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Aleksei Schipenko em Coimbra

27.09.2007
 
Pages: 12

Aberta ao público em geral, a discussão passará necessariamente por um ponto da situação em relação à literatura russa publicada e/ou encenada em Portugal, pela apresentação e divulgação de obras e autores menos conhecidos no nosso país, bem como pela identificação dos principais constrangimentos que se colocam a uma mais eficaz divulgação da produção literária russa contemporânea.

NOTAS BIOGRÁFICAS

Alexej Schipenko

dramaturgo e encenador

Nasceu em 1961 em Stawropol (Rússia) e passou a infância em Sebastopol ( actual Ucrânia). Estudou na Escola Estúdio do Teatro de Arte de Moscovo. É escritor, actor, encenador e músico, tendo fundado e pertencido a vários grupos rock. Radicado na Alemanha desde 1990, trabalhou como autor e encenador com algumas das mais prestigiadas instituições daquele país, em Berlim (Volksbühne, Schaubühne, Baracke Deutsches Theater e Akademie d'Art), Estugarda (Akademie Schloss Solitude), Bremen (Theater Bremen) ou Kassel (Staatstheater). Foi professor de encenação na Universidade Ernst-Busch-Hochschule Berlin e de escrita teatral na Universidade de Arte de Berlin e tem recebido várias bolsas de literatura do Estado e outras instituições alemãs.

Autor de uma obra que se estende ainda ao romance e à poesia, escreveu mais de duas dezenas de peças de teatro, representadas na Rússia, Alemanha, França, Polónia, Espanha, Portugal, Kasaquistão, Ucrânia, Inglaterra, Bielorúsia, Bulgária, Estados Unidos da América, Escócia, Holanda, Luxemburgo, entre outros países. Depois de “O Observador” (a sua primeira peça, escrita em 1984), escreveu, entre várias outras, “A Morte de Van Helen”, “Arqueologia”, “Um Cadáver Vivo”, “Last Russian Play”, “A Minha Pátria é a Rússia” e “Da Vida de Komikaze”. Recebeu o prémio de “melhor peça de teatro estrangeira” atribuído pela revista “Theater Heute” pela peça “Arqueologia” (1988) e o “prémio kodak” e o “prémio do grande júri” pelo argumento do filme “Kasan”, no Filmfestival Kinotavr Sotchi (2007). O seu primeiro romance, “Das Leben Arsenijs (A Vida de Arsenij)” (1998), foi nomeado para os prémios “Anti-Booker Preis” e “Nationale Bestseller”.

Desprovida de psicologia, a obra de Schipenko abre uma questão sobre o Fim da Humanidade, num caos de imagens e através de discursos paródicos embelezados de clichés de "língua de pau". É considerado um dos mais radicais autores russos, na procura de uma nova escrita dramática.

Desde 2005, tem colaborado regularmente com a Companhia de Teatro de Braga, em Portugal, para a qual escreveu e encenou os espectáculos “A Vida como Exemplo” e “Praça de Touros” e prepara actualmente uma adaptação de “Os Lusíadas”, com estreia prevista para o próximo ano.

António Pescada

Tradutor

Nasceu em Paderne, Albufeira, em 1938. É tradutor profissional, principalmente das línguas francesa, inglesa e russa, nos domínios do ensaio e da ficção. Traduziu autores de língua francesa como Émile Zola, Amin Maalouf, Max Gallo e Albert Cohen. Da língua inglesa, traduziu Michel Faber, Cynthia Ozick, Yann Martel, Harold Pinter, entre outros. Viveu em Moscovo durante cinco anos, onde estudou língua e literatura russas, ao mesmo tempo que trabalhava como redactor e tradutor numa editora.

Depois dessa experiência, passou a traduzir literatura russa, tendo trabalhado em textos de autores como Púchkin, Górki, Dostoievski, Tolstoi, Nina Berbérova ou Mikhail Bulgákov. Durante alguns anos, colaborou com o encenador Joaquim Benite na Companhia de Teatro de Almada (CTA), onde foi editor da revista “Cadernos” e passou a traduzir peças de teatro. Entre outras, traduziu “Calígula”, de Albert Camus, “Molière”, de Mikhail Bulgákov, “Boris Godunov”, de Púchkin, e os “Sketches”, de Harold Pinter, representados em “A Cada Um o Seu Problema”, espectáculo produzido pela CTA (1997/98). Recebeu o Grande Prémio de Tradução do PEN Club e da Associação Portuguesa de Tradutores, e o Prémio de Tradução da Sociedade da Língua Portuguesa.

Vladimir Pliassov

professor de Estudos Russos

Nasceu em Moscovo, em 1952. É l icenciado pela Faculdade de Letras da Universidade Nacional “ M.V. Lomonossov“ (Moscovo) na especialidade de “ Língua e Literatura Russas“ e doutorado em Ciências Pedagógicas pela Universidade Externa de Humanidades de Moscovo.

Entre 1978 e 1988 exerceu funções docentes em diversas instituições do ensino público na Rússia e em Moçambique. Desde 1988, tem exercido funções docentes na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde lecciona, entre outras, as cadeiras “Língua e Cultura Russas”, “Introdução à Literatura Russa” e “Tradução Russo-Português”. Faz investigação nas áreas da língua, da literatura e da história russas.

Acompanhou como consultor as produções d'A Escola da Noite a partir da obra de Tchékhov: “O Cerejal” (2004) e “Tchékhov e a Arte Menor” (2007).

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