Por quê Daniel Ortega é tão popular na Nicarágua?

Nicarágua está entre os primeiros lugares do crescimento na América Central, e um dos mais igualitária em termos de gênero como parte do recente êxito do governo de Ortega.
 
27 de outubro de 2016
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Sete partidos se enfrentarão em 6 de novembro com vistas à presidência da Nicarágua; no entanto, todas as pesquisas mostram que apenas a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) do atual presidente, Daniel Ortega, tem chances de ganhar.


Ortega tem uma aprovação de 64 por cento e 52 por cento das intenções de voto, divulgou a empresa CID Gallup em pesquisa de 14 a 20 outubro. Por que o candidato FSLN tem tanta popularidade entre os cidadãos da Nicarágua?


Diálogo entre trabalhadores, empregadores e governos, aumento do investimento e das reservas internacionais são alguns dos fatores que ajudaram a manter uma economia positiva na Nicarágua.
Em 2011, o crescimento atingiu um recorde de 6,2 por cento, desacelerando para 3,9 por cento em 2015, menor taxa nos últimos cinco anos.


Para 2016, a previsão é de 4,4 por cento, o que coloca a Nicarágua no topo do crescimento entre os países da América Central. O investimento direto estrangeiro e o comércio também apontam perspectivas favoráveis, de acordo com avaliações do Banco Mundial em setembro.


"A economia está crescendo, o que se traduz em maiores receitas e, portanto, em uma maior possibilidade para o Estado", afirmou em 12 de outubro o assessor para os Assuntos Econômicos e Financeiros da Presidência, Bayardo Arce.


Arce fez suas declarações antes que o Orçamento Geral da República da Nicarágua 2017 fosse enviado ao Legislativo. Trata-se de um orçamento com aumento de 9 por cento em relação a 2016.
Em março, o Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmou o rumo positivo da Revolução Sandinista, quando fechou seu escritório (http://www.telesurtv.net/news/FMI-se-retira-de-Nicaragua-porque-su-economia-es-estable-20160331-0096.html) em Manágua devido ao "sucesso da Nicarágua e a manutenção de uma macroeconômico estável e crescente".
 
Mais igualdade de gênero


O mais recente informe do Fórum Econômico Mundial sobre gênero, concluiu que a Nicarágua está entre os 10 países com maior igualdade entre homens e mulheres.


Embora o relatório revele retrocesso na matéria, o país da América Central aparece junto de nações escandinavas como Islândia, Finlândia e Noruega, que tendem a aparecer nas listas mais destacadas.
"Queremos reiterar o compromisso do governo sandinista da Nicarágua de continuar mudando, promovendo a igualdade e a dignidade das mulheres. Promovendo que trabalhemos, as mulheres, em todas as posições de decisão política, econômica, social, de protagonismo verdadeiro", disse em 10 de outubro a embaixadora-delegada da Nicarágua na UNESCO, Ruth Tapia Roa.


Mais turistas


Em 2016 apresentou-se um crescimento do turismo de 5 por cento sobre o ano anterior, o equivalente a 1 milhão 56 mil e 477 turistas.


Da mesma forma, a chegada de cruzeiro passou de 32 para 38 em relação a 2015 como resultado de políticas governamentais de Ortega, que autorizou mais de 40 projetos neste sentido.
No início deste mês, o ministro das Finanças, Ivan Acosta, destacou os vários desenvolvimentos nos últimos anos, como a segurança jurídica que permitiu ao país atrair mais investimento.
"O centro da qualidade neste sentido, é o diálogo, o consenso como um dos nossos princípios de governo. O setor privado com as câmaras de construção, energia, procurando ter a melhor lei possível", disse Acosta.


O ministro referiu-se ao Orçamento Geral da República 2017 que contempla reduzir custos, facilitar o comércio, assegurar rotas terrestres, postos de fronteira, portos e aeroportos.
A cobertura dos serviços públicos e as conquistas sociais foram apontadas como marca do governo sandinista.


Eleições gerais


Três entre 10 nicaraguenses acreditam que as eleições "vão mudar as coisas no país" a partir do próximo dia 6 de novembro.


Um total de 3,4 milhões de nicaraguenses votarão a fim de eleger o chefe de Estado, com também o vice-presidente e 90 deputados nacionais.
Como vice de Ortega apresenta-se Rosario Murillo, coordenadora do Conselho de Comunicação e Cidadania do Governo.


Tradução de Edu Montesanti


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Timothy Bancroft-Hinchey