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Saudação fraternal aos camaradas gregos

29.03.2010 | Fonte de informações:

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Ao observarmos o desenvolvimento da luta de classes na Europa, designadamente nos países que integram a UE, torna-se manifesto que na Grécia se estão travando os combates mais renhidos. Este país, transformado no alvo prioritário da recuperação da ofensiva neoliberal no palco europeu, vive actualmente sob uma violenta ofensiva do capital, através da acção do seu “novo” governo “socialista” do PASOK, acabado de ser “eleito” e já transformado em autêntico aríete contra os direitos dos trabalhadores gregos e apostado em destruir conquistas sociais dos assalariados, alcançadas pela luta conduzida ao longo da vida de várias gerações, cumprindo caninamente as directrizes dos grandes da UE.

Cortes nos salários e nas pensões, redução de 30% nos subsídios de Natal e nas férias, aumentos drásticos nos produtos de primeira necessidade, em numerosos serviços, aumentos nos impostos directos e indirectos, tudo orientado pelo propósito de descarregar sobre os rendimentos do trabalho o custo de uma política económico-financeira desastrosa para o povo e destinada a fomentar a concentração e a centralização do capital, tudo sob o “manto diáfano” da “crise” provocada por este último.


Numa manifestação de grande combatividade e dignidade, os deputados comunistas eleitos no Parlamento grego decidiram abandonar o local, no momento da votação destas medidas anti-operárias e anti-nacionais.


Opondo-se a esta ofensiva do neoliberalismo, na primeira linha do combate está o PC grego, cumprindo honrosamente o seu papel de partido da classe operária e dos trabalhadores gregos, denunciando vigorosamente as políticas anti-populares e anti-nacionais dos governos de serviço, organizando a resistência, mobilizando as energias dos segmentos mais avançados do operariado e de outras camadas assalariadas, conclamando-as à luta, insuflando vontade e determinação, apontando o caminho dos combates contra o capital e iluminando o seu rumo na direcção do Socialismo.


Sob a direcção política dos comunistas marxistas-leninistas gregos, os Sindicatos e outras organizações de classe vêm organizando e concretizando uma vaga de greves e manifestações que colocam, sem dúvida, o proletariado grego na vanguarda da luta de classes nos nossos dias. Demonstrando um ânimo e uma combatividade admiráveis, este último ano e meio ficará a assinalar um dos períodos mais ricos da história contemporânea da Grécia. O ascenso das lutas de classe é particularmente notável neste último mês, com a convocação de quatro greves nacionais e gerais, paralisando os mais importantes sectores de actividade, acompanhadas de grandes acções de rua em mais de sessenta cidades gregas, com uma participação continuada e aguerrida de muitas dezenas de milhares de manifestantes. As imagens e os vídeos destas manifestações, divulgados pelos sindicatos e pelos camaradas gregos, são verdadeiramente impressionantes, pelo seu carácter massivo, pela presença de muitos milhares de jovens, pela determinação combativa.


Considerando a sua importância política, justifica-se a transcrição da última posição do KKE sobre a luta de 11/3, numa tradução pouco rigorosa mas na qual – nisso confio – se procura garantir o seu sentido essencial.

“Na quinta-feira 11 de Março, as ruas em 68 cidades e vilas foram rios caudalosos, com a determinação de trabalhadores, jovens, mulheres e pensionistas demonstrada pelo PAME.


Foi a quarta greve em um período de um mês, que ficou marcada pela participação do povo em massa e pela sua dinâmica.
Dezenas de milhares de pessoas protestaram contra os cortes graves e as medidas fiscais que foram iniciadas pelo grande capital e votadas pelo governo social-democrata do PASOK, junto com o LAOS, nacionalista, e também apoiados pelos liberais da ND e pela Federação Helénica de Empresas.


As classes assalariadas, orientando as suas forças, travaram mais uma dura batalha contra a intimidação lançada pelos patrões e seus agentes, o que enriqueceu a experiência militante do povo trabalhador. Muitas pessoas conseguiram superar as suas hesitações e entraram em greve pela primeira vez.


Mais uma vez, a demonstração prática da experiência de mobilização do PAME foi muito maior do que o trabalho de sapa organizado pelas lideranças de sindicatos e confederações dos amarelos, GSEE ADEDY. Mais uma vez os grevistas viraram as costas aos sindicalistas amarelos.

Tanto a preparação da greve, bem como o planeamento para o próximo período, consolidou a necessidade de organização da classe trabalhadora. Além disso, deixou claro para amplos segmentos das camadas populares que a derrota do ataque não será concretizada através de uma demonstração ou em um dia. E este é o medo da plutocracia: o facto de que os milhares de trabalhadores aguerridos, através das mobilizações multiformes da PAME, constituem uma base importante não só para a resistência da classe trabalhadora, mas também para o seu contra-ataque. E a razão é porque participaram de uma luta que não se vira contra um governo ou uma mera lei, mas contra o próprio desenvolvimento capitalista que serve as empresas multinacionais, ou seja, contra o cerne do problema e não apenas contra alguns aspectos do problema.


Mais uma vez, lutaram pela PAME piquetes de greve de grandes fábricas e superfícies que paralisaram desde o amanhecer. Além disso, portos, aeroportos e estações de metro fecharam, enquanto em Atenas a circulação ferroviária foi operada por algumas horas, a fim de facilitar aos trabalhadores a participação na manifestação.

 
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