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Federação Russa

Oito anos de Putin na Presidência Russa: Um balanço

27.02.2008
 
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As relações com a “Velha Europa”, ou seja, os membros mais antigos e mais ricos da UE, são muito melhores. Mesmo países que recentemente elegeram líderes de direita que falaram mal da Rússia durante suas campanhas, como Alemanha e França, nãoalteraram sua política de cooperação e acercamento com Moscou. Esta lhes traz grandes benefícios, não apenas ao receber gás e petróleo russos, mas também com acordos nos setores de alta tecnologia, principalmente no aeroespacial: o grande orgulho industrial da UE, o Airbus 380, o maior avião de passageiros do mundo, possui partes projetadas e fabricadas na Rússia. E as agências espaciais russa e européia já estão trabalhando no projeto de uma missão tripulada conjunta à Lua.

Porém, existem dois pontos de conflito importantes com os países da “Velha Europa”: a independência da província sérvia de Kosovo (à qual a Rússia se opõe), e a recusa da Organização para Segurança e Cooperação na Europa a monitorar as eleições legislativas e presidenciais na Rússia alegando restrições a seu trabalho.

A Grã-Bretanha é um caso especial dentro da UE, pois se mantém afastada de muitas políticas do resto dos países e quase sempre apóia incondicionalmente os EUA, mesmo quando seus sócios europeus e sua população se opõem (como aconteceu com a decisão de participar da invasão do Iraque em 2003). As relações britânico-russas pioraram bastante desde que Londres deu asilo político a Boris Berezovski e Akhmed Zakayev. O primeiro é um empresário acusado de vários crimes econômicos não apenas na Rússia, mas também no Brasil, onde ele tem pedido de prisão decretada por lavagem de dinheiro envolvendo o clube de futebol Corinthians (29), e que afirmou estar planejando um golpe de estado para remover Putin do poder (30). O segundo é o “ministro do exterior da Ishkéria”, como os separatistas tchetchenos chamam seu país, acusado pela Rússia de estar envolvido com o terrorismo. A morte de Litvinenko e a recusa russa de extraditar Lugovoi pioraram ainda mais as relações.

No espaço ex-soviético, a Rússia é criticada pela suposta “guerra do gás”: segundo a imprensa e muitos políticos ocidentais, Putin aumentou o preço desta matéria-prima como punição pelo alinhamento de alguns países da Comunidade de Estados Independentes (CEI, a frágil organização que substituiu a URSS em 1992) com o ocidente (EUA, principalmente). Desde o fim da URSS, a Rússia vende petróleo e gás ao antigos países soviéticos a preços muito inferiores ao de mercado: o que significa que o estado e os empresários russos subsidiam essas economias. É verdade que a Ucrânia e a Geórgia tiveram mudanças de regimes recentemente, com apoio ocidental, o que pode parecer que haja uma relação entre os dois fatos; mas é difícil explicar porque o preço do gás vendido à Bielorússia também subiu – pois este país, sob o regime de Aleksandr Lukashenko, mantém relações econômicas e estratégicas muito próximas à Rússia, e é considerado pelos EUA e a UE como “a última ditadura na Europa”.

O aumento do gás tem outras causas: a primeira é que os russos não querem continuar subsidiando as economias de outros países; e a segunda é que exigiram aos russos que comecem a vender petróleo e gás a preços de mercado a todos os compradores, para autorizar seu ingresso na Organização Mundial de Comércio (a Rússia é o país mais rico que ainda não é membro do grupo das “economias de mercado”, uma situação claramente politizada, pois países como China e Vietnã entraram há vários anos). A Rússia nada mais está fazendo do que aplicar políticas de mercado, tanto aos consumidores internos quanto externos, e tanto a um país “amigo” (Bielorrússia) quanto aos “rivais” (Ucrânia e Geórgia). Na verdade, quem brandiu uma “guerra do gás” foram a Ucrânia e a Bielorrússia, ao cortar o gás que passa através de seus territórios da Rússia para a UE, envolvendo outros países em uma questão que não lhes diz respeito.

Os membros mais antigos da UE reconhecem tacitamente isso, ao apoiar política e economicamente os projetos russos de contrução de gasodutos e oleodutos sob os mares Negro e Báltico, que transportarão gás e petróleo diretamente da Rússia à Europa ocidental. As críticas de parte da imprensa européia sobre a “falta de confiabilidade” das exportações energéticas russas não têm fundamento: a construção destes caríssimos dutos submarinos prova que a Europa não teme um corte russo, mas sim aqueles países que podem usar os gasodutos que atravessam seus territórios como instrumento de pressão.

As relações com os Estados Unidos pioraram, mas apesar de tudo se mantiveram relativamente bem graças à empatia entre Putin e George W. Bush. Quando ocorreram os ataques terroristas contra os EUA em setembro de 2001, Putin foi o primeiro líder estrangeiro a transmitir suas condolências ao presidente norte-americano e oferecer ajuda na guerra contra o terrorismo, e Bush nunca se esqueceu disto. Até hoje as declarações pessoais do presidente norte-americano sobre seu colega russo são quase sempre entusiásticas.

A oferta russa não foi desinteressada, pois Putin pensava não apenas em beneficiar-se de laços mais próximos com os EUA, mas também legitimar a campanha tchetchena como parte da “guerra mundial contra o terrorismo”. Com base nesta nova aliança, a Rússia teve uma participação muito importante na derrocada dos Talibãs (o movimento islâmico radical afegão que controlava o país e dava abrigo a Osama Bin Laden, autor intelectual dos ataques terroristas nos EUA) no Afeganistão, enviando armas, alimentos, remédios e roupas à derruída Aliança do Norte (o movimento opositor ao Talibã que controlava uma pequena fração do norte do Afeganistão em 2001, e que em alguns meses conseguiu conquistar quase todo o país com ajuda da Rússia e da OTAN).

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