Pravda.ru

Sociedade » Cultura

Um guia seguro da Literatura Portuguesa

30.03.2009
 
Pages: 123

Na parte dedicada ao Surrealismo, além de rechear as biografias e analisar algumas obras de António Pedro (1909-1966), António Maria Lisboa (1928) e Alexandre O´Neill (1928-1986), o historiador literário acrescentou maiores referências a um nome que havia passado quase despercebido em edições anteriores, Natália Correa (1923-1993), e destacou outros menos renomados, como Henrique Rasques Pereira (1930), Artur do Cruzeiro Seixas (1921), António José Forte (1931-1988), Fernando Alves dos Santos (1928-1992) e Isabel Meyrelles (1929),

IV

Dividida sob os títulos Tendências Contemporâneas I (1950-1970) e II (Geração de 70), a parte final de A Literatura Portuguesa foi, obviamente, a que mais cresceu, em razão de atualizações à que o autor se entregou com viagens seguidas a Portugal e a colaboração ultramarina de amigos fiéis como o embaixador Adriano de Carvalho, o escritor Luís Amaro e o diretor cultural da Editorial Caminho, de Lisboa, Zeferino Coelho.

Em Tendências Contemporâneas I, o autor acrescentou minibiografias dos poetas Rui Cinatti (1915-1986), José Blanc Portugal (1914-2000), Tomaz Kim (1915-1967) e António Ramos Rosa (1924), precedendo a outros que estrearam na década de 50, como Raul de Carvalho (1920-1984), Sebastião da Gama (1924-1952), Albano Martins (1930), Fernando Guimarães (1928), Fernando Echevarria (1929), Alberto de Lacerda (1928-2007), Luís Amaro (1923), José Terra (1928) e Hélder Macedo (1935), além de breves referências a alguns nomes, entre os quais se destaca o de José Augusto Seabra (1937-2004), que, por certo, há de merecer maior espaço numa próxima edição.

Entre os que estrearam na década de 60, destacam-se os nomes de Luiza Neto Jorge (1939-1989), Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007), Gastão Cruz (1941), Maria Teresa Horta (1937) e Casimiro de Brito (1938), incluídos no grupo Poesia 61, surgido em Faro e que teve em Gastão Cruz o seu doutrinador.

Depois de Poesia 61, vem a poesia experimental que também ganhou maior (e merecido) espaço nesta 35ª edição, com destaque para figuras como E.M. de Melo e Castro (1932), Ana Hatherly (1929) e Salette Tavares (1922-1994). Simultaneamente às correntes de vanguarda, Moisés não deixou de assinalar a presença nos anos 60 de uma nova onda neorrealista, reunindo nomes bem conhecidos como Fernando de Assis Pacheco (1937-1995), José Carlos de Vasconcelos (1940) e Manuel Alegre (1936).

Dentro do que denomina outras vertentes poéticas, o autor, além de manter destaque para José Gomes Pereira (1900-1985), Jorge de Sena (1919-1978), Sofia de Melo Breyner Andersen (1919-2004), Eugênio de Andrade (1923-2005) e Herberto Hélder (1930), incluiu David Mourão-Ferreira (1927-1996), Antônio Manuel Couto Viana (1923), Pedro Tamen (1934), Antônio Gedeão, pseudônimo de Rômulo de Carvalho (1906-1997), Rui Belo (1933-1978) e João Rui de Sousa (1928), embora outros nomes também merecessem referência.

Por fim, em Tendências Contemporâneas II, que abrange a geração de 70, o acréscimo de novos nomes foi substancioso, de 26 páginas, o que indica que as três últimas décadas do século XX permitiram o surgimento de uma plêiade de poetas inspirados, provavelmente em função dos ares de liberdade política trazidos pela revolução de abril de 1974, que pôs fim a um regime fascista que durava desde os anos 20.

Entre os muitos nomes de poetas lembrados, destacam-se os de Joaquim Manuel Magalhães (1945), João Miguel Fernandes Jorge (1943), Antônio Osório (1933), Armando Silva Carvalho (1938), Vasco Graça Moura (1942), José Agostinho Barata (1948), Antônio Franco Alexandre (1944), Manuel Antônio Pina (1943), Helder Moura Pereira (1949), Luiz Miguel Nava (1957-1995), Al Berto (1948-1997), Ana Luísa Amaral (1956), Luís Filipe Castro Mendes (1950), José Jorge Letria (1951) e, entre os mais jovens, Paulo Teixeira (1962), Francisco José Viegas (1962) e Pedro Mexia (1972).

Entre esses, um nome que, sem dúvida, destaca-se é o de Vasco Graça Moura, poeta não só erudito como estudioso das formas da poesia – e não apenas intuitivo como tantos – que transita com facilidade pelas formas fixas de longa duração, como a sextina e o soneto, tradicional e à inglesa, como pratica as artes da intertextualidade, dialogando com poetas canonizados como Camões (c.1524-1580), Dante (1265-1321), Shakespeare (1564-1616) e, por que não?, Jorge Luís Borges (1899-1986), além de ser romancista de primeira qualidade e autor de ensaios e peças de teatro.

V

A última seção da parte dedicada a Tendências Contemporâneas II está reservada à prosa com a atualização das referências de nomes já consagrados, como Luís Forjaz Trigueiros (1915-2001), Domingos Monteiro (1903-1980), João de Araújo Correia (1899-1985), Joaquim Paço d´Arcos (1908-1979), Urbano Tavares Rodrigues (1923), José Cardoso Pires (1925-1999), Augusto Abelaira (1926-2003), Rubem A. (1920-1975), Almeida Faria (1943), Álvaro Guerra (1936-2002) e Nuno Bragança (1929-1985), aos quais foram acrescidos Antônio Rebordão Navarro (1933), João de Melo (1949), Antônio Alçada Baptista (1927), Mário de Carvalho (1944), Paulo Castilho (1944) e Gonçalo M.Tavares (1970).

De Augusto Abelaira, é de lembrar que seu trabalho também tem sido resgatado nos últimos tempos por estudiosos universitários portugueses e brasileiros, como prova a coletânea de 15 ensaios que leva o seu nome, organizada por Paulo Alexandre Pereira e lançada em dezembro de 2008 pela Universidade de Aveiro como segundo livro da coleção Voltar a Ler.

Pages: 123

Fotos popular