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Como a Lava Jato e o Itamarati destruíram as pretensões brasileiras na África

26.11.2020
 
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Como a Lava Jato e o Itamarati destruíram as pretensões brasileiras na África

Foto: por Luis Nassif/Jornal GGN

Alguns dos projetos foram mantidos pelo setor privado, mas o estímulo governamental cessou. E a Lava Jato destroçou as empreiteiras brasileiras, abrindo amplo espaço para o avanço das empreiteiras chinesas. E o grande diferencial brasileiro - a figura pública de Lula - criminalizado pela Lava Jato.

 

Reconhece-se um país subdesenvolvido pela quantidade de oportunidades que ele deixa passar ao longo da história. São incontáveis as janelas de oportunidades que o Brasil perdeu ao longo de sua história.

A última foi ao longo das três últimas décadas. Com o avanço da telemática e da logística, houve uma reestruturação das cadeias produtivas no mundo. O Brasil seria a bola da vez, ao lado da China. Perdeu-se com uma política cambial ruinosa, inaugurada pelo plano Real e mantida pelos governos seguintes.

A oportunidade seguinte veio com a crise de 2008. Foram mantidos os preços elevados de commodities, a demanda firme da China. E dois setores brasileiros se projetaram, o agronegócio e as empreiteiras.

O país conseguiu estender sua influência diplomática pela América Latina. Com o etanol e a pecuária explodindo, as áreas de expansão seriam a América Central e, especialmente, a África.

As empreiteiras brasileiras avançaram sobre a África, contando com a enorme simpatia angariada pelo país, graças ao futebol e ao sucesso internacional de Lula. Ao mesmo tempo, o agronegócio brasileiro poderia ser a grande perna de entrada na África, que possui as maiores extensões de terras não aproveitadas para a agricultura.

Chegaram a ser ensaiados programas de colonização, a convite do governo de Angola, pelo qual fazendeiros brasileiros ajudariam a desenvolver a agricultura tropical, tendo como parâmetro as pesquisas da Embrapa (Empresa Brasileira de Planejamento Agrícola). Mais ofereciam-se também bolsas de estudos para estrangeiros, cooperação técnica e contribuições para organizações internacionais.

De seu lado, com a visão estratégica de Celso Amorim, o Itamaraty aumentou as representações na África e reforçou a Agência Brasileira de Cooperação, que passou a oferecer aos países africanos um pacote que continha a Embrapa. Essa aproximação com a África estimulou entidades privadas, atuando através da Cooperação Sul-Sul (CSS) e da Cooperação Técnica entre Países em Desenvolvimento (CTPD).

Tinha-se, então, um modelo de atuação diplomática enluarada no conceito do soft power brasileiro. Segundo seus formuladores, a atuação internacional do Brasil deveria ter como valor central a autonomia e o desenvolvimento econômico. Tinha-se a convicção de que conhecimentos elaborados em países em desenvolvimento seriam mais adaptáveis aos países em desenvolvimento assistidos.

Puxando a fila, havia as empreiteiras brasileiras com forte penetração na África portuguesa, que traziam atrás de si os demais setores econômicos brasileiros com interesse no continente.

Lava Jato e governo Temer iniciaram a demolição do projeto diplomático, das poucas vezes em que o Brasil tentou exercer seu protagonismo diplomático.

Alguns dos projetos foram mantidos pelo setor privado, mas o estímulo governamental cessou. E a Lava Jato destroçou as empreiteiras brasileiras, abrindo amplo espaço para o avanço das empreiteiras chinesas. E o grande diferencial brasileiro - a figura pública de Lula - criminalizado pela Lava Jato.

Hoje em dia, no comércio exterior brasileiro a África é irrelevante.

 

 

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