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Poema: Natal das Prostitutas

21.12.2020
 
Poema: Natal das Prostitutas. 34586.jpeg

Poesia

  

Natal das Prostitutas

  

  

No Natal, as prostitutas, meu irmão

Fazem um presépio; coloridas,

como madalenas arrependidas...

  

O burrinho é o anão,

cafetão

Jesus é uma oval caixa de isopor

Cheia de sorvete de limão

Para adoçar

o que restar, de amor

A cruz é feita de tampinhas de cervejas

Maria uma antiga fronha azul da cor do céu

E o bendito São José um saco de carvão

Para o churrascão depois do forfé, além do beleléu...

  

Nesse dia, na zona de prostituição

Ninguém paga nada não

Desde que traga mimos de presentinhos

Para os berebentos bastardos filhinhos

De pais ausentes ou jamais identificados

Como curumins, os pobres coitados

Assim quase filhos das putas, bentinhos...

  

Bêbadas elas cantam Feliz Natal chorando

Com sífilis, cancro, AIDS, gonorreia

Em hosanas ao Jesuscristinho da Galileia

Que as perdoou um dia, na Judeia

Como as segue eternamente perdoando...

  

No Natal, as prostitutas

Reféns de amores,

das dores, das lutas

Cândidas se ajoelham no chão

Do prostíbulo; como um presépio improvisado

E rezam uma enorme e dolorosa oração

Cada uma com seu pecado

Maltratado o coração

Vida torta - anunciação

Como um prego no passado:

  

-"Ave-Maria, José, Jesus, Deus, perdão!

Salve o salvador crucificado,

Que por todos nós pecadores veio morrer em vão"

-0-

Silas Corrêa Leite - Breve bibliografia, Resumo 2019

Educador, ciberpoeta, Jornalista Comunitário, blogueiro premiado, Conselheiro diplomado em Direitos Humanos. Consta em quase 800 sites como Estadão, Noblat, Correio do Brasil, Usina de Letras, Daniel Pizza, Wikipédia, Observatório de Imprensa, Releituras, Cronópios, Aprendiz, Pedagogo Brasil, Jornal de Poesia, Convívio e LibeArti, Itália, Storm Magazine e InComunidade (Portugal), Brasil com Z (Espanha), Politica Y Actualidad (Argentina), Poetas del Mundo (Chile), Fênix (Moçambique), Literatas (Angola), Pravda (Rússia) outros. Publicado em mais de 100 antologias, até no exterior, como Antologia Multilingue de Letteratura Contemporânea, Trento, Itália; Cristhmas Anthology, Ohio, EUA e na Revista Poesia Sempre/Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro (Ano 2000/Gestão Ivan Junqueira).  Autor de TIBETE, De quando você não quiser ser gente, romance, Editora Jaguatirica, RJ; GOTO, A lenda do Reino do Barqueiro Noturno do rio Itararé, Romance, Editora Clube de Autores, SC, e Gute Gute, Barriga Experimental de Repertório, Romance, Editora Autografia, RJ, entre outros. Prêmio Lygia Fagundes Telles Para Professor Escritor, Governo do Estado de SP/Gestão Chalita; Prêmio Biblioteca Mário de Andrade, SP, Secretária Municipal de Educação Marilena Chauí; Prêmio Literal, Fundação Petrobrás, Curadoria Heloisa Buarque de Hollanda, Prêmio Ficções Simetria (microcontos) e Prêmio Instituto Piaget, Cancioneiro infanto-juvenil, ambos em Portugal, entre outros.

 


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