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Grandes empreendimentos provocam boom de desmatamento na Volta Grande do Xingu

Grandes empreendimentos provocam boom de desmatamento na Volta Grande do Xingu

Grandes empreendimentos provocam boom de desmatamento na Volta Grande do Xingu

Isabel Harari

Terra Indígena Paquiçamba e o município de Senador José Porfírio, localizados na zona de influência da hidrelétrica Belo Monte e do projeto de mineração Belo Sun, atingem pico de desmatamento em novembro

Uma das regiões mais sociobiodiversas do mundo, no sudoeste do Pará, corre risco de desaparecer. A Volta Grande do Xingu, uma curva de rio de 100 quilômetros que banha Terras Indígenas e é a morada de centenas de famílias ribeirinhas, sofre graves impactos por conta da instalação da Usina Hidrelétrica (UHE) Belo Monte e da tentativa de licenciamento do projeto de mineração Belo Sun. O aumento do desmatamento, fruto do aquecimento do mercado de terras, preocupa indígenas, ribeirinhos e parceiros.

Apenas em novembro, 4.454 hectares de floresta foram destruídos na Terra Indígena (TI) Paquiçamba e no município de Senador José Porfírio, localizados na zona de influência de Belo Monte e Belo Sun. "A especulação imobiliária provocada por essas grandes obras e pelo momento político atual explica a intensificação da destruição da floresta. Em uma região já altamente impactada, é urgente que ações para coibir as atividades ilegais sejam executadas", comenta Juan Doblas, especialista em geoprocessamento do ISA.

Os dados foram detectados pelo Sirad X, o sistema de monitoramento de desmatamento desenvolvido pelo ISA. Acesse aqui o boletim nº10

Disputa por terra e água

Ao longo do ano os Juruna (Yudjá) denunciaram o aumento das invasões e desmatamento em seu território, a TI Paquiçamba. Localizada a 20 quilômetros a jusante da principal barragem de Belo Monte e a menos de 10 km do projeto de mineração Belo Sun, a TI enfrenta o aumento dessas atividades ilegais desde o início da construção da usina, em 2011.

A intensificação do desmatamento agrava uma situação limite: Os Juruna já sofrem com a diminuição radical do volume de água da Volta Grande do Xingu, que foi desviada para a operação de Belo Monte. Após quatro anos de monitoramento, eles comprovaram que a quantidade de água é insuficiente para manter a vida na região e exigem que a medida que regula o fluxo do rio, chamada de "Hidrograma de Consenso", seja revista [Saiba mais].

Em 2013 foi aberta uma estrada que conecta as quatro aldeias da TI com a cidade de Altamira, como medida de compensação pela perda de navegabilidade do rio. A construção da estrada explica o aquecimento do mercado de terras e a entrada de invasores na TI. Ainda que o plano de proteção territorial indígena seja uma condicionante ambiental da UHE Belo Monte, ainda não foi integralmente implementado. [Saiba mais]

A situação é agravada pela ausência de demarcação física e regularização fundiária da TI, que depois de ampliada em 2012 ainda possui 27 famílias em lotes para serem indenizadas e removidas. O processo de desintrusão, no entanto, não avançou e nem a demarcação física da TI foi finalizada, como também estava previsto de forma prioritária nas condicionantes de Belo Monte.
Para Doblas, o aumento do desmatamento decorre de ausência de proteção territorial e descumprimento das condicionantes de Belo Monte, "tanto pelo poder público, que deveria ter assegurado a plena regularização fundiária da área, quanto da empresa concessionária, que deveria assegurar a implementação de Unidade Proteção Territorial na margem do rio".

Projeto de mineradora coloca floresta no chão

O município de Senador José Porfírio, Pará, sofre o impacto tanto da hidrelétrica de Belo Monte quanto do projeto Belo Sun, uma grande mina de ouro a céu aberto que está com o processo de licenciamento paralisado. A empresa canadense promete ser a maior mineradora de ouro a céu aberto do Brasil, em 12 anos, a estimativa é que serão extraídas 60 toneladas de ouro. Os planos de expansão da mineradora têm aquecido o mercado de terras local. Doblas explica que a possibilidade de uma indenização vultosa no momento de implantação do projeto tem levado muitos atores locais a ocupar e desmatar grandes áreas de floresta na região. A estratégia de ocupação inclui o uso indevido do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para legitimar posses recentes e reivindicar indenizações.

"A expectativa sobre o avanço do processo de licenciamento do projeto Belo Sun, junto com a mudança do cenário político, que tende a facilitar a concentração fundiária e a regularização de terras ocupadas ilegalmente, podem agravar o processo de ocupação e desmatamento do município", pondera.

As invasões da Terra Indígena Ituna Itatá, que incide sobre o município, contribuem para o aumento dos índices de desmatamento do município. De 3 hectares detectados em maio, o número pulou para 1.257 hectares em novembro, totalizando mais de 5 mil hectares destruídos em 2018. A TI localiza-se a menos de 70 quilômetros do sítio Pimental, principal canteiro de obras de Belo Monte, e a destruição das florestas vem aumentando exponencialmente desde 2011, início da construção da usina.

https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-xingu/grandes-empreendimentos-provocam-boom-de-desmatamento-na-volta-grande-do-xingu

 


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Pravda.Ru Jornal