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Voz do ‘estado profundo’ admite sabotagem contra políticas de Trump

15.11.2020
 
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Voz do 'estado profundo' admite sabotagem contra políticas de Trump
13/11/2020, Moon of Alabama


Katie Bo Williams @KatieBoWill - 11:46 UTC · Nov 13, 2020
Em momento extraordinariamente franco, em entrevista logo depois de deixar a Síria, Jim Jeffrey [enviado especial dos EUA] admitiu para mim que, no que tivesse a ver com nível de soldados na Síria, "Nós sempre usamos truques de 'dizer-não-dizendo', para nunca informar corretamente à liderança quantos soldados tínhamos lá."


Jeffrey sempre foi homem do 'estado profundo' e tentou sabotar políticas de Trump.

Como Williams escreve:


Quatro anos depois de assinar a carta hoje infame "Trump nunca", na qual condenava o então candidato à presidência, Donald Trump, como um perigo para os EUA, o diplomata aposentado Jim Jeffrey volta à cena, para recomendar que o próximo governo Biden mantenha a política exterior de Trump no Oriente Médio.

Mas ao mesmo tempo em que elogia o apoio do presidente ao que descreve como abordagem de "realpolitik" bem-sucedida na região, reconhece que sua equipe, rotineiramente, manteve os líderes políticos sempre mal informados sobre o nível de soldados na Síria.

"Nós sempre usamos truques de 'dizer-não-dizendo', para nunca informar corretamente à liderança quantos soldados tínhamos lá" - disse Jeffrey numa entrevista. O número real de soldados no nordeste da Síria é "muito superior" às duas centenas que Trump aceitou deixar lá em 2019.

...

"Que retirada da Síria? Jamais houve retirada da Síria" - disse Jeffrey. "Quando a situação no nordeste da Síria estava razoavelmente estável, depois de derrotarmos o ISIS, [Trump] duas vezes esteve inclinado a sair. Em cada caso, decidimos apresentar cinco argumentos melhores, de por que precisávamos ficar. E conseguimos nas duas vezes. Essa é a história."

...

Oficialmente, ano passado Trump concordou em manter cerca de 200 soldados dos EUA no nordeste da Síria, para 'dar segurança' aos campos de petróleo explorados pelos aliados curdos dos EUA, na luta contra o ISIS. Aceita-se, de modo geral, que esse número seja hoje maior - fontes anônimas falam de cerca de 900 soldados norte-americanos lá, hoje -, mas o número preciso é informação sigilosa e, parece, o sigilo atinge também membros do governo Trump interessados em pôr fim às chamadas "guerras intermináveis".


Não é novidade que o Pentágono, o Departamento de Estado e os vários serviços secretos mentiam e continuam a mentir para Trump. Interessante é que um dos homens 'deles' admita hoje abertamente que era assim. 

Trump sabe disso, e recentemente cuidou de pôr gente sua  no Pentágono. Pôde talvez extrair as conclusões certas sobre os fatos não só no caso da Síria, mas também sobre o Afeganistão.


O movimento de decapitação do Pentágono, pelo presidente Donald Trump, essa semana, está gerando temores de que os EUA acelerem a retirada das tropas do Afeganistão, pondo os líderes recém-instalados em rota de colisão com os principais generais e outros que pedem retirada mais cuidadosamente deliberada.

Funcionários atuais e ex-funcionários do governo dizem que Trump demitiu o Secretário da Defesa Mark Esper na 2ª-feira, em parte por causa da oposição de Esper a acelerar a retirada de tropas em todo o mundo, especialmente no Afeganistão. O 'levante' foi acelerado na 3ª-feira, com a renúncia de três civis de alto escalão, e a nomeação de legalistas que devem seguir a agenda de Trump; e continuou na 4ª-feira, quando o coronel de Exército aposentado Douglas Macgregor, conhecido crítico da guerra no Afeganistão, foi nomeado alto conselheiro do novo Secretário da Defesa Chris Miller.

Qualquer movimento para acelerar a retirada de tropas levará a confronto com os mais altos generais dos EUA e outros civis, que abertamente se opõem a sair 'depressa demais' do Afeganistão, com a situação lá ainda volátil. Também complicará os movimentos do presidente-eleito Joe Biden, de deixar pequeno grupo de soldados naquele país, como proteção contra ataques terroristas.

"Retirada precipitada e o que parece ser retirada total, do Afeganistão, de forças dos EUA - não pela via de 'abordagem sob condições' recomendada por nossa liderança militar, política e da inteligência, mas para cumprir uma velha promessa de campanha do presidente Trump, levada a cabo agora por legalistas trumpistas suprapartidários instalados no último minuto, depois de expurgo no Departamento de Defesa - é imprudente e não dará maior segurança aos EUA" - disse Marc Polymeropoulos, agente sênior aposentado da CIA.

A ocupação norte-americana do Afeganistão começou dia 7/10/2001. 19 anos e uma guerra obviamente perdida depois, a retirada de lá, de soldados norte-americanos, seria ainda "precipitada"?

Macgregor e o secretário da Defesa Miller devem redigir ordem direta, a ser encaminhada ao general comandante do Comando Central dos EUA, pela qual ordenem a retirada de todos os soldados norte-americanos que ainda estejam na Síria, no Afeganistão e no Iraque, no prazo máximo de 30 dias. Trump deve assinar essa ordem. Caso o Comando Central das Forças Armadas desobedeça a ordem do comandante-em-chefe, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA deve ser substituído e levado a corte marcial.

Assim deve funcionar a cadeia de comando. Seria lindo vê-la, pelo menos uma vez, funcionando como deve funcionar.****

 

 


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