O escultor Muhammad Abu Amro, de 22 anos, é uma das vítimas da carnificina

O escultor Muhammad Abu Amro, de 22 anos, é uma das vítimas da carnificina

Por Lúcia Rodrigues, no Ibraspal

Ao menos 15 palestinos foram mortos nos ataques israelenses à Marcha pelo Direito de Retorno, nesta sexta-feira, 30, segundo o Ministério da Saúde da Palestina. Mas esse número pode subir porque há mais de 1.400 feridos, muitos deles em estado grave. O órgão estatal declarou emergência e solicita que as pessoas se dirijam aos hospitais para doarem sangue e evitar que mais palestinos engrossem a lista de óbitos.

O escultor Muhammad Abu Amro, de 22 anos, (na foto, ao lado de seu último trabalho) é um dos mortos na carnificina promovida por Israel contra manifestantes pacíficos que participavam da Marcha pelo Direito de Retorno nesta sexta-feira, 30. A data marca as comemorações do  Dia da Terra na Palestina.

Em 1976, na mesma data,  seis palestinos foram mortos pelas forças de segurança israelense quando protestavam contra um plano expansionista que previa a tomada de outras áreas da Palestina. 

Nesta sexta, Amro deixou nas areias da praia seu último trabalho com a hashtag voltarei. Acima da mensagem podem ser vistas duas bandeiras da Palestina. A repressão sionista não permitiu que Amro voltasse, mas os palestinos estão dispostos a prosseguir a luta por esse direito previsto, inclusive, na Resolução 194 da ONU, a Organização das Nações Unidas, que em seu décimo primeiro artigo assegura o direito de retorno aos refugiados.

A Marcha pelo Direito de Retorno, massacrada por Israel, denunciava ao mundo o descumprimento sucessivo das resoluções da ONU. E mostrava que os sionistas expulsaram 800 mil palestinos de suas terras e residências, em 1948, para assentar em seu lugar colonos israelenses. E que Israel impede até hoje que os palestinos, que tiveram suas terras e casas tomadas pelos sionistas, possam retornar ao país nem ao menos para visitá-lo. Denunciava ainda que seus descendentes também são proibidos de entrar na Palestina. 

A Marcha pelo Direito de Retorno expôs ao mundo que há 70 anos os palestinos são sistematicamente assassinados e expulsos de suas terras pelos israelenses. Mostrou que na Guerra dos Seis Dias, em 1967, outro episódio condenado pela ONU, Israel se apossou de novos territórios da Cisjordânia, como o setor oriental de Jerusalém, que agora Donald Trump quer transformar em capital dos israelenses.

Mas a resposta enfática das lideranças palestinas demonstra que a feroz repressão imposta por Israel nesta sexta-feira não será capaz de silenciar o povo. "O terrorismo de Israel não nos intimidará", enteciparam os organizadores da Marcha pelo Direito de Retorno.

Com informações de Palestinian Information Center e Middle East Monitor

 


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Timothy Bancroft-Hinchey