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Crônicas Russas

12.04.2008
 
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totalmente maluco e desorganizado e finalmente, uma jovem Russa que, encontrei no trem de Milão, para Munique, relatou-me, que a policia de transito na Rússia, tem um péssimo costume de aplicar as multas onde elas não deveriam existir, especialmente quando o carro em questão tem uma placa estrangeira! Mas, isso não me assustou em nada, já que a policia de muitos outros paises tem estranhamente, o mesmo costume!

O aeroporto de S. Petersburgo, Pulkovo, apareceu depois de 2.30 horas de vôo, que foi super tranqüilo e com “um céu de brigadeiro”. Aterrissamos depois de meia noite, com uma claridade quase diurna, o que não era surpresa, estávamos em período das famosas “noites brancas”.

Durante o vôo bati papo com um senhor italiano que, vivia “na ponte aérea”, entre Veneza e S. Petersburgo, e que trabalhava como projetista dos interiores das residências. Esse senhor contou-me, que trabalhava para muitos ricos russos, que gastam rios de dinheiro com embelezamento de suas casas e que a vida na Rússia é muito cara porque a maioria dos russos é rica. Bem, como nunca acredito no que me dizem, fiquei muito ansioso para constatar pessoalmente, como realmente vão as coisas na Rússia.

Nosso desembarque foi muito eficiente e rápido. Controle de passaportes muito meticuloso, mas sem nenhum exagero. Bagagens apareceram logo e não houve nenhum controle alfandegário. Não sei se assim é sempre ou se as autoridades russas confiaram no controle dos alemães, já que em Munique o controle foi minucioso, especialmente o da bagagem de mão.

Os “nossos russos” esperaram com grande ansiedade a chegada do avião. Depois de nos vermos, nos cumprimentamos calorosamente, e logo a seguir, colocamos as malas no carro deles. Fiquei um pouco apreensivo, quando verifiquei que o dito carro era o mesmo de três anos atrás, uma Lada de quarta ou quinta juventude, que a primeira e a segunda vista não parecia muito confiável. A minha apreensão tinha base porque depois de uns 50 quilômetros de viagem, furou o pneu. Sorte, que o chofer era daqueles russos, que “faz tudo” e não perde a calma e não se assusta com nenhuma dificuldade, e em 5 minutos seguimos novamente a caminho de Novgorod.

Da viagem não me lembro muitos detalhes, estava em estado de choque, não só por causa do avião, mas também porque ainda não acreditava que estava viajando na Rússia, em direção do desconhecido.

De tempo em tempo a “nossa russa”, Nina, falava: aqui, foi a linha de frente durante o bloqueio de Leningrado, aqui, o bloqueio foi quebrado, aqui, teve lugar uma batalha muito sangrenta, aqui, está o memorial em honra dos soldados que pereceram durante as lutas pela cidade. Isso tudo parecia tão irreal, porque uma coisa é ler sobre historia do bloqueio e outra é passar pessoalmente pelos lugares onde os fatos aconteceram. Para aumentar esse sentimento de irrealidade, de repente de trás dos bosques, logo acima da linha do horizonte, surgiu, uma imensa, vermelho - púrpura, LUA, (escrevi com letras maiúsculas porque a lua realmente era gigantesca) e para piorar, a claridade estava aumentando, porque do outro lado do horizonte estava nascendo, o não menos gigantesco sol, e tudo isso às duas da madrugada! Não é de surpreender, que dizem, que a Rússia é um país mágico!

Em Novgorod, entramos depois das quatro da manhã, quando já estava claro. Antes de chegarmos à casa dos amigos, ainda fizemos um rápido giro pela cidade e fiquei encantado com as belíssimas igrejas ortodoxas, que na calma da madrugada, pareciam misteriosas, mas também acolhedoras, com suas torres arredondadas e coloridas, que davam a impressão, que foram tiradas das histórias de fadas.

Apesar do cansaço, demorei muito para adormecer, porque estava muito ansioso para conhecer profundamente essa linda cidade, com sua historia feita de glórias e de tragédias, que foi a primeira capital da Rússia e a mais antiga cidade do Rús (como era chamado o país nos tempos primordiais), apesar de que sobre isso não existe unanimidade entre historiadores, porque Kiev também almeja essa honra.

Fotos: Novgorod

Renata Kuszak-Rocha

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