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Quais os livros que gostam de ler os russos

05.05.2006
 

Os russos gostam de ler. Seja como for, as preferências do leitor russo não são tão variadas como parece. A investigação realizada por RIA" Novosti" mostra que nos últimos tempos, em voga estavam os romances policiais de Aleksandra Marinina, Viktor Dotsenko, Polina Dachkova que enchiam então as prateleiras das livrarias e bancas de jornais.  Os livros que os russos costumam ler, por exemplo, no metro, em maioria são da sua autoria. Os nomes destes e outros autores são, sem dúvida, "marcas de confiança" e podem garantir uma qualidade mínima e o interesse narrativo. Numa palavra, o leitor "morde a isca" e fica "cativado".

Às pisadas dos autores citados estão ser seguidas por outros escritores - Daria Dontsova, Tatiana Poliakova, Tatiana Ustinova - que, tendo mudado um pouco de estilo, fazem obras mais até irônicas e originais destinados principalmente  para mulheres.

 
Vejamos agora como vai a literatura clássica no sentido direto da palavra. Poderá ela ou não assumir um papel de liderança no limiar dos séculos XX-XXI? Tudo indicava que somente a grande literatura russa dos séculos XIX-XX seria capaz de trazer "dividendos". Segundo sondagens, ela tem 17% de adeptos.

 
Hoje, na Rússia também há "mestres modernos da literatura" - Viktor Erofeev, Viktor Pelevin, Tatiana Tosltaia, Liudmila Ulitskaia e outros. Os seus livros foram traduzidos em vários idiomas. No entanto, quando o leitor faz referência à sua obra, aponta, antes de tudo, as "subtilezas de estilo e o fraco conteúdo".

"É uma leitura interessante, mas não percebi o conteúdo", comenta Natalia Perova, de 40 anos, funcionária de um banco, que confessa "adorar a literatura".


As grandes livrarias estão igualmente repletas de romances de escritores estrangeiros, com capas atraentes e bem ilustradas. As feiras do livro deste tipo de obras decorrem sempre com grande êxito, já que a tradução e a edição de livros estrangeiros quase coincide na Rússia com o lançamento destas obras no exterior.  Entre os escritores mais populares destacam-se Paulo Coelho, Pavic, Susskind, Fowles, Bach, Kundera, Murakami Eco, Barrico, bem como os "grandes mestres" - Erich Maria Remarque, Gabriel Garcia Marquez, Hermann Hesse. Os leitores desses romances "são pessoas da classe média que, sem perder o interesse pela leitura, querem ler tanto a literatura das elites, como a literatura de massas .

 
"A juventude não lê quase nada, preferindo a TV e filmes vídeo", disse, em entrevista á RIA "Novosti" o director-geral dos estúdios de cinema "Mosfilm", Karen Chakhnazarov, salientando que "tal escolha implica processos intelectuais mais primitivos". Na sua óptica, "será difícil impedir a expansão da cultura de massas, já que se trata de um processo dificilmente controlável". As tendências para a "erosão" da individualidade humana e a falta de verdadeiros escritores, pintores e músicos têm vindo a adquirir um caráter global. "Mas isto não significa, ressalvou Chakhnazarov, que fiquemos indiferentes, sossegados e desanimados, uma vez que a cultura russa é realmente uma grande cultura".
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