitoramento de toda a região da Amazônia, que permite vigilância em tempo real, detectando os desmatamentos no momento em que estão ocorrendo.

A destruição de florestas tropicais, além de reduzir a biodiversidade do planeta, causa erosão dos solos, degrada áreas de bacias hidrográficas, libera gás carbônico para a atmosfera, causa desequilíbrio social e ambiental.

Desde 1999, o Greenpeace atua em regiões da Amazônia onde a disputa pela floresta e seus recursos tornam-se, a cada dia, mais intensa e violenta. A organização criou o programa Cidade Amiga da Amazônia. O objetivo é incentivar prefeituras brasileiras a adotarem leis locais que evitem o consumo de madeira nativa de origem criminosa nas compras e licitações públicas. Mais de 30 cidades assinaram o termo de compromisso com o programa.

Rebeka HOLANDA


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