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Suecos e americanos baixam preço e voltam à briga pela venda de caças ao Brasil

07.02.2010
 
Suecos e americanos baixam preço e voltam à briga pela venda de caças ao Brasil

A briga entre suecos, americanos e franceses pela venda de aviões caças militares ao Brasil, que parecia ter sido vencida pela França, por ter baixado o preço, agora tem um novo cenário, com suecos e americanos tentando igualdade de condições através da redução de preço.

Segundo informou a Folha, as empresas sueca e americana que disputam o fornecimento dos novos caças da FAB Força Aérea Brasileira (FAB) estão reclamando o direito de oferecer novos preços para seus aviões, já que a francesa Dassault ofereceu para o seu caça Rafale.

A jornalista Eliane Catanhêde disse que suecos e americanos se surpreenderam “com a negociação direta do governo brasileiro com a francesa Dassault”, que baixou em US$ 2 bilhões a oferta de pacote de 36 caças Rafale.

O diretor da sueca Saab no Brasil, Bengt Janér, diz que está disposto a oferecer um preço mais baixo pelo caça Gripen NG, escolhido na avaliação técnica da FAB por ser mais barato, além de transferência de tecnologia. Já o representante da norte-americana Boeing, Mike Coggins, reclamou de não ter tido a mesma oportunidade de apresentar um preço melhor pelo F-18 Super Hornet.

O novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, também saiu em defesa da Boeing, que segundo ele ainda está no páreo para vender 36 aviões caças à FAB.

Em nota, o Ministério da Defesa afirma que ainda não concluiu a análise sobre os 36 aviões caças que serão adquiridos pelo governo federal. O ministério admite, porém, que vai levar em conta no momento da escolha não somente critérios técnicos, mas "informações enviadas pelos governos interessados e pelos proponentes".

Senado quer ouvir Jobim

A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou convite para o ministro Nelson Jobim explicar detalhes sobre a compra de 36 aviões caça para a FAB pelo governo federal. O senador Eduardo Azeredo quer saber os motivos que levaram o “governo a optar pelos caças franceses, e não os suecos, considerados pela área técnica da FAB como o mais viável para o país”.

"Segundo noticiado na imprensa, o relatório técnico da Força Aérea Brasileira sobre a aquisição de aviões caça concluiu pelo modelo Gripen NG, da empresa sueca Saab, a partir de critérios técnicos militares, preço e forma de financiamento. Entretanto, o mesmo noticiário informa que a opção do governo brasileiro continua a ser pela compra dos aviões caça Rafale, da empresa Dassault, da França", disse Azeredo.

Segundo o senador, a preferência do governo brasileiro pelos caças franceses "tem causado constrangimentos" frente ao relatório da área técnica da FAB. Ele também quer saber detalhes sobre o preço dos caças que "não estão sendo divulgados".

"Da mesma forma que a escolha da melhor opção seja prerrogativa do Poder Executivo, permitindo-lhe contrariar o relatório e ficar com o concorrente que ficou em terceiro lugar, é prerrogativa regimental da Comissão de Relações Exteriores o papel de acompanhar e tornar mais transparente as negociações", afirmou o senador Eduardo Azeredo, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal.

A data da audiência do Senado para ouvir o ministro Nelson de Jobim ainda não foi marcada e, além disso, ele tem a prerrogativa de ir ao Senado se não estiver disposto a prestar esclarecimentos. O ministro disse, entretanto, que a compra dos caças ainda não está definida. “O processo ainda está no âmbito do Ministério da Defesa. A notícia não tem fundamento", disse.

Mas, segundo a Folha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Nelson Jobim já bateram o martelo a favor do francês Rafale. A decisão foi tomada depois que a fabricante, Dassault, reduziu de US$ 8,2 bilhões (R$ 15,1 bilhões) para US$ 6,2 bilhões (R$ 11,4 bilhões) o preço final do pacote de 36 aviões para a Força Aérea Brasileira.

Mesmo com a redução, os caças franceses têm preço muito superior ao dos concorrentes. A proposta do modelo sueco Gripen NG foi de US$ 4,5 bilhões, e a do americano F-18 Super Hornet de US$ 5,7 bilhões.

O líder do PSDB na Câmara, deputado João Almeida, disse que a opção do governo brasileiro pelo Rafale é um "absurdo" e o melhor caminho para absorção de tecnologia é o avião sueco, um projeto em desenvolvimento. “Para mim, estratégico é o futuro, tecnologia. Não consigo imaginar parceria estratégica que o presidente Lula diz estar cumprindo com a França a custo tão caro ao erário brasileiro", afirmou o deputado.

Para o senador Romeu Tuma, o governo tem que priorizar aspectos técnicos na sua decisão sobre os caças. "O papel mais importante é da Aeronáutica, que fez o seu relatório. Temos que aliar técnica, preço e a possibilidade do Brasil poder fabricar os aviões. A decisão política é difícil. Poder haver simpatia, mas os critérios técnicos têm que ser analisados", afirmou o senador.

ANTONIO CARLOS LACERDA

PRAVDA Ru BRASIL

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