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Federação Russa

Oito anos de Putin na Presidência Russa: Um balanço

27.02.2008
 
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Há poucos anos, não se acreditava que fosse possível a pacificação e estabilização da Tchetchênia, que declarou sua independência da Rússia pouco depois do fim da URSS. Depois de ter sido incapaz de derrotar os separatistas na campanha que durou de 1994 a 1996, as forças armadas russas se retiraram da região e deixaram a questão da independência para ser resolvida no futuro. Embora não de jure, a Tchetchênia então se tornou independente de facto, e neste ínterim caiu cada vez mais sob a influência de radicais islâmicos.

Quando Putin assume como primeiro-ministro, em agosto de 1999, a situação no Cáucaso recrudesce: guerrilheiros tchetchenos saem de sua república e invadem o vizinho Daguestão, também parte da Rússia, tentando tirar todo o Cáucaso Norte da federação. No mês seguinte, em um período de apenas 2 semanas, quatro edifícios residenciais são explodidos nas cidades de Moscou, Buynaksk e Volgodonsk, matando mais de 300 pessoas. Começa então a segunda campanha na Tchetchênia que, contra todos os prognósticos, teve um êxito importante: conseguiu desarticular por completo o movimento separatista, tornou-o incapaz de resistir ao avanço das tropas e conseguiu controlar quase todo o território, com baixas militares e civis menores que as da primeira campanha.

O sucesso de Putin em eliminar a guerrilha tchetchena fez com que esta, incapaz de resistir às forças armadas russas, passasse a utilizar cada vez mais ataques terroristas contra civis e fora da região em conflito. O presidente cometeu o grave erro (tanto mais grave considerando que ele fez parte dos serviços de inteligência) de não preparar-se para tal eventualidade, e no período entre 2002 e 2004 a Rússia sofreu uma série de ataques terroristas, cujos mais terríveis foram o seqüestro do teatro Dubrovka (129 reféns mortos), a bomba na saída de uma estação do metrô em Moscou (40 mortos), dois aviões de passageiros explodidos no ar quase no mesmo instante (89 mortos) e o mais brutal de todos, o seqüestro da escola em Beslan (334 reféns mortos, incluindo 186 crianças).

Foi só a partir daí que a Rússia iniciou com atividades de inteligência para identificar, rastrear e eliminar os principais dirigentes dos separatistas e terroristas no Cáucaso, e também nisso teve êxito: Em março de 2005, tropas especiais russas mataram o auto proclamado presidente separatista tchetcheno, Aslan Maskhadov, em junho de 2006 mataram seu auto proclamado sucessor, Abdul Khalim Saydulayev e, no mês seguinte, o mais sanguinário dos líderes terroristas, o responsável pelos piores ataques – Shamil Basayev.

Hoje a Tchetchênia está quase totalmente reconstruída (6, como reconheceu o comissário de direitos humanos do Conselho da Europa, Thomas Hammarberg), relativamente estável e mais pacífica do que seria possível imaginar há poucos anos. No ano passado, mais de 600 guerrilheiros não envolvidos em atividades terroristas depuseram suas armas e foram anistiados (7). Porém, ainda existem escaramuças entre rebeldes e forças de segurança, enquanto a situação nas vizinhas repúblicas da Ingushétia e do Daguestão piorou bastante no ano passado, com o aumento dos ataques contra as forças de segurança e a população de etnia russa. Também existem denúncias de abusos de poder, tortura e seqüestros por parte das forças de segurança, principalmente as regionais (6). A situação do Cáucaso Norte, embora tenha melhorado, ainda está longe de ser satisfatória.

Por outro lado, a economia foi um setor plenamente bem-sucedido do governo de Putin. Até muitos dos que o criticam reconhecem o notável avanço da Rússia: o PIB cresceu uma média de 6,7% anuais desde 1998 (8), sendo em 2007 a 9ª economia do mundo (9). O país passou de deficitário a detentor da 3ª maior reserva internacional de dólares do mundo (10. US$ 463 bilhões em novembro de 2007, atrás apenas dos gigantes Japão e China)

O crescimento não se deve exclusivamente ao petróleo, como muitos crêem. Embora esta matéria-prima seja o principal produto de exportação (11. A Rússia é o segundo maior exportador de petróleo, depois da Arábia Saudita), a economia está se diversificando: em julho do ano passado, a produção industrial russa cresceu 12,5% em um período de 12 meses, enquanto a produção mineral apenas 1,5% (12). Setores de alta tecnologia começam a desenvolver-se: por exemplo, em 2006 as exportações de software chegaram a US$ 1,5 bilhão, enquanto em 2001 foram de 128 milhões (13). O estado vai investir US$ 5,8 bilhões até 2025 para modernizar a indústria eletrônica (14), e US$ 7,7 bilhões até 2015 para desenvolver o setor de nanotecnologias (15). Algumas indústrias militares, que conseguiram contratos bilionários de exportação, também começam a diversificar sua produção para o ramo civil: a fabricante de aviões de combate Sukhoi apresentou no ano passado um novo avião de passageiros, desenvolvido com a participação de empresas européias e norte-americanas, e pretende conseguir pelo menos 10% do mercado mundial (16).

O forte crescimento e o desenvolvimento de setores com maior valor agregado tiveram um reflexo nas condições de vida: o índice de pobreza baixou de 30% da população, em 1999, a 17% em 2007 (17). Este índice está longe dos países de maior nível de vida, mas mostra um rápido progresso.

O único problema econômico sério que afeta a Rússia é a inflação, que foi maior que 11% em 2007, quando não deveria superar 8%, segundo as metas do governo (18).

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