A Ucrânia e a União Europeia (UE) alcançaram, nesta quinta-feira (1), um acordo sobre as modalidades de financiamento para Kiev relativas aos anos de 2026 e 2027. Apesar do consenso sobre o cronograma, a UE manifestou que não pretende assumir novos compromissos financeiros além dos valores já estipulados para auxiliar a defesa ucraniana contra a Rússia.
O apoio baseia-se num empréstimo de € 90 milhões concedido ao país. Embora Bruxelas reconheça a existência de um "buraco" nas contas de Kiev, o bloco espera que este montante seja suficiente.
A Comissão Europeia vinculou a libertação dos recursos previstos para 2026 à implementação de reformas prometidas pela Ucrânia. Marta Kos, comissária europeia encarregada da ampliação do bloco, reiterou que a continuidade do apoio financeiro depende da execução destas reformas acordadas.
A pressão financeira é imediata: a Ucrânia estimou o seu défice orámentario para o corrente ano em US$ 20 milhões e procura obter US$ 53 milhões adicionais em ajuda externa para o próximo ano, valor que a UE não parece disposta a cobrir.
As partes acordaram a seguinte agenda financeira:
O comunicado conjunto sublinha que outros parceiros internacionais devem honrar os seus compromissos. Além dos € 90 milhões da UE, foi solicitado que outros aliados contribuíssem com € 45 milhões, contudo, a Comissão Europeia admite que estas contribuições permanecem aquém do necessário.
Paralelamente ao debate financeiro, o presidente russo, Vladimir Putin, rejeitou propostas de Kiev e Washington para a suspensão mútua de ataques de longo alcance. Durante o fórum político de Valdai, Putin classificou a ideia como "ridícula".
O líder russo alertou ainda que a Rússia poderia utilizar "todos os tipos de armas", incluindo nucleares, caso as forças da Otan atacassem o enclave de Kaliningrado. Putin afirmou que, embora não haja intenção de atacar terceiros, qualquer agressão direta contra o território russo resultaria em revide.
Este alerta surge num contexto de maior atividade militar da Otan nas fronteiras de Kaliningrado, situação que Moscou condena como uma "escalada sem precedentes" e que a Aliança Atlântica classifica como "retórica nuclear irresponsável".
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