Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Lavrov: A Prioridade é Diálogo entre as Civilizações

Reproduzimos extractos da reunião entre Sergei Lavrov, Ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, com jornalistas em Moscovo no dia 20 de Dezembro, que reportou sobre o ano de 2006 quando a Rússia presidiu no G8, na Organização de Cooperação Económica do Mar Negro, o Conselho do Árctico e a Comissão de Ministros do Conselho da Europa.

Relativamente ao papel da Rússia nos assuntos internacionais, Sergei Lavrov disse que “Estamos felizes que a situação na Rússia e suas acções nos assuntos internacionais atraem a crescente atenção de jornalistas e cientistas políticos quer no nosso país, quer fora,” acrescentando que “Naturalmente, nós não impomos nem iremos impor em qualquer pessoa os nossos pontos de vista acerca dos eventos relacionados com a Rússia e nossa política externa. Francamente, não nos iremos envolver em guerras de informação, mesmo que estejamos provocados de vez em quando, nem utilizaremos a ‘retórica do megafone’ mas claro que iremos continuar a tentar ir ao encontro da procura legítima de informação objectiva acerca da Rússia e nossa política externa”.

Para o Ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, o ano de 2006 “não foi fácil” porém é evidente que “o papel do factor russo nas relações internacionais cresceu consideravelmente”. Isso se deve ao fortalecimento das instituições russas e o facto que a Rússia conseguiu definir com certidão o desenvolvimento dos eventos, entendendo que as relações internacionais devem basear-se numa abordagem colectiva, uma posição “apoiada, infelizmente, entre outras coisas pela experiência triste da resposta baseada em unilateralismo responsável pelo custo de vítimas sem conta”.

Sergei Lavrov realçou a importância do trabalho da Rússia este ano, identificando como prioridade “a promoção de um diálogo entre as civilizações,” sendo esse o preceito fundamental da abordagem de Moscovo como Presidente da Comissão de Ministros do Conselho da Europa (criar uma Europa sem linhas divisórias, aumentar a autoridade do Conselho, promover práticas democráticas e o envolvimento da sociedade civil) e no Conselho do Ártico (desenvolvimento sustentável da região).

G8

“O resultado chave do nosso trabalho com os parceiros no G8 foi conseguirmos um verificado equilíbrio de interesses” relativamente à segurança energética, definindo responsabilidades mútuas entre fornecedores, consumidores e agentes transitários. O fortalecimento do esforço conjunto no combate contra o terrorismo nuclear também foi resultado da reunião de São Petersburgo. As outras áreas de destaque foram a educação e o combate contra doenças infecciosas.

CEI

A principal área de actividade na Comunidade dos Estados Independentes (ex-URSS menos os três estados bálticos) foi uma continuação do processo de reforma, no sentido de adaptar às novas realidades. Os resultados tangíveis foram traduzidos pelo estabelecimento do conselho e um fundo para actividades humanitárias nestes 12 estados. Enquanto que a Rússia esteja globalmente satisfeita com as suas relações com a Ucrânia (e seu PM, Viktor Yanukovich) e a normalização nas relações com Moldova está em curso, para Moscovo, “nós não conseguimos ver quaisquer abordagens realísticas da parte de Tblisi (Geórgia) relativamente às suas relações com a Rússia” porem talvez a questão seja uma de mentalidade, referiu o MRE russo.

U.E.

Este ano teve lugar a primeira reunião informal entre o Presidente da Federação Russa e os 25 Chefes de Estado dos países membros da União Europeia na Cimeira de Helsinki. Na agenda está a preparação de um novo Acordo sobre Parceria e Cooperação. A parte russa está já preparada e espera a resposta da Comissão da U.E. para providenciar um mandato para negociação.

“Temos um interesse numa União Europeia mais forte,” que fala com uma só voz, disse o MRE da Federação Russa.

Brasil, Rússia, Índia, China

2006 foi o Ano da Rússia na RP China em que “acima de 300 eventos significativos” tiveram lugar. 2007 marca o Ano da RP China na Rússia. Em 2006 também tiveram lugar a primeira Cimeira RCI (Rússia, China, Índia) e a primeira Reunião BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China).

América Latina

“Conseguimos dar um novo ímpeto à nossa interacção com os países latino-americanos,” descritos por Sergei Lavrov como “uma região prometedora”. O MRE da Federação Russa realçou o estabelecimento de um processo de diálogo político entre Moscovo e MERCOSUL e a realidade de alargar relações comerciais e económicas no próximo futuro.

“Considero que nossas relações com os países latino-americanos são muito positivas. Temos mecanismos com muitos países nesta região, incluindo Cuba, para o desenvolvimento de um processo de diálogo político” que foram implementados recentemente juntamente com associações de integração, disse Sergei Lavrov, acrescentando que “Eu vejo grandes perspectivas” no desenvolvimento de interesses entre a Rússia e a América Latina.

África

A visita do Presidente Putin a África do Sul e Marrocos “simbolizou as relações russas com estados africanos, que atinge um novo nível qualitativamente.” Sergei Lavrov também visitou vários estados africanos e Moscovo recebeu alguns líderes africanos em clima de desenvolvimento de laços bilaterais.

O Médio Oriente

“Rússia foi sempre activa nos esforços para conseguir um acordo” no Médio Oriente que providencia um acordo definitivo para os interesses árabes e israelitas. Como membro do Quarteto, é essa a posição da Federação Russa. Para Sergei Lavrov, qualquer acordo deve passar por ouvir a Síria e o Líbano, país onde a situação actual cria “grave preocupação”. Relativamente ao equilíbrio entre Damasco e Líbano, a Rússia apoia os esforços da Liga de Estados Árabes.

Irão

O trabalho da troika da U.E., Rússia, os EUA e RP China foi realçado por Sergei Lavrov, que apontou que em Janeiro passado, Presidente Vladimir Putin ofereceu estabelecer centros de tratamento de material nuclear na Rússia, para que países como o Irão pudessem seguir programas nucleares para fins pacíficos sem colocarem qualquer eventual risco à comunidade internacional através do desenvolvimento de material com graduação para armas. Para a Rússia, “precisamos de tentar resolver todos os assuntos relacionados com o programa nuclear do Irão através de negociações e esforços diplomáticos”

Um olhar para o futuro

Para Sergei Lavrov, embora que passaram já 15 anos desde o fim da Guerra Fria, permanecem os estereótipos e é preciso uma boa vontade colectiva para podermos todos seguir em frente. A comunidade internacional deveria ver que “uma Rússia forte que ganhou confiança outra vez não é um desafio mas sim uma oportunidade de desenvolver uma cooperação internacional de larga escala que traz benefícios mútuos”.

“Sabemos que há aqueles que ficam surpreendidos, e que até acham desagradável, ao verem a rápida recuperação da Rússia, a restauração das suas capacidades como um líder mundial,” contudo “estamos abertos a colaboração com todos,” disse Sergei Lavrov, que apontou que “a Rússia só vai cooperar na base de igualdade, respeito mútuo pelos interesses e benefícios bilaterais”. Por esta razão, a Rússia se opõe firmemente “a qualquer re-militarização” ou mudança de ideais no equilíbrio actual existente na comunidade internacional.

Para Moscovo, as relações internacionais no futuro devem ser baseadas “numa base multilateral que respeita a lei com mais envolvimento da parte da sociedade civil, das ONGs, dos média, académicos e o sector corporativo.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

PRAVDA.Ru

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