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Federação Russa

Oito anos de Putin na Presidência Russa: Um balanço

27.02.2008
 
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o polônio 210) ainda está muito pouco esclarecido: as autoridades britânicas acusam o também ex-agente do FSB Andrei Lugovoi e pedem sua extradição. O acusado afirma ser inocente, e as autoridades russas alegam não ter evidências suficientes contra Lugovoi, e se negam a extraditá-lo afirmando que a constituição não permite. Existem várias hipóteses para a morte de Litvinenko: teria sido assassinado pelo governo russo, em represália pela sua deserção (esta parece ser a preferida da opinião pública ocidental); estaria envolvido com o crime organizado; queria fornecer material radioativo para um ataque terrorista no Cáucaso, e por acidente se contaminou; ou que foi envenenado pelo empresário (também exilado em Londres) Boris Berezovski, para manchar a reputação de Putin.

Porém, não há provas para sustentar qualquer uma delas. A viúva de Litvinenko disse que vai acusar o governo russo do assassinato de seu marido; com a completa falta de evidências, nenhum tribunal minimamente imparcial aceitaria sequer abrir um tal processo. Não sabemos quem matou Litvinenko, mas cabe fazer uma pergunta pertinente: para que o governo russo montaria uma operação complexa, cara e muito arriscada, só para matar um ex-espião que já tinha revelado há vários anos todos os segredos que conhecia? É difícil imaginar o que ganhou o Kremlin com a morte de Litvinenko.

O processo pelo assassinato da jornalista opositora Anna Politkovskaya, ocorrido em Moscou e cuja investigação depende unicamente das autoridades russas, está bem mais avançado, embora ainda não completamente resolvido. Politkovskaya criticava duramente Putin, principalmente pela segunda guerra na Tchetchênia, e foi morta dentro do seu edifício, em outubro de 2006. Há 10 detidos, suspeitos de participar do crime, entre eles um oficial do Departamento de Combate ao Crime Organizado e um tenente-coronel do FSB.

O jornal independente (e muito crítico do Kremlin) onde Politkovskaya trabalhava, Novaya Gazeta, realizou investigações paralelas e afirmou coincidir com as da Procuradoria russa. Afirmou, porém, que o autor intelectual do crime ainda não foi encontrado, e criticou a rapidez com que a Procuradoria revelou informações ao público, prejudicando o andamento da investigação (24). Porém, as autoridades russas podem ser facilmente excusadas deste erro, pois se encontram sob forte pressão internacional para resolver o caso o mais rápido possível, e provar que nenhum alto membro do governo está envolvido.

O ocidente também critica duramente o mandatário russo por restringir o trabalho das organizações não governamentais (ONGs) em seu país; eliminar a independência do judiciário; tomar controle dos meios de comunicação; e nomear governadores das regiões e repúblicas, que deveriam ser autônomas. Porém, Nicolai Petro, um acadêmico e ex-funcionário do Departamento de Estado durante a gestão de George H. W. Bush (1989-1993), rebate estas críticas, e afirma que na verdade nenhuma delas tem fundamento: é difícil falar em restrição em um país cujo número de ONGs em funcionamento passou de 100.000, no ano 2000, a 600.000 em 2007. Quanto à suposta falta de independência do judiciário, Petro mostra que 71% das ações movidas por cidadãos contra o estado são ganhas por aqueles, e que a população cada vez mais usa a justiça para resolver conflitos – um sinal de confiança no sistema. A maioria dos meios de comunicação russos são independentes, sendo que a participação do estado nos meios impressos é de apenas 10%, nos eletrônicos quase inexistente, e é importante apenas na televisão, embora também existam emissoras privadas de alcance nacional, tanto abertas quanto por cabo.

Por fim, quanto ao sistema de nomeação dos governadores de repúblicas e regiões autônomas, funciona desde 2004 da seguinte maneira: depois das eleições legislativas, os partidos que ganharam assentos no parlamento enviam os nomes de seus candidatos a uma comissão presidencial, que os revisa (principalmente para detectar casos de corrupção grave ou envolvimento com crime organizado, que ainda são comuns nas autoridades locais) e, com seu aval, quase sempre se nomeia governador o membro do partido que obteve o maior número de votos (25). Sem dúvida é uma medida que reduz a autonomia local, mas de maneira alguma é uma nomeação arbitrária por parte do presidente, uma vez que o processo depende mais que nada do parlamento e dos eleitores locais.

Por fim, muito se diz sobre a “escalada militar russa” durante o governo de Putin. Realmente, houve um aumento importante dos gastos com defesa, e finalmente a Rússia conseguiu reverter o declínio que suas forças armadas estavam sofrendo desde o final da URSS. Mas não se pode falar em “escalada militar”, porque o crescimento dos gastos com defesa tem acompanhado o da economia, e a proporção gastos militares/PIB tem se mantido estável, entre 2,5% a 2,8% (26). Por outro lado, os EUA gastam muito mais não apenas em valores absolutos, mas também em relação ao PIB: 4,06% (27). A Rússia não está voltando aos tempos da guerra fria nem pretende fazê-lo, consciente dos graves problemas que os imensos gastos militares soviéticos causaram à economia do país.

Política externa

Em quanto a política externa, Putin tem como objetivo reinsertar a Rússia como potência mundial, e a recuperação econômica tem permitido alcançar este fim. Segue um breve resumo de como evoluíram as relações da Rússia com diferentes países nos últimos oito anos.

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