Comidas russas que fazem sucesso mundo afora

Comidas russas que fazem sucesso mundo afora

A gastronomia de um país não é apenas um atrativo turístico, mas também uma contadora de histórias. É uma linguagem usada para explicar a nação, cultura, memórias, experiências, viagens. A culinária é a identidade de um povo, que atinge o imaginário pelos sentidos de olfato, tato, paladar e visão. Algumas tradições da culinária do "Novo Leste" traçaram um novo caminho para fora da região e hoje são tendências em menus pelo mundo todo.

Quem nunca ouviu falar no famoso prato que combina bife, nata (ou creme de leite, no Brasil) e farinha numa deliciosa refeição? Originalmente chamada de строганов (Strogonoff), a tradicional receita russa foi criada nos anos 1900, e começou a ter admiradores de outros países depois da queda do Império Russo em 1920. Hoje em dia, é consumida no mundo inteiro e nas mais diferentes ocasiões, com a variedade de temperos que cada cultura adotou.

A comida destaca as diferenças, semelhanças, crenças e a classe social à qual alguém pertence, por carregar marcas de uma cultura. Em países como os Estados Unidos e a Austrália, o estrogonofe (nosso nome "abrasileirado") é geralmente cozinhado com bacon, enquanto na Suécia, o bife pode ser substituído por salsichas, e no Brasil, por frango ou camarões. Por ter se tornado bastante popular, alguns países adaptaram receitas de panquecas ou batatas recheadas com estrogonofe. No Brasil, por exemplo, se tornou até sabor de pizza em alguns restaurantes mais audaciosos.

Na cultura gastronômica, a comida não é apenas comida; e a forma de comer define não apenas o que alguém come, mas também a pessoa que se alimentar, ou seja, revela sua origem, hábitos e costumes. Assim, não raros os "debates" sobre onde o prato foi criado. Uma das bebidas alcoólicas mais consumidas no mundo, por exemplo, ainda tem a origem indefinida. Quando se fala em "Vodka", poloneses e russos brigam pelo título de criadores.

Uma das mais puras bebidas destiladas, a produção da Vodka data do século 14. Atualmente, é produzida em diversos países pelo mundo, como a Rússia, Polônia, Estados Unidos, França, Brasil, entre outros. A bebida pode ser feita tanto de grãos como de batata e é frequentemente aromatizada com uma variedade de ingredientes, que vão desde pimentas e rabanetes a frutas e berries. Enquanto na maior parte do mundo, a vodka é comumente misturada com frutas, açúcar ou água com gás, na Rússia é comum consumir a bebida pura, sem qualquer mistura.

Há quem diga que a conhecida salada de batatas, tão usada como um acompanhamento em quase todo o mundo, teve origem na salada russa, também conhecida como "Olivier Salad". Uma salada de batatas com maionese, ovos e cenouras cozidos, carne e ervilhas. Na Rússia, esse prato é um dos principais do bufê de Ano Novo. Variações da Salada Olivier também são populares nos Bálcãs, na Península Ibérica, assim como em alguns países asiáticos e nas Américas. Quem nunca fez uma salada de batatas para acompanha o churrasquinho do final de semana?

Para muitos, Borsch (em russo: Борщ) é mais do que um simples prato; a famosa sopa russa é, na verdade, um prato predominante na Europa Oriental e tem seu mérito particularmente na Ucrânia. O prato consiste principalmente em beterrabas, que é a alma dessa sopa. Além disso, também vão cenouras, batatas, repolho e caldo de carne. Pode ser consumida quente ou fria, dependendo do clima e dos costumes da região, e é tradicionalmente servida com nata ou molho de trigo sarraceno.

Nos séculos 19 e 20, a popularidade da sopa Borsch se espalhou além das suas raízes eslavas, principalmente devido a fatores de expansão territorial do Império Russo, o crescimento da influência política e cultural do país e as ondas de emigração. Em seguida, foi levada para a Europa Ocidental e para a América, principalmente pelos imigrantes judeus que fugiram da perseguição nessas regiões.

Por último, mas não menos importante, há ainda as famosas panquecas finas, conhecidas como Blini (блин). Esse prato tipicamente russo é preparado a partir de uma massa - feita de trigo, trigo sarraceno, ou outros grãos - frita em uma frigideira quente. Na Rússia, fazem parte de uma celebração tardia do inverno, a "Maslenitsa", na última semana de fevereiro, mas as Blinis também são populares em outros países da região. Essa tradição foi adotada pela Igreja Ortodoxa e ainda acontece nos dias de hoje, como a última semana de consumo de ovos e derivados do leite antes da Quaresma.

São geralmente servidas com uma variedade de pratos, incluindo caviar e salmão, mas também podem ir com chantilly, geleias e outros doces, cogumelos ou frutas vermelhas. Tão famosas que a rede russa Teremok, especialista em todos os tipos de Blinis, recentemente abriu uma filial em Nova York.

O ato de comer transforma identidades culturais e fornece informações sobre a organização e estrutura da sociedade. O estudo de ingredientes usados refere-se à história, às invasões sofridas por aquele povo, colonização, cultura que foi introduzida, o clima, o solo, entre outros inúmeros fatores.

Priscilla Castro

 


Author`s name
Timothy Bancroft-Hinchey