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Sim ao Acordo Ortográfico!

12.05.2008
 
Pages: 123

Sendo coisa universal, e assente em grande força em terra brasílica, o português pode florescer e universalizar-se para além desta finisterra europeia onde Portugal se encontra encastrado. E que história é esta da moratória que os editores reclamavam ter que ser de uma década e que agora - de forma bem mais avisada - o novo ministro da Cultura entende ser de seis anos? É que tal moratória poderia dar aos editores tempo para alterarem todas as suas edições, mas no entretanto, o Brasil (que já tem edições alteradas) estaria a exportar livros para a restante lusofonia… neste contexto, cada ano "moratorizado" é um ano perdido, e os nossos editores deviam parar de clamar por tantas moratórias e começar já a trabalhar nesta aérea… sendo neste contexto reclamar por uma qualquer forma de subsídio…

Bem, talvez a conferência internacional que no Parlamento português vai reunir em 7 de Abril representantes da Academia de Ciências de Lisboa e da Academia Brasileira de Letras, precisamente as duas instituições que organizaram o acordo de 1991. A conferência será animada… já que estará presente Graça Moura, um dos mais mediáticos adversários do Acordo e representantes dos editores portugueses que se têm manifestado contra o mesmo.

José António Pinto Ribeiro, o novo ministro da Cultura já se exprimiu claramente a favor do Acordo: "O que se trata de assegurar - acrescentou o ministro - é que as vantagens da fixação ortográfica de uma língua não tenham consequências ao nível da liberdade criativa, da pluralidade de discursos. Penso que isso é relativamente fácil de assegurar", mas não se prevê que participe na conferência (infelizmente, já que isso daria um peso institucional ao debate) (ver AQUI )

E afinal… Em que consiste mesmo este Acordo? (de uma forma muitíssimo sumária…)

1. As consoantes que não são articuladas vão desaparecer:


c em acção
p em óptimo

mas com excepções, quando a dita consoante num dado país é afinal pronunciada de forma mais ou menos comum. Será o caso de facto e convicto, por exemplo… Por isso que se calem os críticos que têm usado o "fato" / "facto" como argumento para a sua oposição a este acordo…

2. Os acentos gráficos - por regra - não sofrem alterações quase sem excepções, sendo estas a inexistência da actual obrigatoriedade para acentuação em:
pára, péla, pêro, dêmos, amámos, terminações verbais em -êem e para o ditongo ói (somente em paroxítonas ). O conhecido e polémico caso dos António e Antônio não é um problema, já que ambas as grafias são aceitáveis e permitidas no novo Acordo…

3. Algumas - pequenas - alterações no emprego do hífen e das maiúsculas.

4. No Brasil - e para quem defende que aqui nada muda, e que Portugal se limitou a ceder aos seus interesses - há alterações específicas. O trema cai, caso de vôo -> voo.

Publicado na Revista Nova Águia: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

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