Amal Khalil fazia reportagem no momento dos bombardeios, deixando outros dois mortos e uma ferida
Enquanto fazia reportagem próxima à cidade ao sul do Líbano de Al Tayri no último dia 22, a jornalista libanesa Amal Khalil do jornal Al-Akhbar foi assassinada tentando proteger-se de bombardeios de drone israelense, que atingiram o veículo civil que as escoltava, matando duas pessoas. Zeinab Faraj, fotógrafa libanesa freelancer do mesmo diário que trabalhava ao lado de Amal no momento do ataque, ficou ferida e foi levada a um hospital.
Ao mesmo tempo em que as jornalistas buscavam proteção próximas de uma árvore, o drone retornou e atacou o carro delas. Duas horas depois, o exército israelense atacou o prédio onde as jornalistas estavam abrigadas, de acordo com a União dos Jornalistas do Líbano (UJL) e autoridades libanesas.
Equipes de resgate conseguiram evacuar Zeinab, mas não puderam acessar o prédio onde Amal estava presa. As equipes médicas foram impedidas de chegar à Amil por várias horas.
A UJL emitiu um apelo relatando que Amal estava presa sob escombros, e que as equipes de resgate da Cruz Vermelha não conseguiam chegar a ela devido aos contínuos ataques israelenses.
“A União responsabiliza totalmente o inimigo por sua vida, e considera isso um crime flagrante”, dizia o apelo. A presidente da UJL, Elsy Moufarrej, informou à Federação Internacional de Jornalistas que o exército israelense havia atrasado a autorização da entrada das equipes de resgate no local onde a jornalista estava retida.
Seu corpo só foi retirado dos escombros horas depois.
Um correspondente da rede de notícias do Líbano Al-Manar relatou que “o que aconteceu com nossas colegas Amal Khalil e Zeinab Faraj foi um crime premeditado e deliberado”. Ele detalhou que “Imediatamente após o ataque, equipes de ambulância e a inteligência militar foram contactadas, e o caso foi ebtregue à Cruz Vermelha, que aguardava autorização dos atacantes para intervir naquele momento”.
Segundo a testemunha de Al-Manar, cerca de uma hora e meia depois do primeiro ataque, “o drone atacou novamente perto das duas mulheres, especificamente o carro delas. Nesse momento, Amal contactou um de seus colegas informando-o do ocorrido”.
Ele continuou: “após essa ligação, as duas mulheres se refugiaram perto de uma das casas, aguardando a chegada da Cruz Vermelha, que ainda não havia recebido autorização”.
“Aproximadamente uma hora depois, após rumores de que o inimigo estava negando acesso à área e também havia solicitado que as forças internacionais de emergência não utilizassem a estrada pública Hadatha-Bint Jbeil, aviões de guerra inimigos atacaram a cidade de Al-Tayri.
“Descobriu-se posteriormente que o inimigo havia atacado a casa onde as duas mulheres estavam refugiadas. Apenas dez minutos após o ataque, veículos da Cruz Vermelha foram autorizados a passar. Portanto, este é um caso claro de assassinato de jornalistas, já que o inimigo sabia perfeitamente quem estava presente, e o Estado libanês, os serviços de emergência e a mídia libanesa declararam publicamente que os sitiados eram jornalistas. Tudo isso refuta e desmente a narrativa sionista”, concluiu o jornalista.
Em setembro de 2024, o UJL já havia denunciado uma mensagem de texto contendo ameaças de morte contra Amal, atribuídas ao exército israelense. A presidente da UJL, Elsy Moufarrej, condenou tanto o assassinato premeditado de Khalil por Israel quanto a forma como a jornalista foi impedida de receber tratamento médico.
“[…] O exército israelense acrescenta ao seu longo e sangrento histórico um novo crime de guerra deliberado que levou ao martírio de Amal Khalil, que morreu sangrando após ser impedido que as equipes de ambulância chegassem até ela, por quase quatro horas”.
O secretário-geral da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), Anthony Bellanger, declarou:
“Estamos consternados com o assassinato direcionado da nossa colega Amal Khalil por Israel, e com a obstrução dos esforços de resgate, impedindo que o socorro chegasse a ela enquanto estava presa sob os escombros.
¨A violência deliberada de Israel e o assassinato sistemático de jornalistas em Gaza estão sendo replicados no Líbano, diante da inação da comunidade internacional e com total impunidade. Os responsáveis por crimes contra jornalistas e crimes de guerra devem ser responsabilizados perante tribunais internacionais.”
Quatro jornalistas e profissionais da mídia foram mortos apenas no Líbano desde que EUA e Israel passaram a lançar ataques coordenados contra o Irã em 28 de fevereiro, dando início à guerra de agressão que viola as leis internacionais, e a própria Constituição estadunidense.
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