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Organizações de ‘direitos humanos’ pagas pelos EUA para gerar manchetes anti-China

01.01.2021
 
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Organizações de 'direitos humanos' pagas pelos EUA para gerar manchetes anti-China  

28/12/2020, Moon Of Alabama


Durante minhas leituras 'em xis' de veículos da mídia comercial diária, volta e meia acontece de encontrar notícias que parecem ter ralo interesse público, mas são incansavelmente repetidas. São matérias sempre suspeitamente semelhantes umas às outras e todas parecem igualmente saídas do 'Poderoso Wurlitzer'*:


Em 1967, a revista Ramparts publicou matéria em que revelava que a Agência Central de Inteligência (ing. CIA) financiava secretamente e administrava uma ampla gama de grupos de cidadãos militantes com vistas a conter a influência comunista em todo o mundo.
...

Frank Wisner, funcionário da CIA, dizia que a operação era seu "
Poderoso Wurlitzer" [Poderoso (órgão) Wurlitzer], no qual podia tocar qualquer cântico de propaganda.


O cântico do 'Poderoso Wurlitzer' é hoje entoado, em coro, por todos os ditos "grandes veículos" da mídia comercial privada (no Brasil, também pelos veículos da mídia dita pública):

  • Zhang Zhan: China prende jornalista de direitos humanos (ing. "citizen journalist") por notícias sobre Wuhan- (ing.)BBC
  • Jornalista chinês de direitos humanos condenado a 4 anos por notícias sobre Covid-(ing.)NYT
  • China condena jornalista de direitos humanos a 4 anos de prisão por notícias sobre olockdownem Wuhan- (ing.)Washington Post
  • China encarcera por 4 anos jornalista de direitos humanos, por notícias sobre o vírus Wuhan-(ing.)Reuters
  • Jornalista chinês de direitos humanosZhang Zhan condenada por notícias iniciais sobre o COVID em Wuhan-(ing.)CBSNEWS
  • COVID-19: Zhang Zhan jornalista chinesa de direitos humanos condenada a 4 anos de prisão por notícias sobre Wuhan(ing.)-SKY


Na versão da BBC:


Jornalista chinesa de direitos humanos, que cobriu o surto de coronavírus em Wuhan foi condenada a quatro anos de prisão.

Zhang Zhan foi declarada culpada por "inventar controvérsias e provocar confusão", acusação frequente contra ativistas.

A ex-advogada de 37 anos foi detida em maio, e esteve em greve de fome por vários meses. Seus advogados dizem que seu estado de saúde é precário.

A sra. Zhang é uma de vários jornalistas de direitos humanos que tiveram problemas por distribuir informações sobre Wuhan.

...

Em entrevista por vídeo a um cinegrafista independente antes de ser presa, a sra. Zhang disse que decidira viajar a Wuhan em fevereiro, depois de ler um postado online de um residente, sobre a vida na cidade durante o surto.

Lá chegada, passou a documentar o que via nas ruas e hospitais, em transmissões ao vivo e em postados, apesar de ameaçada pelas autoridades, e suas matérias foram muito partilhadas nas mídias sociais.

O grupo de militantes "Rede de Chineses Defensores dos Direitos Humanos  [ing. Network of Chinese Human Rights Defenders] disse que as matérias de Zhang também traziam notícias sobre a detenção de outros jornalistas independentes e agressões a famílias de vítimas que buscavam provas das agressões e transparência.

"Talvez eu tenha alma rebelde... Só estava documentando a verdade. Por que não posso mostrar a verdade?" - disse Zhang num clip da entrevista que a BBC obteve. - "Nada me deterá, porque esse país não pode andar para trás."


A "Rede de Chineses Defensores dos Direitos Humanos" parece ser a fonte de tudo que aí se lê, ou quase tudo. Quem é essa gente? No campo "About" ["Quem são"] do website do Grupo não há qualquer informação sobre quem comanda a organização, nem quem a financia.

Há dois anos, matéria de Grayzone examinou com mais profundidade a organização:


Reuters e outros veículos ocidentais tentaram preencher as lacunas deixadas por McDougall, referentes a matérias distribuídas pela Rede de Chineses Defensores dos Direitos Humanos, autodeclarado "grupo ativista".

Convenientemente omitida das matérias publicadas é que a sede da organização está em Washington, DC e é financiada pelo braço "mudança de regime" do governo dos EUA.

Essa 
Rede de Chineses Defensores dos Direitos Humanos trabalha em tempo integral contra o governo da China, e há anos faz campanha a favor de figuras da oposição de extrema direita.

...

A Rede de Chineses Defensores dos Direitos Humanos tem-se servido do dinheiro abundante para distribuí-lo  a ativistas de oposição dentro da China, financiando dúzias e mais dúzias de projetos em todo o país.

Nos formulários para os órgãos de arrecadação de impostos, a Rede de Chineses Defensores dos Direitos Humanos dá, como endereço, a sede, em Washington, DC, do Observatório de Direitos Humanos [ing. Human Rights Watch]. O Observatório de Direitos Humanos tem sido criticado repetidas vezes, por manter uma ativa porta-giratória com o governo dos EUA e pela atenção desproporcional que dedica a notórios inimigos de Washington, como China, Venezuela, Síria e Rússia.[1]

Human Rights Watch não respondeu a e-mail do redatores de The Grayzone, interessados em conhecer seu relacionamento com a Rede de Chineses Defensores dos Direitos Humanos.


Claro que o líder permanente de Human Rights Watch, remunerado com salário altíssimo, é parte do 'Poderoso Wurlitzer':


Kenneth Roth @KenRoth - 8:22 UTC · Dec 28, 2020
Pequim ter escolhido o período sonolento entre Natal e Ano Novo sugere que até os chineses estão envergonhados com a condenação da jornalista Zhang Zhan a quatro anos de prisão por ter divulgado a versão não aprovada do surto de coronavírus em Wuhan. https://nytimes.com/2020/12/25/wor...


A Rede de Chineses Defensores dos Direitos Humanos mantida pelo governo dos EUA lista Zhang Zhan em sua página de 'Defensores de Direitos Humanos'. A biografia de Zhang traz detalhes interessantes:


ex-advogada, Zhang Zhan, nascida nos anos 80s, há muito tempo é voz ativa sobre a situação dos direitos humanos na China. Tem sido repetidamente perseguida e ameaçada pelas autoridades. Em 2019, noticiou os protestos em Hong Kong postando comentários, ensaios escritos e cartazes de apoio aos manifestantes. Em setembro de 2019, foi convocada pela polícia de Xangai e depois acusada criminalmente e presa, acusada de "inventar controvérsias e provocar confusão" para divulgar o apoio que dava a Hong Kong. Foi libertada dia 26/11/2019.

...

Zhang Zhan trabalhou em Wuhan, epicentro do surto de COVID-19, no início de fevereiro. Distribuiu numerosas matérias incluindo detenções de outros jornalistas independentes e agressões a famílias de vítimas que investigavam as agressões, no epicentro, pelas contas de Zhang em Wechat, Twitter e YouTube.

A procuradoria em Pudong indiciou Zhang Zhan em 15 de setembro e transferiu seu caso para a Nova Corte Distrital em Pudong. A acusação incluía a viagem de Zhang Zhan a Wuhan dia 3/2/2020 e a distribuição de "grande quantidade de informação falsa" por WeChat, Twitter e YouTube e "concedeu entrevistas a veículos do exterior (Radio Free Asia e Epoch Times) e agitou, com más intenções, a situação epidêmica em Wuhan."


(Nota: Procurei e não encontrei qualquer pista de por que Zhang Zhan é declarada "ex-advogada" [ing. 'former lawyer']. Teve o diploma cassado? Foi expulsa da Ordem? Por quê?)

ChinaAid, lobby Evangélico anti-China que também é financiado e recebeu prêmios do National Endowment for Democracy do governo dos EUA, identifica Zhang Zhan como "advogada cristã". É informação interessante, porque as autoridades chinesas estão preocupadas com o patrocínio que os EUA garantem a grupos evangélicos subterrâneos que desafiam a ordem para se registrarem como organizações sociais.


ChinaChange, outro veículo de propaganda de autoproclamados 'direitos humanos' em Washington DC, também promove o trabalho de Zhang Zhan:


Zhang Zhan (张展), advogada que trabalhou em Xangai, viajou a Wuhan no início de fevereiro, determinado a documentar o surto de coronavírus na cidade que era o epicentro do que logo seria uma pandemia mundial. Nos três meses durante os quais permaneceu na cidade, produziu 122 postados em YouTube. Não por coincidência, seu primeiro postado foi "My Claim for the Right of Free Speech["porque exijo o direito à livre manifestação"]. Zhang Zhan foi presa em maio, enviada de volta a Xangai, indiciada em setembro, acusada de "inventar controvérsias e provocar confusão", acusação 'padrão' que engloba tudo, e serve à China para suprimir dissidentes. Será julgada na 2ª-feira, dia 28 de dezembro, em Xangai.


Wuhan, onde se verificou o primeiro grande surto de Covid-19, foi posta sob lockdown dia 23 de janeiro. Por que, afinal, uma 'ex-advogada' e 'jornalista de direitos humanos' viajaria para lá, apesar da recomendação oficial de não entrar nem sair da cidade?

Vídeo publicado no final de maio em Epoch Times, jornal norte-americano militantemente de direita, associado ao culto Falun Gong anti-China, dá uma pista:


Dissidente protesta contra 'tratamento animalesco' a cidadãos chineses

Zhang Zhan, dissidente feminina que vive em Xangai põe-se ela mesma em risco ao viajar para Wuhan, depois de a cidade ser fechada. O plano era investigar e divulgar a situação local, como jornalista especializada em direitos humanos. Está indignada por o governo, em nome de controlar a epidemia, privar os residentes de Wuhan até dos mais básicos direitos e de liberdade.


No vídeo, Zhang Zhan está numa barreira leve em área de pouco trânsito que impede o acesso a um quarteirão residencial bloqueado. Ela fala com indignação, em voz chorosa a guardas de luvas brancas e transeuntes. Epoch Times traduziu o diálogo:


Mulher:
Permita-me perguntar:
O senhor acha que o governo pode tratar os cidadãos como animais?
Trancá-los, quando o regime quer,
Mandá-los trabalhar quando quiserem que trabalhem.
Vocês não os estão tratando como tratam gado e cavalos?
Quando os animais têm de pastar, vocês os soltam,
E os recolhem quando acabam de comer.
Isso está certo?
E se não obedecem, apanham com chicote.
É assim que tem de ser?
Há justificativa para tratar civis desse modo?

Homem: O que você está fazendo?

Mulher: Quero manifestar meu protesto contra o governo, protesto persistente.


Pouco depois que o homem perguntou a Zhang Zhan o que estava fazendo, ela derrubou a barreira que impedia o trânsito.

Discurso de ódio contra medidas anti-pandemia e anti-quarentena obrigatória -- ao mesmo tempo em que distribuía vídeos para veículos anti-China --, e derrubar barreiras legais, seria, presumivelmente, "jornalismo cidadão de defesa dos direitos humanos".

Wuhan derrotou rapidamente a pandemia. Mas umas poucas novas infecções no início de maio novamente fizeram soar o alarme. A Radio Free Asia financiada pelo governo dos EUA noticiou o diz-que-disse:


Wuhan fecha conjuntos residenciais e força testagem obrigatória em toda a cidade

Wuhan, onde o vírus que causa COVID-19 emergiu, também está implementando testagem obrigatória em toda a população, com testes gratuitos de ácido nucleico para os 11 milhões de habitantes.

A jornalista especializada em direitos humanos Zhang Zhan, com base em Wuhan, disse que seis novos casos foram confirmados no conjunto residencial Sanmin, na cidade, onde vivem cerca de 5 mil pessoas.

"Fui até lá para saber mais sobre a situação, mas o local foi posto sob quarentena," - Zhang disse à rádio Free Asia na 5ª-feira, acrescentando que noticiários locais falam de seis novos casos confirmados, com 180 pessoas que tiveram contato com os doentes, postos sob isolamento.

"Há polícia nas ruas cercando o local, e carros não podem passar" - disse Zhang. "Perguntei a um morador próximo quantas pessoas foram levadas em ambulâncias, e ouvi que 180 pessoas foram mandadas para o isolamento."

Moradores de Sanmin que estavam fora quando o lockdown foi imposto estão agora impedidos de voltar.

O lockdown também foi imposto no conjunto residencial de Sanyanqiao, também em Wuhan, disse Zhang.

"As barreiras voltaram a ser erguidas e o local está sob lockdown," disse Zhang. "Há também informes online anunciando que não se permite a entrada de entregadores em alguns conjuntos residenciais."

Há evidências de que a epidemia está ressurgindo em Wuhan."


Não há ressurgimento algum de epidemia alguma em Wuhan. Apenas uns poucos casos, a maioria dos quais assintomáticos, foram descobertos nos testes de toda a população.

Pouco depois de sua 'reportagem' para a Radio Free Asia, a conhecida agitadora Zhang Zhan foi presa. Dado que não é a primeira vez que se mete nesse tipo de confusão, não recebeu qualquer clemência.

Claro que a China controlou as notícias sobre a pandemia de Covid-19: impediu todo o noticiário falso. É precisamente, segundo a Organização Mundial da Saúde, o que todos os governos devem fazer. Recente "Convocação para a Ação" da OMS explica por quê:


"Infodemia" é definida como um tsunami de informação - algumas acuradas, outras não - que se alastra com as epidemias. Se não é adequadamente conduzida, a infodemia pode ter impactos negativos diretos sobre a saúde das populações, e a resposta da saúde pública pode acabar por boicotar a confiança na ciência e nas intervenções. Estamos vendo também que a infodemia cria obstáculos à coesão social, aprofundando as desigualdade sociais, os estigmas, a disparidade de gênero e o fosso entre as gerações.
...

 Como já se delineia na Resolução sobre a COVID-19 adotada por consenso na 73ª Assembleia da OMS e pela Declaração de Riad do G20, temos de assegurar que as populações recebam informação confiável e abrangente sobre a COVID-19 e tomar as medidas necessárias para conter a informação errônea e a desinformação.

Para responder a essa infodemia é preciso garantir apoio, desenvolvimento e aplicação de soluções eficientes que equipem os indivíduos e as respectivas comunidades com o conhecimento e as ferramentas de que necessitam para promover (de baixo para cima) a informação acurada sobre saúde; e para mitigar (de cima para baixo) o dano que a informação errônea e a desinformação causam às sociedades .


Zhang Zhan fez o possível para engordar a infodemia com boatos e indignação falsas e imprestáveis. O governo chinês tomou medidas adequadas contra aquela 'alma rebelde'. E também tomou as medidas acertadas para derrotar a pandemia.

Mas a congregação da igreja das organizações de 'direitos humanos' da CIA em Washington contra a China  não concorda com tais medidas. Pior: ela tem ciúmes do sucesso da China.


Assim sendo... o 'Poderoso Wurlitzer' entrou novamente em ação. E o 'jornalismo' 'ocidental' dança outra vez caninamente conforme aquela música.*******

 


* Rudolph Wurlitzer Company, normalmente referida simplesmente como "Wurlitzer", foi uma empresa norte-americana, ativa entre 1856 e 1985, que produzia instrumentos musicais de cordas, de sopro de madeira, órgãos de teatro, órgãos de banda, orchestrions, órgãos eletrônicos e os famosos pianos elétricos Wurlitzer) usados em teatros e cinemas no início do século, além de realejos e jukeboxes. O uso metafórico na expressão "Poderoso Wurlitzer" aparece explicado adiante, no texto [NTs].

[1] O mesmo Observatório de Direitos Humanos trabalha em íntima associação com o governo de São Paulo; e é frequentemente citado como fonte de informação confiável sobre Síria, por exemplo, em praticamente todos os veículos da mídia-imprensa comercial e 'pública' no Brasil [NT]. 

Foto: https://en.wikipedia.org/wiki/File:Yinxu.jpg