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Venezuela: o povo saiu à rua para eleger a estabilidade

07.12.2020 | Fonte de informações:

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Venezuela: o povo saiu à rua para eleger a estabilidade

AbrilAbril

7 DE DEZEMBRO DE 2020

Os primeiros resultados das eleições à Assembleia Nacional da Venezuela dão a vitória à coligação de forças bolivarianas Grande Pólo Patriótico, com 67,6% dos votos.

Foto:

CréditosRayner Pena R / EPA

«O povo, enfrentando todas as dificuldades, saiu para eleger a sua Assembleia Nacional», revelou Nicolás Maduro após a divulgação dos resultados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), quando estavam contabilizados 82,35% dos boletins.

Até então tinham sido contados 5 264 104 votos, dos quais 3 558 320 foram para o Grande Pólo Patriótico (GPP), numas eleições marcadas pelo prosseguimento da estratégia de desestabilização por parte da oposição, que apelou ao boicote do sufrágio. «Obtivemos uma tremenda vitória eleitoral. Tudo o que ganhámos até hoje, ganhámos com votos, pois somos democratas», insistiu Maduro.  

Segundo informou a presidente do CNE, Indira Alfonzo, em segundo lugar ficou a aliança liderada pelos partidos Acção Democrática (AD) e o Comité de Organização Política Eleitoral Independente (Copei), com 944 665 votos (17,95%). 

Em terceiro lugar ficou outra aliança liderada pelo Vontade Popular (VP), o partido de Leopoldo López e Guaidó, e que inclui ainda o Venezuela Unida (VU) e o Primeiro Venezuela (PV), com 220 502 votos, o que representa 4,19%.

O Partido Comunista da Venezuela teve 143 917 votos (2,73%), enquanto as restantes formações obtiveram 357 609 votos (6,79%).

As mesas de voto, que abriram às 6h (hora local), deveriam ter fechado às 18h (22h em Lisboa), mas o CNE prorrogou a abertura por mais uma hora ou até que não houvesse pessoas à espera na fila. Enquanto decorria a votação, Indira Alfonzo frisou que a Venezuela estava a dar ao mundo um exemplo de «civismo e de comportamento democrático», e de total cumprimento das regras sanitárias. 

Nestas eleições, em que participaram 31% dos 20 710 421 inscritos nos cadernos eleitorais, concorreram 107 partidos e 14 400 candidatos para ocupar os 277 assentos parlamentares durante os próximos cinco anos. 

«As pessoas agradeceram a nossa presença»

Sandra Pereira, deputada do PCP no Parlamento Europeu, fez parte dos mais de 300 observadores internacionais de 34 países que este domingo acompanharam as eleições à Assembleia Nacional, a par dos 1500 observadores venezuelanos.

Contactada pelo AbrilAbril, a também vice-presidente da Assembleia Parlamentar Euro-Latino-Americana (EUROLAT) revelou que o processo eleitoral decorreu com normalidade e com o devido cumprimento das medidas sanitárias. «Em várias mesas, representantes de diferentes partidos políticos com quem conversámos revelaram que o voto electrónico estava a funcionar, que tudo estava a correr bem e que as pessoas estavam a cumprir este direito de forma livre e transparente», disse Sandra Pereira. 

107

Cento e sete organizações políticas inscreveram 14 400 candidatos às eleições deste domingo

A responsável enalteceu haver «muitas mulheres com encargos nas mesas eleitorais» e o contacto com muitos dos que aguardavam na fila para votar. «Em La Guaira, as pessoas estavam muito felizes, afirmavam que é importante a Venezuela manter a sua independência, a sua soberania, e que por isso estas eleições eram muito importantes», referiu.

«Muitas pessoas vinham ter connosco, sem nenhuma hostilidade, a agradecer o facto de estarmos aqui, de termos vindo ver que as eleições são realmente democráticas», acrescentou. 

O «maior absurdo» do Direito Internacional 

Os mais de 300 observadores internacionais que acompanharam as eleições para a Assembleia Nacional eram oriundos de países vizinhos, como o Brasil, mas também da Europa, Ásia, África e até dos EUA.

Recorde-se que a União Europeia (UE), que há um ano reconheceu o auto-proclamado Juan Guaidó como «presidente interino legítimo», recusou-se a enviar observadores para monitorizar o acto eleitoral, declinando assim o convite do governo venezuelano com o argumento de que as eleições deviam ser adiadas.  

Entretanto, José Luis Zapatero, que foi também observador das legislativas deste domingo, pediu à UE que reveja a sua política de apoio às sanções aplicadas pelos EUA e o facto de não reconhecer as instituições venezuelanas que, segundo afirmou, «pode conduzir ao maior absurdo da história do Direito Internacional».

Porque, acrescentou, «se não se reconhece a assembleia que hoje se elege, e a anterior não existe porque já cumpriu o seu mandato, e se não se reconhece o Presidente Maduro - por hipotética acusação de fraude nas eleições de Maio de 2018 -, pois não se pode chegar ao absurdo de dizer que na Venezuela não há nem parlamento, nem Presidente, nem instituições».  

 

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