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Alexander Shorin e Stalin: entre o som e o silêncio

27.07.2010
 
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de progresso. Posteriormente a esta cena, a trilha sonora do filme fica mais objetiva com relação à intenção do diretor em colocar na sua obra, os verdadeiros sons das imagens relativas ao trabalho desempenhado por cidadãos da URSS nas minas destinadas a abastecer a indústria soviética. A maioria dos sons, não provém de diálogos dos trabalhadores, mas sim do impacto de suas ferramentas, ou maquinas utilizadas para extração e escoamento dos minérios produzidos nestas minas.

Com o advento do som a função pedagógica do cinema se tornou mais efetiva e, os milhões de trabalhadores analfabetos puderam apreciar a sétima arte em todo seu potencial. Porém, quase que concomitante a este período, Stalin começou a acumular forças sobre o controle do Partido, o que influenciou drasticamente a produção cultural soviética. Os debates em torno de um modelo estético oficial destinado a normatizar a produção cultura se tornaram cotidianos. “ During this period the concern about the balance of cinema between entertainement and education was growing, and this was reflected in heated theorical debates”. (BEUMERS, 2009, pag 48).

Ao adotar a perspectiva de construção do socialismo em um só país, Stalin colocou a URSS em uma situação de isolamento internacional que havia sido superada após a guerra civil. Numa postura desafiadora e contra o isolacionismo recorrente das políticas de Stalin, os chefes do Sovkino, Ilya Trainin e Konstantin Shvedchikov adotaram a seguinte política: eles aumentaram a importação de filmes estrangeiros que faziam muito sucesso na URSS, para que a renda da bilheteria fosse destinada a produção de filmes soviéticos. Esta política de gestão cultural encontrou forte resistência de uma parcela dos cineastas que então, dominavam a direção da Associação dos Cinematógrafos Revolucionários. Outra instituição que participou ativamente deste debate, em torno do modelo de gestão do cinema na URSS foi a Sociedade dos Amigos do Cinema Soviético, fundada em 1925, mas dissolvida em 1934, devido as suas críticas sobre o realismo socialista, e a não importação de filmes estrangeiros. Vale ressaltar que esta instituição foi fechada pelo OGPU, organização que sucedeu a Cheka, como o órgão de espionagem interna da URSS.

Ao mesmo tempo, que a cinematografia soviética foi absorvendo os avanços técnicos relacionados ao desenvolvimento do cinema, a sua estrutura política ganhou contornos autoritários com a conquista pela hegemonia política sobre o aparato do Partido Comunista por Stalin. Pode parecer paradoxal, mas à medida que o cinema soviético foi se adaptando ao som, a sociedade da URSS foi se tonando cada vez mais silenciosa.

*Historiador. Mestrando do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade. Bolsista CAPES. diogocarvalho_71@hotmail.com

Referências Bibliográficas.

BEUMERS, Birgit. A Histoy of Russian Cinema. New York: Berg, 2009. 328 p.

FEIGELSON, Kristian. Merker/Medvedkine ou os olhares cruzados leste/oeste: A história revisitada no cinema. In: NÓVOA, Jorge. Cinematógrafo: um olhar sobre a história. Salvador/são Paulo: Edufba/unesp, 2009. p. 363-379.

GRECO, Patricia. Revista Contra Cultura. Rio de Janeiro: Miserê Produções, v. 2, 02 abr. 2008. Disponível em: <www.uff.br/revistacontracultura/Arte%20Revolucao%20Greco.pdf>. Acesso em: 02 abr. 2010.

Filmes Consultados.

VERTOV, DZIGA. “Entusiasmo -A Sinfonia de Donbas” ( URSS, 1930)

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