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Concepção espírita dos sonhos

24.09.2008
 
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O despertamento do sono indica que o Espírito, acompanhado de seu envoltório, o períspírito, este de natureza semimaterial sutil ou quintessenciada, retornou ao casulo carnal, trazendo as memórias de suas experiências pelo mundo espiritual, as quais, entretanto, em virtude do contacto do perispírito com as células, são abafadas pelo corpo denso, cujos átomos vibram com maior lentidão.

Por causa disso, muitas vezes não lembramos dos sonhos ou apenas nos recordamos de partes deles, que nada mais são do que trechos de lembranças de nossas experiências pelo mundo invisível, fazendo com que se apresentem estranhos, sem muito nexo, como se estivéssemos lendo uma página em que algumas palavras, linhas ou mesmo frases inteiras estivessem apagadas, truncando ou impedindo a compreensão integral da mensagem.

Tal fenômeno ocorre porque a apreensão dos fatos, nos sonhos, é feita diretamente pelo pensamento, não passando pelos órgãos dos sentidos. Pondere-se, ainda, que a linguagem do pensamento é universal, enquanto a linguagem das palavras articuladas é revestida de símbolos que nem sempre traduzem, com exatidão, a essência das experiências vivenciadas pelo Espírito, que não encontram analogia no estreito vocabulário humano. Isso, de certo modo, explica por que duas pessoas estrangeiras, mesmo não conhecendo o idioma um do outro, podem se comunicar pela via telepática.

Ao penetrar o mundo espiritual, pelas portas do sono, o encarnado entra em relação mais próxima com outros Espíritos, encarnados ou desencarnados, onde influencia e é influenciado, para o bem ou para o mal, conforme suas afinidades e tendências. Muitas decisões que tomamos e idéias que temos, durante o dia, são hauridas desses relacionamentos extracorpóreos.

Por isso, os Benfeitores Espirituais recomendam que sempre oremos antes de dormir10, para que nos constatemos com Espíritos que estejam em condições morais superiores à nossa, ocasião em que podemos receber ajuda, além de sermos úteis, promovendo boas obras e inclusive auxiliando Espíritos necessitados, se for o caso. Como alerta Carlos Torres Pastorino, em seu opúsculo Minutos de Sabedoria11, não devemos nos impressionar com os sonhos. Isto poderia levar-nos a extravagâncias ridículas.

Vivamos acordados no bem que os nossos sonhos serão belos e bons. Se alguma característica de verdade nos for revelada em sonho, aceitemo-la com simplicidade, mas não nos deixemos levar por interpretações supersticiosas. Procuremos sempre o lado bom das coisas.

Concluindo, os sonhos encontram explicações nas leis que governam as relações entre o mundo físico e o mundo espiritual, decorrentes da existência do Espírito, do perispírito e dos fluidos espirituais, a chave que faltava para a melhor compreensão desses fenômenos.

Notas:

1. Sobre o sono e os sonhos, consulte o que os Espíritos superiores disseram a Kardec, no cap. VIII da parte 2ª de O Livro dos Espíritos, sob os títulos “Da Emancipação da Alma” (q. 400 a 412) e “Visitas Espíritas Entre Pessoas Vivas” (q. 413 a 418).

2. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 72ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1992. Cap. VIII, “Da Emancipação da Alma”, p. 222 (questão n. 402).

3. A catalepsia e a letargia são uma espécie de sono físico de ordem patológica e caracterizam-se pela perda temporária da sensibilidade e do movimento do corpo físico, que assume, temporariamente, a aparência da morte biológica. É um fenômeno bastante comum, embora pouco pesquisado. Muitas vezes, o corpo da pessoa é sepultado sem que tenha ainda realmente ocorrido a morte. Alguns desses fenômenos estão descritos no Novo Testamento (Lucas, 7:11-17 [o filho da viúva de Naim] e Mateus, 9:23-26 [a filha de Jairo]), sendo o caso mais conhecido o da ressurreição de Lázaro (João, 11:1-46).

4. O sonambulismo “é um estado de independência do Espírito, mais completo do que no sonho, estado em que maior amplitude adquirem suas faculdades. A alma tem então percepções de que não dispõe no sonho, que é um estado de sonambulismo imperfeito” (q. 425 de O Livro dos Espíritos).

5. Sobre o laço fluídico, consulte O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, cap. VII, item 118, e o cap. XXV, item 284.

6. Eclesiastes, 12:6.

7. Método desenvolvido para tratar de distúrbios psíquicos a partir da investigação do inconsciente.

8. Obra citada. 24a ed. Rio de Janeiro: FEB, 1991. Cap. 38, “Atividade Plena”, p. 202.

9. Sobre a interpretação dos sonhos, na ótica espírita, consulte também O Livro dos Médiuns, cap. VI, “Das Manifestações Visuais”, item 101: “Ensaios Teóricos Sobre as Aparições”; e A Gênese, cap. XIV, “Fatos Tidos como Sobrenaturais”, item 28: “Vista Espiritual ou psíquica. Dupla Vista. Sonambulismo. Sonhos”.

10. A respeito da importância da oração antes do sono, consulte o item 38 do cap. XXVIII, de O Evangelho Segundo o Espiritismo: “Coletânea de Preces Espíritas. Preces por aquele mesmo que ora. A hora de dormir”.

11. Obra citada. 39a ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2000, p. 33.

Artigo publicado no Boletim GEAE /Ano 16 – 2008/ Nº 536

http://www.guiasaojose.com.br/novo/coluna/index_novo.asp?id=1620

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