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Federação Russa

Oito anos de Putin na Presidência Russa: Um balanço

27.02.2008
 
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Conclusão

A evidência mais forte de que Putin tem a intenção de fortalecer as instituições democráticas foi sua recusa em modificar a constituição para que possa permanecer no cargo por mais um mandato, ou até mesmo eliminar por completo os limites e ficar indefinidamente no poder. Ele poderia ter feito isso (como já o fez o presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, e como tentou o venezuelano Hugo Chávez) – a maioria dos legisladores e da população pressionaram-no bastante para que ele fizesse isso, já que identificam a estabilidade e prosperidade de seu país com o presidente. No entanto, preferiu não fazê-lo.

É óbvio que Putin não desaparecerá da cena política nos próximos quatro anos, mas continuará a exercer uma enorme influência quando deixe de ser presidente, já que a população votará em massa naquele que foi designado seu sucessor (Dmitri Medvédev, atual vice primeiro-ministro), e fará algo para estar formalmente dentro do governo e poder controlá-lo melhor (provavelmente será primeiro-ministro, segundo suas últimas declarações). Mas ao fazer um estudo cuidadoso e imparcial de seu governo, é difícil identificar o presidente russo com um tirano sedento de poder ilimitado, e absurdas as tentativas de compará-lo com Stalin ou Mussolini.

Também as teorias conspiratórias, defendidas principalmente por Litvinenko e Politkovskaya, e que muitos meios de comunicação ocidentais repetem credulamente, não resistem à força dos fatos: eles afirmavam que todos os ataques terroristas na Rússia na verdade foram tramados pelo presidente e seu entorno do FSB, que teria a intenção de manter uma guerra eterna no Cáucaso para perpetuar-se no poder (34). O eficaz combate ao terrorismo, a relativa estabilidade das repúblicas caucásicas e a escolha de Medvédev (um homem que nunca fez parte dos serviços de inteligência ou forças de segurança, e com fama de liberal) como sucessor de Putin são fatos que provam a vacuidade de tais teorias.

O sobrenome Putin está relacionado com o substantivo put’, que significa caminho, via. É também uma boa metáfora para descrever seu governo: o presidente não resolveu todos os problemas da Rússia (algo, aliás, impossível em tão pouco tempo), mas a colocou no caminho correto, pois durante os oito anos de seu governo os russos testemunharam a estabilização de seu país, o desenvolvimento da economia, a subida do nível de vida, e a recuperação de seu status de potência mundial. Quanto à democracia, houve alguns retrocessos pontuais, mas de maneira alguma pode ser considerado um retorno à era soviética, e no geral a Rússia continua avançando rumo a um grau maior de liberdade.

O anterior comissário para direitos humanos do Conselho da Europa chegou a esta mesma conclusão em 2004, ao afirmar que “a nascente democracia russa ainda está, obviamente, longe de ser perfeita, mas sua existência e seus sucessos não podem ser negados.” (35). O que ficou claro é que um país não se torna democrático instantaneamente, por decreto de um presidente, como pretendia Yeltsin, mas só através de um processo longo e demorado de criação de instituições fortes e independentes. Além disso, um país à beira da desintegração e da guerra civil, com a economia arruinada e a pobreza em aumento, como era a Rússia há menos de 10 anos, não poderia ser verdadeiramente democrático. A estabilidade, o desenvolvimento econômico e a melhora do nível de vida são também condições importantes para a democracia, e a Rússia afinal conseguiu adquiri-los nos últimos oito anos. É bem possível que dentro de aproximadamente uma década a Rússia seja já uma democracia plena e próspera, graças em grande parte a Vladimir Putin.

Carlo MOIANA

PRAVDA.Ru

BUENOS AIRES ARGENTINA

1- “Putin’s Performance in Office”, 2007, Russia Votes,

http://www.russiavotes.org/president/presidency_performance.php

2- Cidade na república do Daguestão, sul da Rússia, onde em 1996 foi assinado um acordo entre o governo central russo e os rebeldes tchetchenos, depois do fracasso da primeira guerra da Tchetchênia, que havia começado em 1994 e que não conseguiu retomar o controle sobre a república separatista. O governo central concordou em retirar suas tropas da república, dando-lhe independência de facto até 1999, quando iniciou-se a segunda campanha na região.

3- “Annual Address to the Federal Assembly of the Russian Federation”, President of Russia, 25-04-05,

http://kremlin.ru/eng/speeches/2005/04/25/2031_type70029type82912_87086.shtml

4- “Vladimir Putin laid flowers on the monument to the victims of the events of 1956, the eternal flame of the revolution”, President of Russia, 28-02-06,

http://www.kremlin.ru/eng/text/news/2006/02/102493.shtml

“Press Statements and Answers to Questions Following Russian-Czech Talks”, President of Russia, 28-04-07,

http://www.kremlin.ru/eng/text/speeches/2007/04/28/1208_type82914type82915_126308.shtml

5- “Talking with the Press after visiting the Butovo Memorial Site”, President of Russia, 30-10-07,

http://www.kremlin.ru/eng/speeches/2007/10/30/1918 _type82912type82915_149844.shtml

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