A Indigência Mental e Moral da Direita Narcisista

Os ignorantes não debatem: desqualificam. Não respondem: atacam
Não contraargumentam: mandam calar a boca
Edu Montesanti

 

no Dia da Mentira (e do fatídico aniversário de 62 anos do golpe militar no Brasil, dia da mentira política embutida no Dia da Mentira que se dizia ¨revolução democrática¨), disse a um conhecido, em plena porta de Igreja Católica saindo de sua Santa Missa, que havia escrito reportagem com o título A Falência Eleitoral e Moral do MAS – e de Evo Morales.

Escutei a típica resposta dos incautos, cujo subprotudo é (dos menos graves) o pedantismo, entre outros inglórios traços: ¨mas todo mundo sabe disso!¨.

Diante de um título já certamente chamativo, sequer se informou sobre uma vírgula de seu conteúdo. A sentença pretensamente onisciente, fala mais sobre si que sobre o autor. E diz muito sobre uma realidade que se firma como predominante com o passar dos anos.

¨Pessoas com crenças de extrema-direita são caracterizadas por uma mentalidade simplificada¨, Faculdade de Psicologia da Universidade de Oslo

Eis o subproduto acabado da reação. Nos últimos anos, denominada pela psicologia internacional ¨patologia política narcisista¨.

Mas eu não sou um especulador metafísico! Sou jornalista, gostem a direita radical e extrema ou não de jornalistas (e odeiam-nos declaradamente, à imagem e semelhança de Hanns Johst e Joseph Goebbels).

E o jornalismo é feito do relato da verdade dos fatos com objetividade. Mas quem disse que o ódio às diferenças que tem origem no fanatismo, possui algum interesse por aspectos como verdade dos fatos e objetividade?

¨Se tivesse que escolher entre governo sem jornais e jornais sem governo, não hesitaria em preferir a segunda opção¨, Thomas Jefferson, um dos heróis históricos da direita cujo grande sonho é mudar-se aos ¨States¨ para lavar privada das elites americanas

Mestre em produzir mundo faz-de-conta, completamente divorciado da realidade nos mais diversos assuntos, foi o “mito” criado por esse pessoal, Jair Bolsonaro, quem ganhou as eleições presidenciais de 2018 com base em notícias falsas. Até hoje, seu clã apela a essa nada nobre estratégia.

Mais importante é que, julgando-se saber tudo, dito ser, deveria considerar que nem todos são sabidos como ele.

Assim são, radical e extrema-direita em todos os lugares, não falam de suas ideias justamente porque são vazias: atacam, desmerecem o outro. Passam o tempo, fechados em seu mundinho para o qual vêm sem deixar nada e vão sem nada levar, criando inimigos.

Em sua indigência mental e moral, são impermeáveis a dados e argumentos. Idólatras da pós-verdade, a realidade pela fantasia, a política pelo autoritarismo, o diálogo pelo berro.

Contaminados por moralismo rancoroso e indignação seletiva marcantes, têm capacidade única de agredir enquanto falam de Deus, pátria e família.

¨Característica fundamental dos indivíduos de extrema-direita é a rigidez da mentalidade — estilo cognitivo refletido em maior fechamento mental, pensamento simplista e percepções dicotômicas da sociedade¨, Faculdade de Psicologia da Universidade de Oslo

Este segmento social, tampouco grande admirado de sociólogos, diz o mesmo destes especialistas: “transmitem o que todos já sabemos¨, é dito comum. Avessos também a professores e filósofos, além de jornalistas como já observado.

Na realidade, como apontado no início e o que motiva esta postagem, é que esta afirmação, “todo mundo já sabe”, reivindicando a si de maneira não tão abertaente declarada o “tudo saber , é o dito mais comum entre os ignorantes.

Exatamente deste segmento partiu a “ideia”, difundida a nível latino-americano (fora da região nem sequer se sonha em afirmar isto), de que “o indivíduo que estuda muito fica louco”. Eles nem precisam ler, informar-se, pesquisar, estudar: ¨eu já sei!¨.

Muitos se atrevem a estigmatizar até historiadores e filósofos com este “raciocínio”. Ignorantes e, quase sem exceção, gente da direita radical e extrema, os adeptos deste ¨raciocínio¨. Os que, entre tantas gritantes contradições, constantemente aprovam para si o que condenam no outro.

Reclamam raivosamente por (muitas vezes inverídica) ditadura em outros países, enquanto para seus próprios países defendem abertamente regime ditatorial.

Pois tal é a tapadeira mental que vociferam verborragicamente por moral contra violência (muitas vezes acusando oponentes com inverdades), enquanto defendem categoricamente violência (especialmente tortura e assassinato através de ditaduras), indiscriminadamente, contra quem pensa diferente.

Criticam raivosamente (único tipo de manifestação que conhecem) os meios de comunicação que formam suas opiniões e moldem seus costumes. Sem perceber. Tal é o bloqueio mental (a vasta maioria mente, dizendo que não lê noticiários nem assiste telejornais: fechados em seus mundinhos, Jornal Nacional da TV Globo com pipoca na poltrona é um dos mais apetitosos momentos do dia dessa gente. Daí, munem-se de toda sorte de desinformação para atacar “inimigos”).

¨Ataca-se a cultura porque a cultura nos torna melhores, e o sistema nos quer pior¨
Víctor Hugo Morales

Nem poderia ser diferente, take I: não percebem o ridículo a que se prestam. Nem poderia ser diferente, take II: a “liberdade” por que advogam vale apenas para pensar como eles pensam, “liberdade” para agir como eles agem.

Em um mundo que glorifica os iguais, a estupidez e a ignorância, em tempos em que cresce assustadoramente a mediocridade, aumenta também o número de adeptos deste segmento cuja marca é a ausência de pensamento.

Está em moda ultimamente, talvez como nunca antes na história, o discurso “antissistêmico” por parte da direita a ponto de qualificar até figuras tétricas como Bolsonaro de “antissistêmico”. Pois na impossibilidade marcante de enxergar um dedo mindinho à frente do nariz, este mesmo setor com destaque à direita mais radical, faz como ninguém e de modo faraônico, o jogo do sistema. Especialmente o da maçonaria.

¨Indivíduos de extrema-direita demonstram intolerância dogmática particularmente forte — definida como tendência a rejeitar crenças opostas — e consideram qualquer crença ideológica diferente, como inferior¨, Faculdade de Psicologia da Universidade de Oslo

No caso particular deste segmento social, não surpreende que um de seus principais historiadores seja Francis Fukuyama, cujo principal título é Fim da História, gerando horror em qualquer estudante de História. E que no Brasil tenha como seu mais importante guru na história recente, o astrólogo Olavo de Carvalho.

Mesmo segmento social que classifica de comunista nada menos que a Rede Globo – promotora do golpe militar de 64, da eleicao de Collor em 89 entre outras tantas traquinagens midiáticas.

Este mesmo ser ¨já sei de tudo¨ em outra ocasião meses atrás, também saindo da Santa Missa, esbravejou preocupado pelo fato de que, nas faculdades, há muitos progressistas, especialmente professores (é claro: quer que o mundo seja como ele, e pense como ele).

¨O fechamento mental e o dogmatismo associam-se a atitudes cada vez mais à direita. Fato corroborado por descobertas que demonstram atitudes políticas de direita correlacionadas à rigidez psicológica¨, Faculdade de Psicologia da Universidade de Oslo

Antes, outro grupo ultraconservador de igreja evangélica lamentou-se, de maneira semelhantemente raivosa, que jornalistas tendem a ser progressistas.

Tendem a ser progressistas professores, estudantes universitários, jornalistas, sociólogos, historiadores, filósofos, artistas, cientistas como Albert Einstein, declaradamente socialista: a inteligência deste setor está ainda a anos-luz de entender o porquê.

¨Empiricamente, há estudos que mostram uma associação entre posições políticas de extrema-direita e dogmatismo, bem como baixa abertura. Em geral, pessoas dogmáticas são caracterizadas por maior inflexibilidade cognitiva, incapacidade de processar ideias e informações opostas, e tendência a desumanizar os que se opõem às suas crenças¨
Faculdade de Psicologia da Universidade de Oslo

Pobre mundo dos pobres de espírito.
Edu Montesanti
Journalist, Author, Teacher, Translator
edumontesanti.wordpress.com

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