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Por que o cacique Raoni Metuktire deve ganhar o Nobel da Paz

05.10.2020 | Fonte de informações:

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Por que o cacique Raoni Metuktire deve ganhar o Nobel da Paz

Povos da floresta retomam campanha pela entrega do Nobel da Paz ao cacique Kayapó, símbolo de resistência indígena. Resultado deve sair no dia 9/10

 

O cacique Raoni Metuktire, que dedicou sua vida à defesa da Amazônia e dos povos da floresta, está na lista de concorrentes ao Nobel da Paz em 2020. A organização deve anunciar o vencedor no dia 9 de outubro. Em meio a diversos ataques aos direitos humanos e territoriais e à crescente pressão e ameaça sobre Terras Indígenas e Unidades de Conservação, os povos da floresta retomaram a campanha de apoio ao nome do cacique.

Assista ao vídeo e apoie a campanha

Bepkrakti, mais conhecido por Raoni Metuktire, é reconhecido por indígenas e ribeirinhos como um dos principais representantes da luta pela preservação da floresta e dos povos amazônicos e dedicou sua vida a defesa da vida e dos territórios desses povos.

Da aldeia Kraimopry-yaka, onde nasceu, o cacique rodou o mundo pedindo paz. Em 2019, o presidente francês, Emmanuel Macron, recebeu na residência oficial o líder Kayapó e assegurou o apoio da França na luta pela proteção da biodiversidade e pelos direitos dos povos da floresta. Ainda no mesmo ano, o Papa Francisco recebeu o cacique no Vaticano, e afirmou seu apoio na luta de Raoni contra a devastação da Amazônia.

Nos últimos anos, Raoni passou a ser atacado diretamente pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas ainda assim continuou espalhando sua mensagem de paz, respeito, proteção das florestas e dos modos de vida dos povos indígenas. Aos 90 anos, o cacique sobreviveu três grandes desafios: a morte de sua esposa, Bepkwyjka, em junho deste ano; uma infecção intestinal e a contaminação pela Covid- 19.

São muitos os motivos pelos quais o cacique Raoni, e toda sua história de luta, devem ser reconhecidos pelo #NobelDaPaz. Listamos nove! Confira:

1. Raoni é uma das mais importantes lideranças indígenas do Brasil! Sua trajetória de luta pelo seu e outros povos é antiga: em 1971, liderou a resistência contra a BR-080 (conhecida hoje como a MT-322) e, desde sempre, esteve à frente das lutas pela demarcação da TI Capoto Jarina.

2. Raoni foi um dos principais nomes nas mobilizações dos povos indígenas por direitos durante a Assembléia Constituinte (1987-88). As discussões do Capítulo dos Índios na Constituição Federal contaram com a participação ativa e essencial do cacique Kayapó.

Da esq. para dir. Teseya Panará, Kanhõc Kayapó, Raoni e Tutu Pombo Kayapó durante negociações do capítulo dos índios na Constituinte

3. Raoni sempre dialogou com líderes e políticos globais em defesa da #Amazônia e dos povos indígenas! De Juscelino Kubitschek ao então rei Leopoldo III da Bélgica, dos papas João Paulo II e Francisco a Emmanuel Macron, o cacique levou a causa indígena para o mundo.

4. Em 1987, Raoni alcançou notoriedade internacional ao participar da conferência da Anistia Internacional, em São Paulo. Lá, ganhou o apoio do cantor inglês Sting para a homologação da Terra Indígena Kayapó.

Após o encontro, ele e Sting saíram em turnê mundial para denunciar a destruição da floresta e o descaso do governo brasileiro com os índios. Eles voltaram a se encontrar em 2017, em São Paulo.

Raoni e Sting se unem para pedir demarcação das terras kayapó, em show promovido pela Anistia Internacional

5. Raoni esteve à frente de várias mobilizações contra Kararaô, a atual hidrelétrica de #BeloMonte, como o 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em 1989. Feroz opositor, o cacique segue denunciando as violações aos direitos humanos e ambientais provocados pela usina.

6. Em 2001, os Kayapó, sob a liderança do Cacique Raoni, fundaram o Instituto Raoni, cuja a prioridade era a demarcação dos territórios Kayapó, que estavam sendo ameaçados por invasões.

7. Diante dos ataques de Bolsonaro, o cacique Raoni continuou espalhando sua mensagem de paz, respeito e proteção das florestas e dos modos de vida dos povos indígenas. "Minha luta é pelo futuro e pelo presente de todos vocês", disse.

8. Raoni é exemplo de luta para o seu e outros povos! Em janeiro, cerca de 600 lideranças atenderam ao chamado do cacique e uniram suas vozes no histórico Encontro dos Povos Mebêngôkre, em defesa da terra e dos direitos indígenas."Não vou desistir, vou continuar até quando o meu corpo resistir," disse durante o Encontro dos Povos Mebêngokrê. "Enquanto o indígena tiver ameaçado, eu vou pedir a paz". [Saiba mais: https://isa.to/2sPXR2w]

9. Raoni é sinônimo de resiliência! Recentemente, o cacique sobreviveu à três grandes desafios: a morte da sua esposa, Bekwyiká, uma infecção intestinal e um quadro de #Covid19. Aos 90 anos, Raoni segue firme e forte, sempre buscando a paz!

Raoni Metuktire no Encontro dos Povos Mebêngôkre, realizado em janeiro de 2020

Raoni Metuktire

Xingu

Victória Martins e Silia Moan

ISA

 

https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/por-que-o-cacique-raoni-metuktire-deve-ganhar-o-nobel-da-paz

N3

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Tempo de Problemas na Transcaucásia (3/3) 
4/10/2020, MK Bhadrakumar, Indian Punchline


Legenda: Mulheres e crianças leem num abrigo antiaéreo, em Stepanakert, Alto Carabaque, 1/10/2020


Ver também

 - Tempo de Problemas na Transcaucásia (1/3)
1/10/2020, MK Bhadrakumar, Indian Punchline (trad. Blog Bacurau Homenagem ao Filme)

 - Tempo de Problemas na Transcaucásia (2/3)
3/10/2020, MK Bhadrakumar, Indian Punchline (trad. Blog Bacurau Homenagem ao Filme)

 

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"Idealmente, a Rússia precisa encontrar um equilíbrio entre Armênia, aliado estratégico, e Azerbaijão, parceiro estratégico.

É aqui que entra em cena o papel do Irã nessa questão - e Teerã tem conseguido manter laços amigáveis com os três estados da Transcaucásia."

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Círculo de giz caucasiano

EUA e Rússia estão cada vez mais na mira um do outro no cenário global, seja no Ártico, no Mar Negro ou no Oriente Médio. Mas deram-se as mãos com entusiasmo, para assumir posição comum no conflito no Alto Carabaque [ing. Alto Carabaque]. É movimento patentemente carregado contra a Turquia.

Dia 2 de outubro, em reunião de trabalho organizada às pressas em Genebra, o secretário do Conselho de Segurança Nacional da Rússia, Nikolai Patruchev, e o Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Robert O'Brien, discutiram questões em particular - numa tentativa de normalizar as relações bilaterais e fortalecer a segurança internacional. É a primeira vez que os dois principais funcionários da segurança nacional encontram-se, nos últimos dois anos.

O Kremlin tem observado com consternação as intervenções da Turquia na Síria e na Líbia. A Rússia sente-se impotente ante a ocupação turca do norte da Síria, e obrigada a aceitar a ajuda de Ancara para estabilizar o noroeste da Síria. Na Líbia, ambos respectivos grupos 'por procuração' lutam pelo controle.

Também há muita frustração nas capitais ocidentais com as políticas islâmicas e de neo-otomanismo da Turquia, com a intervenção militar na Líbia e movimentos provocativos no Mediterrâneo Oriental. As potências ocidentais e a Rússia agora têm uma rara oportunidade de prender o presidente Recep Erdogan dentro de um círculo de giz caucasiano de caos e oportunidade.

Mas ainda não se pode saber até onde terão sucesso. Erdogan mostrou ser jogador de magistral habilidade. Especialistas de Moscou afirmam que os atuais acontecimentos na Transcaucásia não afetam realmente os interesses de segurança russos nem seu projeto de Parceria da Grande Eurásia.

Mas o sistema de segurança russo deve estar infernalmente preocupado. Apenas dois dias antes da erupção do conflito no Alto Carabache, o chefe da inteligência da Rússia, Sergei Narychkin, incluiu a Geórgia na lista de países dos quais CIA, Pentágono e Departamento de Estado dos EUA vêm treinando ativistas, com os métodos mais sujos, para balançar o barco na Bielorrússia. (Narychkin é colaborador próximo do presidente Putin.)

Agora, com o sucesso das revoluções coloridas na Geórgia e na Armênia, o Azerbaijão é a única parte da Transcaucásia que permanece fora da "esfera de influência" dos EUA. Alguns protestos surgiram em Baku no passado, mas a liderança azeri conseguiu esmagá-los.

Ao contrário da França ou dos EUA, a Turquia não é novata na política do Cáucaso. O moderno estado turco sob Ataturk deu as costas ao Cáucaso e impôs seu novo credo de que o Islã e a herança imperial só levaram ao atraso e restringiram a modernização da Turquia.

No entanto, após o colapso da União Soviética em 1991, a Turquia começou a redescobrir seus rompidos laços históricos, étnicos, culturais, linguísticos e religiosos com o Cáucaso (e a Ásia Central). Com o recuo do "Kemalismo" na Turquia, Erdogan mudou-se para política mais proativa e independente nas regiões que tradicionalmente foram parte do espaço otomano.

Assim, os laços fraternos com o Azerbaijão (país de língua turca) transformaram-se em aliança estratégica. A Turquia tornou-se provedor de segurança e garantidor da estabilidade. Turquia e Azerbaijão também estão envolvidos em vários projetos conjuntos de energia e programas de infraestrutura (por exemplo, a ferrovia Baku-Acalcalaki-Tbilisi-Kars.)

A diáspora caucasiana também é fator importante. Cerca de 10% da população da Turquia é de origem caucasiana - refugiados que fugiram do avanço da Rússia czarista, que hoje constituem eleitorado político muito influente, bem representados no exército turco, no parlamento, na mídia etc.

As apostas são altíssimas no tabuleiro de xadrez da Transcaucásia; para citar algumas: avanço da OTAN no Mar Negro; petróleo do Cáspio; a volatilidade da região do Norte do Cáucaso (o "baixo ventre macio", ponto fraco, da Rússia); a comunidade étnica da minoria azeri do Irã; presença israelense, etc.

As tensões em torno da Transcaucásia serão sentidas na situação síria. Turquia e Rússia não veem sob as mesmas lentes o assentamento na Síria. Moscou e Ancara também buscam oportunidades para fortalecer a respectiva posição como superpotência regional no Oriente Médio e na região do Mar Negro.

Como se não bastasse, os conflitos não resolvidos na região da Transcaucásia também incluem a situação na Abcásia[1] e na Ossétia do Sul, que podem parecer relativamente calmas a partir de agora, graças à contenção que a Geórgia mostrou ao não iniciar quaisquer ações para recuperar a integridade territorial que a Rússia violou na Guerra Russo-Georgiana em agosto de 2008.

Mas o revanchismo russo fortaleceu os laços de Tbilisi com EUA, OTAN e UE. A rota pró-ocidente da Geórgia estabelecida por Mikhail Saakashvili (após a 'revolução colorida' em 2003) tornou-se irreversível. Simplificando, a Transcaucásia ainda é em grande medida trabalho em andamento, no quadro da rivalidade geopolítica entre Rússia e EUA.

Rota de colisão russo-turca?

As tensões continuaram a ferver, apesar da mudança no foco da atenção, para eventos no Donbass da Ucrânia e para a anexação da Crimeia pela Rússia. EUA ainda defendem o pluralismo da energia na Transcaucásia, ou seja, que se encontrem maneiras alternativas para fornecer petróleo e gás à Europa, bem como criar uma plataforma para conduzir sua política para conter as ambições de Teerã e Moscou. Da mesma forma, a segurança das sete repúblicas russas do Norte do Cáucaso (muçulmanas) não pode ser isolada efetivamente da situação na vizinhança transcaucasiana, ao sul.

É verdade que o impacto da crise na Ucrânia está longe de se esgotar, e a competição entre os dois processos de integração - da Europa e da Eurásia -, só se intensificará na região da Transcaucásia. A Geórgia optou por entrar em acordos de livre comércio com a União Europeia. A Armênia, ao contrário, decidiu aderir à União Econômica da Eurásia, apoiada por Moscou.

Mas o Azerbaijão até agora tentou equilibrar vários projetos de integração, e o conflito atual tornou-se momento decisivo. Armênia e Azerbaijão têm escolhas a fazer. Provavelmente verão a integração como ferramenta adicional para obter vantagem em seu conflito étnico e político brutal.

A crise na Ucrânia também levou OTAN e Geórgia a intensificarem contatos. O roteiro traçado pelos EUA trouxe a OTAN para o Mar Negro, onde em tempos recentes está consolidando uma presença militar para desafiar o domínio histórico da Rússia na região.

Em 29 de setembro, após conversas na sede da OTAN em Bruxelas com o primeiro-ministro visitante da Geórgia, Giorgi Gakharia, o secretário-geral da aliança Jens Stoltenberg descreveu a Geórgia como - um dos parceiros mais importantes da OTAN e referiu-se à estreita cooperação para a Segurança do Mar Negro. Gakharia respondeu que "Vemos a segurança do Mar Negro como janela de oportunidade para a Geórgia, para aprofundar a cooperação com a OTAN."

Da perspectiva ocidental, portanto, qualquer desfecho da entente turco-russa devido ao conflito no Alto Carabaque será como inesperado maná. Analistas ocidentais esperam que venham à tona contradições latentes na entente turco-russa.

Paradoxalmente, as ações atuais da Turquia no Cáucaso, que muitas vezes são interpretadas como elemento de sua política externa, também têm potencial para se transformar, como parte do esforço ocidental para expandir sua pegada regional na Eurásia e completar o arco de cerco em torno da Rússia.

Assim, EUA e seus aliados da UE sempre apoiaram a cooperação trilateral entre Turquia, Azerbaijão e Geórgia. A influente estrategista americana especialista em Rússia, Fiona Hill escreveu em relatório da Brookings em 2015 ("Redesenhando o Círculo Caucasiano: Considerações e limites do engajamento de EUA, UE e Turquia no Sul do Cáucaso", Retracing the Caucasian Circle: Considerations and limit to US, EU, and Turkey Engagement in the South Caucasus), que Washington e seus aliados consideravam a Turquia como parte do Ocidente, ao lado da UE e dos EUA na diplomacia regional, e que as ações da Turquia no sul do Cáucaso seriam parte da agenda ocidental.

Na verdade, a Turquia compartilha interesses com a Geórgia (e a Ucrânia) e estão trabalhando juntos em projetos de gasodutos de energia. As empresas turcas estão ativamente envolvidas em ambos os países. Em termos gerais, Ancara agiu em conjunto com a OTAN, ao mesmo tempo em que perseguia suas ambições regionais na Geórgia e na Ucrânia.

Fato é que o Azerbaijão tem relacionamento conturbado com os EUA e há muito vê a Rússia como contrapeso.

Idealmente, a Rússia precisa encontrar um equilíbrio entre Armênia, aliado estratégico, e Azerbaijão, parceiro estratégico.

É aqui que entra em cena o papel do Irã nessa questão - e Teerã tem conseguido manter laços amigáveis com os três estados da Transcaucásia. O Irã é ator regional único, com política externa verdadeiramente independente e desprovido de qualquer antigo impedimento imperial.

O Irã está fundamentalmente vinculado ao princípio de que conflitos como o do Alto Carabaque devem ser resolvidos sem a interferência de atores de fora da região. Sua posição está mais próxima da posição da Rússia, do que da posição da Turquia. Mas o dilema da Rússia parece ser que ela hesita em romper o status quo existente na Transcaucásia, até que resolva as questões da Síria e da Ucrânia.

O envolvimento ativo de Ancara no conflito do Alto Carabaque provocou o lobby armênio no Congresso dos EUA, bem como na Europa (principalmente na França). Em algum momento no futuro, a crise na Transcaucásia poderá abrir as portas para um envolvimento mais ativo dos EUA e da UE, inclusive por meio de operação de manutenção da paz.

Em termos imediatos, o risco está na pressa indecorosa do Azerbaijão para criar novos fatos em campo. O número crescente de incidentes na linha de contato ao longo da fronteira com a Armênia (fora de Alto Carabaque) pode levar a algum ponto de incandescência e forçar Rússia ou Turquia a alguma ação unilateral. O Irã advertiu contra esse risco.

 

 


[1] CORREIA, Paulo, Outono de 2008. "Geografia do Cáucaso", pág. 10-13 (PDF). Sítio web da Direcção-Geral da Tradução da Comissão Europeia no portal da União Europeia. A Folha - Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias (n.º 28), pp. 11-13. ISSN 1830-7809. Consultado em 1/10/2020 [NTs].

 

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