A remoção da água não basta: o erro comum na secagem de casas alagadas

Inundação em casa, seja com poucos centímetros no porão ou com cômodos totalmente alagados, exige mais do que uma limpeza superficial. O processo requer a desmontagem sistemática de estruturas e a secagem técnica do ambiente. Para evitar que a recuperação vire um caos, é preciso mobilizar um conjunto específico de ferramentas para a remoção da água, a desconstrução de materiais comprometidos e o registro técnico dos danos para a seguradora.

Segurança e isolamento imediato

Antes de entrar na área afetada, o risco prioritário é o choque elétrico proveniente de tomadas ou quadros de energia submersos. A primeira ação deve ser a convocação de um eletricista para realizar o desligamento total da rede elétrica da residência.

Para proteção contra contaminações químicas e biológicas, a equipe deve utilizar:

  • Botas de borracha de cano alto: a água não pode penetrar no calçado. Caso ocorra infiltração, é necessário lavar as pernas e pés imediatamente.
  • EPIs básicos: luvas, máscara e óculos de proteção.

Remoção de água e detritos

O reparo estrutural não pode começar enquanto houver água acumulada. A escolha da ferramenta depende do volume e do tipo de resíduo:

Limpeza bruta

  • Baldes e rodos: método manual para a retirada rápida do volume principal de água.
  • Pás: essenciais para remover lodo, lama e areia, comuns em inundações de pavimentos térreos e subsolos. Também servem para transferir água para tanques de descarte.
  • Aspirador de pó e líquidos (Wet/Dry Vac): superior aos baldes em velocidade e eficiência. É a ferramenta crítica para tentar salvar carpetes, tecidos e estofados, pois extrai a umidade profunda das fibras.

Desmonte de materiais comprometidos

Paredes e pisos úmidos são o ambiente ideal para a proliferação de mofo. Materiais porosos que absorveram água devem ser removidos.

O uso de pé-de-cabra permite a retirada rápida de drywall, linóleo ou tacos embebidos em água. É recomendável estocar esses materiais em garagens ou depósitos; amostras físicas servem como prova material do dano para o perito do seguro, complementando as fotos.

Para o descarte de entulho, isolantes térmicos molhados e tecidos sujos, devem ser utilizados sacos de lixo reforçados (estilo industrial). Sacos plásticos comuns rompem-se sob o peso do gesso úmido ou da lama.

Secagem e controle de fungos

A ausência de água visível não significa que a casa esteja seca. A umidade permanece retida em lajes, atrás de revestimentos de parede e nas camadas profundas do piso.

Controle de umidade e fluxo de ar

  • Desumidificador de ar: para casos de inundação, é necessário um aparelho potente com saída para mangueira de dreno direto. Dependendo da área, o dispositivo pode operar continuamente por até duas semanas.
  • Ventiladores de piso de alta velocidade: servem para forçar a saída do ar estagnado (carregado de esporos de mofo e resíduos químicos) através de portas e janelas, acelerando a evaporação superficial.

Tratamento químico

Assim que as superfícies estiverem secas ao toque, deve-se aplicar desinfetantes ou agentes antimofo registrados nos órgãos reguladores. Essa etapa impede que o fungo se desenvolva em cavidades ocultas da estrutura.

Documentação dos danos

Para a obtenção de indenizações, relatos verbais são insuficientes. Como smartphones podem falhar ou descarregar em situações de emergência, recomenda-se o uso de uma câmera digital dedicada em local seguro.

Devem ser feitos registros precisos de todos os danos: marcas de nível de água nas paredes, recalques no piso e colapsos estruturais. Estes registros são o único critério objetivo para a avaliação do prejuízo pela seguradora.

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Author`s name Anastasiya Zhukova
Correspondente do Pravda.Ru, atuando na edição em português do site.