Pobreza extrema no Brasil

Em meio as notícias tristes desse ano, em que tantos inocentes foram dizimados, (universidade do Quênia, Mariana/MG, Paris), algo em termos de perspectiva socioeconômica pode ser comemorada, ainda que de forma tímida.

Segundo recente divulgação do Banco Mundial (BM), com base em dados de 2013, 4.9% da população brasileira (9,5 milhões de pessoas) vive em situação de pobreza extrema (pela nova metodologia empregada pelo Banco, a linha de pobreza estabelecida agora é de quem ganha até US$ 1,90, ou cerca de R$ 7,32 por dia).

 

Marcus Eduardo de Oliveira

Esse é simplesmente o menor percentual desde 2001, sendo a taxa de declínio brasileira a mais rápida nos índices de pobreza entre os países da América Latina.

"De 1990 a 2009, cerca de 60% dos brasileiros passaram a um nível de renda maior. Ao todo, 25 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema ou moderada. Isso representa uma em cada duas pessoas que saíram da pobreza na América Latina e no Caribe durante o período", afirma o documento do BM.

São três os motivos que explicam a redução da pobreza extrema no Brasil. Primeiro, pelo crescimento econômico a partir de 2001, facilitado pelo boom das commodities. Segundo, pelas políticas públicas com foco na erradicação da pobreza, com destaque especial para o Bolsa Família e o Brasil sem Miséria.

O terceiro motivo está relacionado a evolução do salário mínimo que consolidou - ainda que timidamente - o poder de compra do trabalhador brasileiro, bem como o próprio mercado de trabalho nacional, tendo em vista que no período analisado, 2001 até 2013, aumentaram as taxas de emprego e o percentual de empregos formais (60% apenas em 2012).

Toda essa queda nos índices de pobreza extrema, no entanto, se torna um constante desafio que deve continuar a ser enfrentado, face ao encolhimento (previsão de 3%) da economia brasileira para esse ano.

Esse desafio não é, ademais, apenas dos brasileiros. Juntos, Brasil e México respondem por metade da população latino-americana extremamente pobre. Somente o México possui 46,2% da população total (55,3 milhões de pessoas) em situação de pobreza.

Especificamente no caso do Brasil, o documento do BM reafirma que "1/3 da população não conseguiu ingressar na classe média, ficando em uma condição de vulnerabilidade econômica, sem ter a formação e a empregabilidade necessárias para sair dessa condição".

Também chama a atenção o fato de 60% dos brasileiros pobres viverem em cidades, o que reflete o alto nível de urbanização do país (84,8%).

 

Pobreza Global

Existe outro dado a ser comemorado. Pela primeira vez a humanidade poderá ter um contingente de menos de 10% da população global vivendo em situação de pobreza extrema.

Ao encerrar-se o corrente ano, há uma perspectiva, em termos globais, de que a pobreza extrema seja reduzida em 3,2%, caindo de 902 milhões de pessoas (12,8% da população mundial - dados de 2012) para 702 milhões (9,6%).

Na América Latina, o número de pessoas nessa situação tende a cair de 37,1 milhões (6,2% da população da região) em 2012 para 29,7 milhões (5,6%) até o fim deste ano.

O dado mais triste, contudo, segundo o Banco Mundial, fica por conta da África Subsaariana que, apesar de ligeira queda, ainda permanecerá por mais um tempo com 40% dos pobres do mundo.

  

Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor de economia da FAC-FITO e do UNIFIEO, em São Paulo.

 

 


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Timothy Bancroft-Hinchey