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Noam Chomsky e Vijay Prashad Protestam pelo Despejo de Quilombo Campo Grande

21.08.2020 | Fonte de informações:

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Noam Chomsky e Vijay Prashad Protestam pelo Despejo de Quilombo Campo Grande

 

Dezenas de movimentos e organizações do mundo todo denunciam o despejo de 450 famílias do Quilombo Campo Grande, e manifestam solidariedade ao MST. Inclusive a voz mais influente do mundo: Chomsky, em protesto internacional contra o autoritário Estado brasileiro assinado com Prashad. "Verdadeira história de terror que, se não protestada fortemente, outras provavelmente seguirão", diz Chomsky a Edu Montesanti


Edu Montesanti

A repressão do terrorista Estado brasileiro apenas cresce, assustando o mundo todo.

Um (des)governo crescentemente autoritário violando despreocupadamente, dia a dia e das maneiras mais violentas, os mais básicos direitos humanos diante de instituições "democráticas" brasileiras - assim como oposição política e movimentos sociais - completamente inertes (como sempre).

Medo ou omissão conivente, ou ambas as coisas? "Justiça" covarde! Elitistas hipócritas! Os mesmos que, por tanto tempo, praticaram a maior perseguição política contemporânea, em todo o mundo, contra um ex-presidente originário da roça nordestina.

Procurado por este jornalista, o auto-declarado socialista libertário Noam Chomsky avalia o cenário nacional como algo preocupantemente incerto.

"Há uma espécie de golpe brando com tantos militares em altos cargos", diz o dissidente político, filósofo, sociólogo e linguista americano, considerado por The New York Times a voz mais infuente do mundo: "Sem dúvida o intelectual mais importante que existe hoje".

No dia 12 deste mês, teve inicio o despejo de 450 famílias que vivem há 22 anos nos onze acampamento Quilombo Campo Grande (Sul de Minas Gerais) por policiais militares, que destruiram completamente seus meios de vida e produção.

Mais longo do século XXI no Brasil, o despejo arrastou-se por 56 horas devido à resistência das familias à Polícia Militar mais violenta do mundo - a polícia brasileira é a que mais mata, há décadas.

Helicóptero, carros, drones, balas, bombas, escudos e cassetetes alem de outros instrumentos de repressão somaram-se aos 150 policiais madrugada adentro de 12 de agosto, evidenciando uma vez mais que, no Brasil, a polícia assim como o próprio sistema de Justiça como um todo atua como defensora dos detentores do poder estatal, os usurpadores do excessivamente covarde Estado brasileiro, jamais da sociedade.

O Estado contra o cidadão, velha ordem no Brasil de elites mais ignorantes, histéricas e devastadoras do planeta.
No dia 13, a Campanha Despejo Zero enviou denunciou ao relator especial de moradia adequada da Organização das Nações Unidas (ONU), Balakrishnan Rajagopal, informando a destruição da Escola Popular Eduardo Galeano onde estudam crianças, jovens e adultos do acampamento.

Diz o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) em seu sítio na Internet que, para agravar ainda mais a situação, as famílias despejadas "ficarão totalmente expostas à pandemia do novo coronavírus em uma região crítica brasileira".

Enquanto o governo do estado mineiro não fornece nenhum auxílio às famílias despejadas.

Determinado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais com aprouve do governador Romeu Zema (Novo), o despejo justificou-se em um processo de reintegração de posse da área da usina falida Ariadnópolis, da Companhia Agropecuária Irmãos Azevedo (Capia) que encerrou as atividades em 1996.

Os agricultores estão em constante disputa com os proprietários da Companhia. O tamanho da área alvo reintegrada é questionada pelo MST. A primeira ordem judicial afirmava que a área a ser reintegrada era de 26 hectares. Mas, a decisão de Roberto Apolinário de Castro, juiz da Vara Agrária da Comarca de Campos Gerais, ampliou para 52 hectares o total a ser reintegrado.

De acordo com o MST, apenas em 2019 as famílias produziram 8,5 mil sacas de café, e 1.100 hectares de lavouras com 150 variedades foram cultivadas sem o uso de agrotóxicos.

Diante de mais esse massacre Noam Chomsky, que mora na cidade de Tucson no Arizona com a esposa brasileira Valeria, emitiu um protesto pelos despejos com o historiador indiano Vijay Prashad.

"Uma verdadeira história de terror que, se não protestada fortemente, outras provavelmente, virão", diz Chomsky a este autor.

Abaixo, traduzida do inglês por Edu Mntesanti a declaração de Chomsky e Prashad:

Em 12 de agosto, o governador Romeu Zema de Minas Gerais enviou a Polícia Militar para despejar 450 famílias do Quilombo Campo Grande, de 22 anos. Durante três dias eles cercaram o acampamento intimidando as famílias, na tentativa de forçá-las a deixar suas terras, mas as famílias sem-terra resistiram.

Em 14 de agosto, usando gás lacrimogêneo e granadas sonoras, eles finalmente tiveram sucesso. Destruíram uma comunidade que havia construído casas e cultivado produtos orgânicos (incluindo café, vendido como Café Guaîi).

Em 1996 as famílias, organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), haviam se apoderado de uma plantação de açúcar abandonada (Ariadnópolis, que pertencia à Empresa Agropecuária Irmãos Azevedo); Jodil Agricultural Holdings, uma das maiores produtoras de café do Brasil de propriedade de João Faria da Silva, queria o despejo para que pudesse assumir a produção da cooperativa.

Em sinal de descaso, o governador e a Polícia Militar destruíram a Escola Popular Eduardo Galeano, que educava crianças e adultos. Como amigos de Eduardo Galeano (1940-2015), a consciência da América do Sul, estamos especialmente magoados com o despejo e a destruição.

Este despejo ocorreu poucos dias após a morte do Bispo Pedro Casaldáliga (1928-2020), cuja vida foi uma homenagem às lutas pela emancipação dos pobres. Este despejo é um insulto à sua memória, ao homem que cantou,

Eu acredito no internacional

de cabeças erguidas,

de falar de igual para igual,

e de mãos dadas.

É assim que se vive de mãos dadas, não com gás lacrimogêneo e balas disparadas contra o campesinato pela Polícia Militar.

Condenamos o despejo das famílias e a destruição de suas terras e de sua escola. Estamos com as famílias do Quilombo Campo Grande.  

 

Por Foto: Antônio Cruz/ABr - Agência Brasil [1], CC BY 3.0 br, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=3253992

 

 

 
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