Author`s name Lulko Luba

Dr. Google e Dr. Microsoft

Google e Microsoft anunciaram seus planos para melhorar o sistema de saúde dos EUA.Combinando melhores ferramentas de pesquisa pela internet, infinitos recursos da web e registros on-line de saúde pessoal, ambas as empresas apostam que são capazes de possibilitar às pessoas que façam escolhas mais inteligentes em relação aos hábitos de saúde e ao tratamento médico, de acordo com The New York Times.

 O que está por trás disso é a transferência em massa das informações de saúde para o consumidor", disse David J. Brailer, ex-coordenador de tecnologia da informação da área de saúde da administração Bush, que agora dirige uma empresa de investimentos em saúde.

Em breve será possível saber se o Google ou a Microsoft conseguirão progressos reais. A assistência de saúde, como observam os especialistas, é uma área em que as políticas, as leis e os interesses costumam retardar o ritmo da mudança e as empresas de tecnologia possuem um histórico de não querer perder tempo.
Além disso, para muita gente, digitar o nome de uma doença em um mecanismo de pesquisa da web é muito diferente de confiar informações pessoais sobre a própria saúde a uma gigante corporativa.

Vantagens

O Google e a Microsoft reconhecem que há obstáculos e admitem que modificar a assistência de saúde requer tempo. No entanto, as empresas vêem potencial em atrair um grande público para publicidade e serviços relacionados à saúde. As duas trazem vantagens para o mercado consumidor com essa tecnologia.

O software da Microsoft torna ativos mais de 90% de todos os computadores pessoais, enquanto o Google é o ponto de partida padrão da maioria das pesquisas ligadas à saúde. Além disso, as pessoas estão cada vez mais recorrendo ao computador e à web para obter informações e aconselhamento sobre saúde. Uma pesquisa da Harris, publicada no mês passado, revelou que 52% dos adultos às vezes ou freqüentemente recorrem à web para obter informações sobre saúde, comparados com 29% em 2001.

Se os esforços das duas grandes empresas ganharem força com o passar do tempo, é bem provável que elas irão acelerar a mudança de poder para os consumidores em termos de assistência de saúde, assim como a tecnologia da internet o fez em outros setores.

Registros

Atualmente, cerca de 20% da população de pacientes dos EUA possuem registros computadorizados, em vez de registros em papel, e a administração Bush incentivou o setor de assistência de saúde a acelerar a mudança para os formatos eletrônicos. Contudo, esses registros costumam ser controlados pelos médicos, hospitais ou seguradoras. Quando um paciente se muda para outro Estado, por exemplo, o registro, em geral, não o acompanha.
A iniciativa do Google e da Microsoft daria muito mais controle para as pessoas, uma tendência inevitável, segundo muitos especialistas em saúde. "Os pacientes acabarão sendo os administradores da própria informação", disse John D. Halamka, médico e diretor de informações da Harvard Medical School.

É comum hoje em dia, como contou Halamka, um paciente chegar no consultório com uma pilha de folhas impressas da web. "O médico está se transformando em um navegador do conhecimento", disse ele. "Futuramente, o tratamento de saúde será um processo muito mais colaborativo entre pacientes e médicos".
A Microsoft e o Google esperam que isso leve as pessoas a ter mais controle sobre seus próprios registros de saúde, usando as ferramentas fornecidas pelas empresas. Nenhuma das duas quis oferecer detalhes sobre os projetos. Mas o trabalho da Microsoft focado no consumidor deverá ser anunciado daqui a alguns meses nos EUA, enquanto o do Google foi postergado e provavelmente só será lançado no ano que vem, segundo fontes que tiveram acesso a um resumo dos projetos das empresas.

Google Health

Um protótipo do Google Health, demonstrado pela empresa para profissionais e consultores de saúde, deixa claro o foco no consumidor. A página de boas-vindas diz: "no Google, achamos que os pacientes devem ficar responsáveis pelas próprias informações de saúde e devem ter a possibilidade de fornecer acesso a essas informações aos profissionais de assistência de saúde, membros da família ou quem quer que escolham. O Google Health foi criado para atender essa necessidade".

Uma apresentação das imagens das telas do protótipo, mostradas a um repórter por duas pessoas que receberam o esboço, possui outras 17 páginas da web incluindo um "perfil de saúde" para medicações, doenças e alergias; um "guia de saúde" personalizado para sugestões de tratamento, interações medicamentosas e programas de dieta e exercícios; páginas para receber lembretes para obter novas receitas ou visitar o médico; e diretórios de médicos que atendem na região do usuário.

Os executivos do Google não quiseram comentar o protótipo, dizendo apenas que a empresa planeja experimentar e ver o que as pessoas desejam. "Cometeremos erros e será um longo caminho", disse Adam Bosworth, vice-presidente de engenharia e líder da equipe de saúde. "Mas também é verdade que parte do que estamos fazendo é caro, mas não para o Google".

Microsoft

Na Microsoft, o objetivo a longo prazo é tão ambicioso quanto. "Será preciso grande escala para solucionar problemas como armazenamento de dados, software e rede necessários para administrar enormes quantidades de informações pessoais médicas e de saúde", declarou Steve Shihadeh, gerente geral do grupo de soluções de saúde da Microsoft. "Por isso não há muitas empresas capazes de implementar isso".

No início deste ano, a Microsoft adquiriu uma empresa cujo software de pesquisa é feito sob medida para informações de saúde, a Medstory, e no ano passado adquiriu uma empresa que fabrica software de recuperação e exibição de informações de pacientes nos hospitais. O software da Microsoft já é usado em hospitais, laboratórios clínicos e consultórios e, como observou Shihadeh, os três sistemas de registros de saúde mais populares nos consultórios médicos são desenvolvidos com softwares e ferramentas de programação da Microsoft.

Obstáculos

Contudo, os registros pessoais de saúde deverão ser um desafio complicado por motivos práticos e de privacidade. Para que seja mais útil, um registro controlado pelo consumidor incluiria registros médicos e de tratamento de médicos, hospitais, seguradoras e laboratórios. De acordo com a legislação federal, as pessoas podem solicitar e receber os dados pessoais de saúde em 90 dias. Mas o processo é complexo e o material enviado geralmente chega em papel, cópias impressas ou faxes.

O método eficiente seria que esses dados fossem enviados pela internet para o registro de saúde digital da pessoa. Mas isso exigiria parcerias e confiança entre os fornecedores de tratamento de saúde e as seguradoras e os responsáveis pela manutenção dos registros digitais.
As preocupações com privacidade são outro grande obstáculo e ambas as empresas reconhecem isso. O mais provável, segundo elas, é que se estabeleça a confiança aos poucos e que os registro on-line incluam a quantidade de informações pessoais com que os usuários se sentem à vontade para divulgar.

 Fonte G-1