Geólogos britânicos e pesquisadores da Universidade de Oslo identificaram um complexo vulcânico massivo sob as águas da Baía de Wash, no leste da Inglaterra. O estudo revela que, há cerca de 454 milhões de anos, a região foi palco de uma erupção cuja potência é comparável à detonação simultânea de milhares de bombas de hidrogênio.
A descoberta altera a compreensão sobre a atividade tectônica da região, provando que a crosta sob a atual Inglaterra foi moldada por processos muito mais agressivos do que se imaginava. O evento não foi apenas um fenômeno local, mas um episódio de escala planetária capaz de alterar a composição da atmosfera e depositar camadas de sedimentos em vastas extensões territoriais.
A identificação do sistema ocorreu após a análise de amostras de rochas coletadas em furos de sondagem em Lincolnshire e Norfolk. Embora os pontos de coleta estejam distantes 65 quilômetros entre si, as rochas vulcânicas encontradas são idênticas, confirmando a existência de um único sistema magmático. Estima-se que o supervulcão tenha lançado até mil quilômetros cúbicos de material na estratosfera, o que, nos dias atuais, poderia provocar um "inverno vulcânico".
O rastro dessa atividade, conhecido como tefra (cinzas vulcânicas), estendeu-se muito além das fronteiras britânicas. Camadas de xisto vulcânico cinza-esverdeado foram detectadas na Baltoscândia — região que abrange os atuais países escandinavos e os Estados Bálticos. A localização da fonte dessas cinzas resolve um enigma geológico antigo sobre a origem desses sedimentos no período Ordoviciano.
Utilizando a datação por urânio-chumbo em cristais microscópicos de zircão, o pesquisador Tim Farrow determinou a cronologia de duas erupções sucessivas com alta precisão: a primeira ocorreu há 454,4 milhões de anos e a segunda, aproximadamente 700 mil anos depois, há 453,7 milhões de anos. Essa periodicidade indica que o foco magmático permaneceu ativo por um longo período, alimentado pelas profundezas da microplaca Avalonia.
Naquela época, a Terra passava por instabilidades climáticas. A emissão massiva de cinzas e gases poderia ter provocado o resfriamento global e a acidificação dos oceanos, impactando os organismos marinhos do período Ordoviciano, época em que a vida terrestre era quase inexistente.
A descoberta preenche uma lacuna na história geológica da Europa. Anteriormente, acreditava-se que o território inglês era tectonicamente estável naquele período. Contudo, os dados provam que a microplaca Avalonia era uma zona de vulcanismo intenso durante o fechamento do Mar de Thornquist, um oceano antigo que desapareceu à medida que a Avalonia se aproximava da Báltica.
Características do Complexo de Wash:
Atualmente, o complexo magmático é considerado extinto. O vulcão está enterrado sob centenas de metros de depósitos sedimentares e águas rasas, tendo operado em condições tectônicas completamente diferentes de hoje, quando a Grã-Bretanha se localizava em outro hemisfério.
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