Em 1996, denunciou o padre Chico: “O que vem acontecendo com os membros da Pastoral Carcerária (PCr) e o tratamento por nós recebido não têm cabimento. Algumas das moças e irmãs religiosas, algumas com mais de 65 anos, estão sendo obrigadas a passar pela revista vexatória. Em alguns casos, a religiosa, já de idade, tem desistido de entrar e tem voltado para a casa, sem conseguir cumprir a sua missão evangelizadora junto aos presos”.
Estas palavras estão incluídas no Dossiê Nacional sobre as Restrições à Assistência Religiosa nas Unidades Prisionais Brasileiras, entregue pela Pastoral Carcerária brasileira ao Papa Leão XIV em dezembro de 2025.
No ano anterior ao referido pelo padre Chico, este autor esteve com os então colegas do movimento evangélico Atletas de Cristo no Centro de Detenção do Carandiru de São Paulo, para jogos de futebol de evangelismo através dos quais se falava individualmente com os detentos, além da entrega de Bíblias.
A recepção ao grupo deste autor, assim como toda a jornada ali até a saída, contrasta fortemente com as denúncias do religioso quase na mesma época. Coincidindo com o relatório de agora da Pastoral Carcerária: há favorecimento descarado aos protestantes. Não houve revista, mas um tratamento vip logo na chegada e na saída, direito à merenda fresca e farta entre os atletas, oferecida pela Casa de Detenção.
Fontes da Igreja Católica ouvidas pelo sítio Metrópoles (de direita) afirmaram que “a dificuldade de atuação dentro dos presídios teria piorado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e nos anos seguintes à pandemia”, informou o meio de comunicação.
Relatou ainda o sítio no final de abril deste ano que, segundo uma dessas fontes que pediu para não ser identificada, “os obstáculos também seriam fruto de uma ‘influência política de direita, que tem forte vínculo com igrejas evangélicas'”.
No mais recente relatório, a Pastoral Carcerária brasileira destacou ao Papa diversos pontos críticos em relação ao tratamento recebido nas prisões de todo o Brasil por parte dos funcionários do Estado, que criam inúmeros e injustificáveis obstáculos quando os católicos tentam prestar assistência religiosa aos detentos, direito constitucional que inclui os devidos métodos de respeito. Os quais têm sido amplamente garantidos aos protestantes, mas não aos católicos.
Entre os pontos apresentados pela Pastoral Carcerária no relatório entregue ao Vaticano, estão:
64% dos respondentes passaram por proibição de entrada para visita por estar com algum item religioso.
Entre esses itens, Bíblia e terço são os mais mencionados como itens que geraram proibição de entrada. Com 12,3% [Bíblia] e 24,3% [terço].
Outros itens que já foram proibidos na entrada do cárcere, como: crucifixo, vinho, santinho, marca-página, violão, caneta para anotação, livro, caderno, velas, microfone, entre outros.
80% da amostra passa por algum tipo de revista na entrada da unidade prisional.
A maioria dos agentes da PCr [45,9%] informou que as visitas religiosas ocorrem no pátio, com as celas fechadas;
A maioria dos agentes da PCr [67%] informou haver restrição para escolha do lugar onde ocorre a visita.
Perguntamos aos agentes com qual frequência a visita acontece sob supervisão de policiais penais e/ou outra instância de controle da unidade prisional. 33,2% responderam que “sempre”, entretanto, 30% dos respondentes responderam que “nunca”.
Quase a metade dos respondentes [47,6%] afirma que as unidades prisionais que visitam já suspenderam a visita religiosa sem prévio aviso ou de forma arbitrária.
48,3% dos respondentes consideram que a quantidade de agentes pastorais permitidos NÃO É O SUFICIENTE.
47,8% dos respondentes consideram que o tempo de visita NÃO É SUFICIENTE PARA ATENDER A DEMANDA DE ASSISTÊNCIA RELIGIOSA.
A maioria dos agentes da PCr [53%] informou ter conhecimento ou presenciado violações de direitos nas unidades que visita.
O relatório destaca ainda:
“O atual cenário de fechamento do cárcere é contrário às determinações do Acordo Brasil-Santa Sé que, em seu artigo 8º, prevê que a Igreja Católica, em vista do bem comum da sociedade, especialmente dos cidadãos mais necessitados, se compromete a dar assistência espiritual aos fiéis detidos em estabelecimento prisional. O artigo dispõe, ainda, expressamente, que o Governo brasileiro deverá assegurar à Igreja o direito de exercer esse serviço, que é inerente à sua missão”.
Uma fonte do Metrópoles disse, em condição de anonimato:
“O problema é que a Pastoral Carcerária é a única que faz esse trabalho de direitos humanos. As outras igrejas todas fazem só a parte religiosa. E se mexe com direitos humanos no cárcere… Têm algumas pessoas que não gostam do trabalho da pastoral porque a gente denuncia a questão da falta de água, da comida, da saúde, da superlotação”, disse ao Metrópoles um líder católico em condição de anonimato. “Nós enfrentamos mais restrições e perseguição porque a gente incomoda”.
Pode-se acrescentar a estes motivos colocados pela PCr, sem receio do equívoco, que os católicos têm sido fortemente discriminados em suas visitas aos presídios de todo o Brasil, pelas denúncias constantes da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e sua afiliada, exatamente a Pastoral Carcerária, em relação às condições das cadeias brasileiras.
Tanto quanto pelas propostas de diminuição das prisões cautelares e das construções de presídios, com ênfase na implementação da justiça restaurativa que marcam a PCr.
Outros pontos que podem muito bem ser considerados, além da evidente influência política, que só cresce com o passar dos anos, são o poder material dos líderes protestantes.
Além do poder criminoso, que potencializa o poder dos protestantes entre as instituições ¨demicráticas¨ brasileiras: os escândalos de envolvimento de pastores com o narcotráfico, por exemplo, não são nada novos nem excepcionais envolvendo este segmento religioso.
Parte das confrarias protestantes, as maiores casas de espetáculo do País hoje, são centros de lavagem de dinheiro, entre tantas outras agruras.
A um Estado mafioso como brasileiro, com destaque nada honroso ao funcionalismo público e sistema de ¨justiça¨, casam perfeitamente os líderes protestantes. Velha aliança.
Bem disse certa vez Leonel Brizola: ¨se os evangélicos entrarem na política o Brasil irá ao fundo do poço; o País retrocederá vergohosamente¨.
Edu Montesanti
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