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Federação Russa

Oito anos de Putin na Presidência Russa: Um balanço

27.02.2008
 
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Rússia e China são os principais membros da Organização para Cooperação de Shangai, criada na década de 90, que tem também como membros plenos quase todos os países da antiga Ásia Central soviética (exceto o Turquemenistão), e como observadores a Índia, o Paquistão e o Irã. Estes países cooperam econômica e militarmente, e há planos de transformar a OCS em uma aliança militar e uma área de livre comércio.

Durante o governo de Putin, foram assinados importantes acordos com a China, dentre os quais se destacam dois: o de cooperação estratégica, que torna ambos países aliados econômicos e militares, válido por 20 anos; e o reconhecimento definitivo de fronteiras, eliminando o antigo temor russo de uma anexação forçada do sul da Sibéria por parte dos chineses. A Rússia também está diversificando suas exportações de petróleo e gás (até hoje dirigidas quase por completo aos EUA e Europa), construindo os primeiros oleodutos e gasodutos rumo à China e Japão. Por fim, a cooperação sino-russa é crucial para resolver o problema do programa nuclear norte-coreano, pois são os dois únicos estados que mantém boas relações com o isolado regime de Pyongyang.

A Índia também é um parceiro muito importante há várias décadas. Nos tempos da URSS, a Índia era o único país fora do Pacto de Varsóvia que recebia as armas mais sofisticadas. Hoje, a Índia não apenas compra as armas russas mais modernas, como também participa do desenvolvimento de algumas. Além disso, cooperam no setor nuclear, naval e espacial. Apesar de que os EUA buscaram aumentar o intercâmbio com Nova Delhi, até o momento a Rússia continua sendo o principal sócio em setores estratégicos.

A Rússia voltou a ter importância no Oriente Médio, graças a suas boas relações com a Síria, o Irã e a Autoridade Palestina. Algumas acusações, principalmente por parte dos EUA e de Israel, de que Moscou está armando países belicosos e terroristas (entenda-se Síria e Irã) e dando-lhes tecnologia nuclear, são completamente infundadas. As vendas de armas para Síria e Irã foram pequenas e limitadas a sistemas de defesa anti-aérea, que não podem ser usados em operações ofensivas. A cooperação atômica com o Irã se limita à construção de uma central nuclear para geração de energia, supervisada pela Agência Internacional de Energia Atômica, e que não pode ser utilizada para enriquecer urânio ou plutônio para a fabricação de armas nucleares. O Irã tem uma central de enriquecimento de urânio, cuja tecnologia foi obtida através do Paquistão, e a Rússia se opõe a esse programa (28). Seja como for, segundo as declarações da AIEA e até mesmo dos serviços de inteligência dos EUA (contradizendo o presidente George Bush), não há evidências de que o Irã esteja desenvolvendo armas nucleares.

A Rússia também retomou um pouco de espaço no continente africano, principalmente com vendas de armas e projetos de exploração mineral. Os principais sócios são a Líbia, a Argélia e Angola (onde as empresas russas são as principais companhias estrangeiras que exploram petróleo e diamantes).

As relações da Rússia com a América Latina são ainda muito pouco profundas. Em 2002 Putin fechou a última base militar russa em Cuba, afastando-se quase por completo deste país (provavelmente como um gesto de boa-vontade a Washington). Porém, se aproximou da Venezuela, que tem comprado muitas armas russas para substituir as norte-americanas, já que os EUA não lhes vendem mais peças de reposição. Também estão iniciando acordos para empresas russas começarem a explorar gás e petróleo. Por outro lado, as duas maiores economias da América do Sul, Brasil e Argentina, ainda têm muito poucas relações com a Rússia, e se resumem quase que apenas a exportação de carne.

As relações russo-européias pioraram desde a entrada de países ex-socialistas na União Européia em 2004 (Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Hungria, Lituânia, Letônia, Estônia, Eslovênia, Bulgária e Romênia). Embora haja exceções, muitos destes países têm uma agenda política fortemente anti-russa e tentam frear novos acordos.

Particularmente notável foi o caso da Polônia, que vetou um novo acordo de cooperação entre a União Européia e a Rússia porque esta suspendeu a importação de carne polaca devido a questões sanitárias: um tema bilateral que só pode ser resolvido pelos dois países envolvidos termina prejudicando os interesses de vários outros. Porém, Rússia e Polônia concluíram um acordo para a retomada das exportações de carne, e é possível que o veto polaco se levante. Além disso, a “Nova Europa” (como os neoconservadores estadunidenses se referem aos países do antigo bloco soviético) em geral está mais interessada em agradar a Washington que a Bruxelas – e a Polônia outra vez é um caso emblemático, pois aceitou a proposta estadounidense de instalar um sistema de defesa anti-mísseis dos EUA em seu território sem consultar seus vizinhos ou os demais membros da OTAN (a aliança miltar que envolve os EUA e quase todos os países da Europa), e muitas vezes critica valores comuns europeus, como o banimento da pena de morte.

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