O minimalismo asséptico da clean girl e a discrição da "luxo silencioso" perdem terreno. A análise de comportamento de consumo e os desfiles recentes em Copenhague revelam uma mudança de eixo: a precisão geométrica dá lugar ao experimentalismo, ao jogo de proporções e a uma desleixada intenção.
Messy girl: a estética do caos visual
O conceito de messy girl surge como a antítese do visual impecável. A proposta é a autoexpressão via conflito: cores que brigam, estampas dissonantes e materiais contrastantes. A curadoria rigorosa de "looks combinadinhos" é substituída pela ecletia. Tons pastéis e motivos florais agora dividem espaço com camisetas gráficas e calçados inesperados.
Os dados da plataforma Edited sustentam essa movimentação. Para a temporada SS26, a demanda por camisetas com slogans saltou 156%. Peças de poá subiram 108% e as listradas 29%, refletindo a tendência de sobrepor padrões para construir a imagem caótica. O movimento atinge também o sportswear, onde conjuntos monocromáticos cedem espaço a combinações vibrantes e contrastes fortes.
Gardening-core: o pragmatismo do quintal
O cottage-core, com sua visão romantizada e bucólica do campo, evolui para o gardening-core. É uma resposta ao ruído digital: a roupa mimetiza quem cuida da terra, não quem desliza a tela do smartphone.
O mercado de luxo já absorveu a pauta. A Loewe lançou kits de jardinagem e uma bolsa em formato de regador. O avental torna-se peça central; a Miu Miu apresentou 20 variações do item para a coleção SS26. Paralelamente, o workwear funcional ganha força: vendas de calças cargo subiram 17%, camisas xadrez 48% e cintos utilitários 94%.
Drapeados e o novo romantismo
Códigos da Antiguidade retornam ao radar, impulsionados por influências cinematográficas como o filme "Odisseia". O foco recai sobre drapeados, saias assimétricas e correntes marcantes. Segundo a Edited, as menções a drapeados em tops cresceram 43% e em vestidos 20%.
Silhuetas fluidas e envolventes surgem como resposta prática ao calor, com a previsão de alta de 16% na popularidade de tops soltos para o próximo ano. Nos acessórios, o volume domina: novos modelos de sandálias com ferragens cresceram 131%, enquanto braceletes robustos e brincos subiram 64% e 25%, respectivamente.
Outra vertente é o whimsymaxxing, um romantismo translúcido que une rendas e a silhueta baby-doll. Embora as buscas por esse estilo no Pinterest tenham disparado 705%, a aplicação mudou: a delicadeza agora é contrastada com botas pesadas, integrando-se à lógica da messy girl.
Cores e a volta do peplum
O domínio dos beges e tons terrosos é desafiado pelo laranja. Um dos gatilhos é o "efeito Knicks": o sucesso do time de basquete de Nova York resgatou a combinação de laranja e azul. A plataforma Heuritech registra um aumento de 6% na visibilidade de tons âmbar e laranja claro em relação à temporada anterior.
No corte, o peplum retorna. Após um longo hiato, o detalhe reaparece em coleções da Dior e em tapetes vermelhos. A diferença atual reside na funcionalidade: o peplum deixa de ser exclusividade de eventos formais para entrar no cotidiano, combinado com calças para marcar a cintura em looks urbanos.
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