Em plena e aberta campanha os principais candidatos à presidência da República. Ainda não temos debates, só ensaios.
Tendo adotado o regime presidencialista no plebiscito anterior à Constituição de 1988, continuamos nas incertezas políticas que este sistema adota, quando enfeixa poder demais nas mãos do chefe do Executivo. Mais uma vez, o país encontra-se diante de campanha não confiável, já que não é apresentado um programa de metas pelos candidatos, mas apenas promessas eleitorais.
Cada postulante ao cargo máximo da República fala o que bem quiser; não há compromisso. A disputa cai mais quando são comparados governos anteriores, passados. Levantam-se ódios e rancores, não vitórias e fracassos dos governantes.
Em especial, nesta disputa, estão sendo colocadas em evidência as bolsas distribuídas pelo governo federal, principalmente o bolsa-família, que o Partido dos Trabalhadores entende como uma vitória particular. Não é. Este auxílio ao trabalhador começou no governo Fernando Henrique, e a ideia vinha de governos anteriores.
Hoje, nitidamente, é um auxílio eleitoreiro. Cada interessado diz-se adepto do programa. O erro é nítido. Não se compreende, que nos tempos atuais, o trabalhador sem emprego fique desamparado. Ele não sabe por quanto tempo assim permanecerá, enquanto não ganha centavo.
Ora, este problema é de toda uma sociedade, nunca de uma parte que quer se beneficiar com a situação de quem passa pela dificuldade.
O fato é que, na democracia atual, este erro não seja definitivamente afastado. Quem perdeu, sem motivo justo, o seu trabalho deve estar garantido por lei a receber durante o tempo de desemprego, quantia que possa ter a dignidade de manter a sua família. Os critérios para que este direito seja mantido fogem à alçada do articulista. Dependem de estudo e decisão de órgão próprio. Mas, é sempre conveniente que se diga, não é uma benesse, é um direito que deve ser votado pelo Congresso, com regras definidas.
O auxílio-desemprego deve ser direito garantido por lei.
Se assim não for, continuará sendo uma máquina de angariar votos, um erro, uma incerteza e um defeito dos atuais regimes democráticos.
Jorge Cortás Sader Filho é escritor
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